O Globo
Justificativas ensaiadas têm algo em comum:
eximir o presidente e seu partido de qualquer responsabilidade
Quem é o culpado? Sidônio Palmeira, Janja,
Alexandre de Moraes, o “imperialismo ianque”, a “imprensa entreguista”, o
mordomo? Todas essas hipóteses circulam na campanha de Lula e na base militante
petista. Contudo, no fundo, a teoria mais permanente é outra: a culpa seria do
povo.
Há muito, quando o PT perdeu uma eleição em São Paulo, a filósofa Marilena Chauí acusou a “classe média fascista”. Era estranho, pois o PT daquele tempo triunfara várias vezes nas grandes cidades do Sudeste, inclusive com o voto majoritário dos bairros de classe média. Afinal, essa camada social tornava-se fascista apenas quando o PT perdia?
Outros tempos, novos culpados. Desde 2018,
nos meios de esquerda, firmou-se uma obsessão sobre o “pobre de direita”. Os
militantes tendem a imaginar que sua régua — a ideologia — é a de todos. Não
entendem que a decisão de voto move-se circunstancialmente. Eleitores de Obama
votam, depois, em Trump, e os mesmos pobres que sufragaram Lula podem votar em
Bolsonaro.
A difusão da política identitária entre os
“progressistas” degradou ainda mais os diagnósticos. No lugar de grupos
(imaginários) mais ou menos demarcados, a culpa estendeu-se à sociedade inteira
— ou, ao menos, à maioria dela.
Numa entrevista anterior ao primeiro turno,
dedicada a divulgar o livro “O ódio como política”, que organizou, a socióloga
Esther Solano sugeriu a seguinte explicação sobre o eleitorado de Bolsonaro:
— Estamos num país que tem uma sociedade
muito racista e muito machista. O Brasil é o país que mais mata pessoas
transgênero no mundo, tem uma alta taxa de feminicídio. Então, é um país que
está construído sobre uma base de ódio contra o diferente.
Solano expressa, palavra por palavra, um
diagnóstico que percorre significativa parcela da esquerda. Ela não disse que
existem racismo, machismo, misoginia e transfobia, o que é óbvio. Mas,
recitando a bíblia identitária, afirmou que essa é a essência da “sociedade
brasileira”. Afinal, de acordo com Solano, o Brasil ergue-se “sobre uma base de
ódio contra o diferente”. Se isso for verdade, desistam: Lula não tem chance.
Um país esculpido nesse molde elegerá, inevitavelmente, a extrema direita. E,
como não dá para mudar de povo, restaria aos “progressistas” mudar de país.
Supostamente radical, o raciocínio
identitário é, na verdade, fatalista — e derrotista. Seu fulcro encontra-se na
palavra que amam de paixão: estrutural. O racismo é “estrutural”, como a misoginia,
a homofobia e a transfobia. Significa que estão incrustados no DNA da
“sociedade”. Não havendo saídas, procura-se constranger a “sociedade”
atribuindo-lhe características pecaminosas, a fim de cobrar “compensações”, na
forma de cotas.
Funciona, mas ao reverso. O declínio
eleitoral dos “progressistas” no Ocidente reflete, em larga medida, o fastio
provocado por intermináveis discursos sobre a culpa proferidos do alto de uma
pretensa superioridade moral.
O detalhe que escapa ao raciocínio
identitário: desde 2003, os “progressistas” governaram o Brasil durante 75% do
tempo. Como se explica que uma sociedade tão corrompida, violenta, odienta e
odiosa tenha feito tal escolha eleitoral predominante?
Há mais. Inegavelmente, e segundo os próprios
discursos de Lula, os governos “progressistas” que dominaram nossa História
recente desempenharam papel significativo na edificação do Brasil atual. Seu
legado é um país tão depravado?
As diversas justificativas ensaiadas para a
derrota no primeiro turno, do mordomo marqueteiro ao país consumido pelo
pecado, têm algo em comum: eximir o presidente e seu partido de qualquer
responsabilidade. Lula, o PT e as políticas do governo nada têm a ver com o
fracasso. A culpa é sempre dos outros — e, segundo a lógica identitária, do
país impuro que os puros governam.
É uma repetição. No rastro do impeachment de
Dilma Rousseff, inventou-se a lenda do “golpe das elites” para impedir a
revisão crítica das políticas que conduziram à depressão econômica. Hoje, a
imaginação “progressista” voa alto, com o mesmo objetivo. Quebrar espelho, eis
o que se faz. Desse jeito, até um Flávio pode chegar ao Planalto.

DEMERDA MAGNOLI,VÁ PRA PUTA QUE O PARIU!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirMerda foi seu pai que acreditou na puta que te gerou. MAM
ExcluirÓtima coluna !
ResponderExcluir😎
Isso aí Marcos, parabéns borla lucidez do comentário.
ExcluirPerfeito! O anônimo covarde se lembrou da mãe que o gerou e a homenageou... MAM
ResponderExcluirLula ja era, igual o nazispo que caiu de moda
ResponderExcluirha longos anos atras, nao faz falta alguma!
Nao sei como ainda tem pessoas que votam num sujeito desse,
ResponderExcluirTriste fm de uma triste figura.
ResponderExcluirTomara, que nunca mais!!!!!!!!!!
ResponderExcluirTem gente que nao serve nem para piolho de escroto e fica querendo apararecer as custas de um impecavel, inteligente Homem integro iaual ao Demétrio Magnoli., esses sao os coitados da vida, nao valem nem o peso em merda.
ResponderExcluirDa merda veio e para ela voltara sem que ninguem perceba.
ResponderExcluirOPT é uma merda teórica e prática e tem que acabar. Mas entregar o Brasil a bandidos como os Bolsonaros é risco grave para a nação e o Ocidente. MAM
ResponderExcluirTransitório,! Pior é o Lula!
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