quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Um debate decisivo, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Nunca o eleitor esteve tão ansioso para ouvir os candidatos ao Senado Federal

Lá se vão 48 anos. Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso disputavam o voto do eleitor de São Paulo pelo MDB, enquanto Cláudio Lembo era o candidato da Arena. O regime militar estava no fim. Prefeitos das capitais, governadores e o presidente da República eram eleitos de forma indireta, pelo Colégio Eleitoral. Restava ao eleitor apenas um pleito majoritário, em que a oposição e o governo mediam forças: a eleição para o Senado.

Já em 1982, o povo brasileiro pôde eleger pelo voto direto os governadores e, em São Paulo, escolheu Montoro, o senador eleito em 1978. A campanha, então, apresentou uma novidade: um debate eleitoral na TV entre os cinco candidatos ao governo. Ali apareceu pela primeira vez na cédula eleitoral o nome do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Candidato ao Palácio dos Bandeirantes, ele amargou o quarto lugar no pleito.

O protagonismo deixava os candidatos ao Senado e passava aos candidatos ao Executivo. E assim se manteve em 1986, mesmo com a eleição dos constituintes. São Paulo elegeu Orestes Quércia como governador, mas a eleição para o Senado trouxe dois nomes que dominariam a política no Estado nas décadas seguintes: Mário Covas e Fernando Henrique. Após 1989, com a volta da eleição direta para presidente, o debate político deslocou-se para Brasília. E o eleitor continuou a comparar os candidatos nos debates. FHC foi ao de 1994 e ouviu um desaforo de Leonel Brizola sobre o Plano Real. Mas a estabilização da moeda garantiria a FHC a eleição e a reeleição em 1998.

Desde então, a cada eleição lá estão os debates e as ausências, em alguns deles, dos candidatos mais bem colocados. Bolsonaro faltou aos de 2018. Culpou a facada. Lula pulou alguns em 2022. Queria distância de Padre Kelmon, o candidato bolsonarista do PTB, e de outros adversários dispostos a fustigá-lo.

Em 2026, algo mudou. O eleitor poderá assistir a uma campanha de primeiro turno quase sem debates de presidenciáveis e de candidatos ao governo paulista. Ao mesmo tempo, ninguém parece se importar com o que eles fazem em suas agendas: só se deseja saber qual é a última notícia do STF. É assim que, novamente, a eleição ao Senado, pelas vias tortas da Justiça, ganhou novo protagonismo.

O eleitor quer saber dos candidatos como cada um se comportará, se eleito, diante da crise da Corte. Vai admitir o impeachment de ministro? Aprovará mudanças nas competências do tribunal e na forma de indicação de seus integrantes? É diante dessas questões que os sete principais candidatos ao Senado vão comparecer hoje ao debate promovido pelo Estadão e pela FAAP. Há muito o debate entre eles não era tão decisivo.

 

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