Correio Braziliense
É muita ironia do destino a democracia
brasileira em 2026 depender do Centrão para sobreviver
O primeiro turno de 2026 confirmou algo
que vinha se desenhando desde 2018. A extrema-direita se consolidou como força
eleitoral no Brasil, com quadros, eleitorado e um partido que, mesmo com uma
organização frágil, dispõe da maior fatia individual do fundo eleitoral. O
capital político de Jair Bolsonaro foi transferido para os filhos,
especialmente Flávio, cuja candidatura presidencial funcionou como motor das
candidaturas do PL ao Legislativo. O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada
de um único partido na Câmara desde a redemocratização, e terá a maior bancada
do Senado a partir de 2027, com 28 senadores.
Do outro lado, os seis partidos do Centrão — União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB e Podemos — elegeram juntos 13 deputados a menos que em 2022. Isso chama atenção porque parte desses partidos passou os últimos anos ao lado do bolsonarismo em pautas como a anistia aos condenados do 8 de Janeiro e a oposição sistemática ao governo. Com isso, perderam espaço justamente para o campo político que ajudaram a fortalecer.
O Centrão não é sinônimo de centro
ideológico. Os pesquisadores que fazem estudos sobre partidos políticos Bruno
Bolognesi, Ednaldo Ribeiro, Adriano Codato e Bruno Fernando da Silva mostram
que o centro praticamente desapareceu do sistema partidário brasileiro, e que a
direita é predominantemente fisiológica, orientada à obtenção de cargos e
recursos mais do que à defesa de programas.
A composição do Centrão não tem uma definição
e muda a cada legislatura, os partidos se alinham conforme a matéria em
votação. União Brasil, PP e MDB perderam juntos 22 cadeiras, a maior parte
delas na federação União Progressista, que, em setembro de 2025, anunciou a
saída do governo Lula e o apoio à anistia. PSD, Republicanos e Podemos, por
outro lado, ganharam nove cadeiras. O Republicanos merece atenção porque, mesmo
próximo do bolsonarismo, tem base própria no eleitorado evangélico e em
Tarcísio de Freitas, e por isso não dependeria do PL para ter identidade.
Portanto, a disputa no Legislativo de 2026 se deu dentro da própria direita,
direita fisiológica x direita bolsonarista, e quem venceu foi o partido que
deixou de ser Centrão para se tornar a agremiação da extrema-direita.
Parte do Centrão que mais se aproximou do
bolsonarismo e do PL foi vítima de uma estratégia que parecia racional no curto
prazo. Esses partidos buscaram ampliar seu poder de barganha diante do
Executivo e se proteger de ataques pela direita em suas bases. O custo foi
legitimar uma pauta que pertence a outro campo. Experiências de outros países
mostram que, quando partidos tradicionais adotam o discurso da direita radical
para disputar seus eleitores, raramente são bem-sucedidos. Porque o eleitor que
prioriza esses temas tende a preferir o original à cópia.
A força do Centrão sempre esteve nos recursos
locais e lideranças regionais, como mostraram as eleições municipais de 2024.
Em 2026, a disputa foi mais nacionalizada e polarizada, e tudo indica que o
eleitor votou mais por pertencimento político, em boa medida mobilizado pelas
redes sociais. Nesse cenário, a direita bolsonarista levou vantagem sobre a
direita fisiológica.
O resultado é que os seis partidos terão 234
deputados, cerca de 45% da Câmara e quase o dobro da bancada do PL. E
continuarão com mais dinheiro. Como o fundo eleitoral é distribuído conforme o
resultado da última eleição geral, o PL deve ficar com cerca de um quarto dos
recursos nas eleições municipais de 2028, e o Centrão somará cerca de 40%. É
justamente no plano municipal, em suas redes locais, que esses partidos teriam
a chance de se recompor e fazer a diferença. O PL segue longe da maioria e
precisará desses partidos para qualquer agenda.
Agora, o que muda é a posição de negociação,
e o segundo turno vai defini-la. Se a extrema-direita vencer a Presidência, o
Centrão tende a se tornar sócio menor de um projeto que não é originalmente
seu. Se Lula vencer, o Centrão volta a ser o fiel da balança. É muita ironia do
destino a democracia brasileira em 2026 depender do Centrão para sobreviver.
Em qualquer cenário, a parte do Centrão que
aderiu ao bolsonarismo parece ter trocado sua autonomia, e a proteção do
próprio sistema democrático, por vantagens imediatas. Os partidos tradicionais
têm a função de filtrar lideranças e agendas que desafiam as regras do jogo
democrático. Quando abrem mão desse papel em troca de ganhos de curto prazo,
quem costuma pagar a conta são eles próprios. Em 2026, a fatura chegou nas
urnas.
*Karolina Roeder
—
cientista política, professora de ciência política e relações na Uninter e
pesquisadora do INCT ReDem (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em
Representação e Legitimidade Democrática)

Se a direita está dividida Que eu discordo, à esquerda o PT está em franca implosão, um desmonte , ninguém se entende e a campanha afunda
ResponderExcluirDepois do desastre do primeiro turno estão até agora procurando um culpado
Encontraram a queridinha deputada federal negra de Minas para falar pelo PT até por Lula era o grande trunfo eleitoral da equipe de marketinge agora que foi revelado que ela fez postagem pro Lula ondepedia pra ele parar de fazer bondade pro Brasil e cobrava o kit gay o fechamento de igreja evangélicas
Ela mesmo disse que tem que fechar as igrejas desses crente que são tudo uns FDP só faz encher o saco
É a Pá de Cal que faltava nessacampanha moribunda e pra esse candidato corrupto , mentiroso e desacreditado