O Estado de S. Paulo
Nunca o eleitor esteve tão ansioso para ouvir os candidatos ao Senado Federal
Lá se vão 48 anos. Franco Montoro e Fernando
Henrique Cardoso disputavam o voto do eleitor de São Paulo pelo MDB, enquanto
Cláudio Lembo era o candidato da Arena. O regime militar estava no fim.
Prefeitos das capitais, governadores e o presidente da República eram eleitos
de forma indireta, pelo Colégio Eleitoral. Restava ao eleitor apenas um pleito
majoritário, em que a oposição e o governo mediam forças: a eleição para o
Senado.
Já em 1982, o povo brasileiro pôde eleger pelo voto direto os governadores e, em São Paulo, escolheu Montoro, o senador eleito em 1978. A campanha, então, apresentou uma novidade: um debate eleitoral na TV entre os cinco candidatos ao governo. Ali apareceu pela primeira vez na cédula eleitoral o nome do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Candidato ao Palácio dos Bandeirantes, ele amargou o quarto lugar no pleito.
O protagonismo deixava os candidatos ao
Senado e passava aos candidatos ao Executivo. E assim se manteve em 1986, mesmo
com a eleição dos constituintes. São Paulo elegeu Orestes Quércia como
governador, mas a eleição para o Senado trouxe dois nomes que dominariam a
política no Estado nas décadas seguintes: Mário Covas e Fernando Henrique. Após
1989, com a volta da eleição direta para presidente, o debate político
deslocou-se para Brasília. E o eleitor continuou a comparar os candidatos nos
debates. FHC foi ao de 1994 e ouviu um desaforo de Leonel Brizola sobre o Plano
Real. Mas a estabilização da moeda garantiria a FHC a eleição e a reeleição em
1998.
Desde então, a cada eleição lá estão os
debates e as ausências, em alguns deles, dos candidatos mais bem colocados.
Bolsonaro faltou aos de 2018. Culpou a facada. Lula pulou alguns em 2022. Queria
distância de Padre Kelmon, o candidato bolsonarista do PTB, e de outros
adversários dispostos a fustigá-lo.
Em 2026, algo mudou. O eleitor poderá
assistir a uma campanha de primeiro turno quase sem debates de presidenciáveis
e de candidatos ao governo paulista. Ao mesmo tempo, ninguém parece se importar
com o que eles fazem em suas agendas: só se deseja saber qual é a última
notícia do STF. É assim que, novamente, a eleição ao Senado, pelas vias tortas
da Justiça, ganhou novo protagonismo.
O eleitor quer saber dos candidatos como cada
um se comportará, se eleito, diante da crise da Corte. Vai admitir o
impeachment de ministro? Aprovará mudanças nas competências do tribunal e na
forma de indicação de seus integrantes? É diante dessas questões que os sete principais
candidatos ao Senado vão comparecer hoje ao debate promovido pelo Estadão e
pela FAAP. Há muito o debate entre eles não era tão decisivo.

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