O Estado de S. Paulo
Leilão de promessas num jogo de populismo x populismo vai frustrar os desejos de mudança
As dificuldades de Lula para se reeleger
continuam presentes em igual medida, que não é apenas aquela de números
apertados exibidos por mais de dezena de pesquisas. É o profundo cansaço,
descrédito e insatisfação generalizadas, o principal impulso da oposição.
Não se pode excluir que a farra de promessas irresponsáveis nesta reta final produza um resultado circunstancial, isto é, uma virada sobre o primeiro turno. Teria chances praticamente nulas, porém, de produzir nesse contexto “estrutural” uma mudança de rumo geral do País.
Lula falou tanto na sua vida política de
“heranças malditas” – a culpa sempre foi de algum outro – que nunca recebeu.
Até ser alcançado por uma de verdade: a tal maldição do incumbente, um fenômeno
de características universais (os exemplos vêm de países muito diferentes e
muito distantes entre si).
Ao descrédito planetário com o funcionamento
de democracias liberais e o preço pago por incumbentes soma-se, no Brasil, o
descrédito da figura de um populista em visível ocaso. É o que tornou tão
difícil para a campanha de reeleição navegar contra grandes movimentos de
opinião, razoavelmente previsíveis, porém quase sempre incontroláveis (no
sentido de facilmente manipuláveis).
A campanha vem há meses prometendo benesses
para responder diretamente ao que pesquisas indicam sobre demandas de segmentos
sociais ou econômicos específicos, mas percebe-se agora com mais clareza que o
problema nunca foi satisfazer “clientelas” determinadas. Não dá para tratar
dessa maneira o que parece ser o “espírito de uma época”.
No caso brasileiro é claramente um sentido de
mudança difuso, porém muito presente, com alta probabilidade (dada a
profundidade da crise) de permanecer forte mesmo com uma vitória da oposição –
hoje o cenário mais provável. Flávio (ou qualquer outro que estivesse em seu
lugar) não terá um minuto sequer de lua de mel. Ele não precisou até aqui
convencer ninguém de que é a “melhor” das mudanças, apenas que seria a mudança.
E o que poderia ter sido na candidatura o lançamento de medidas, especialmente
no campo econômico, foi totalmente bloqueado pelo leilão de promessas num jogo
de populismo para combater populismo. Com o que se pode ganhar uma eleição, mas
dificilmente um futuro.
Como se previa, a insegurança jurídica
atingiu também as eleições, dada a avançada degradação dos tribunais superiores
e a escancarada politização no topo do Judiciário. Os próprios integrantes do
Supremo admitem que o País está diante de um abismo institucional, e a única
divergência entre eles se refere à vitória de quem acelerará mais esse
processo.

Não só as cortes supremas estão degradadas como as Instituições democráticas do Brasil também se degradaram , o PT tem isso como método degradar toda a sociedade política institucional e socialmente pra com isso ter mais facilidade de Dominar e governar
ResponderExcluirSe olharmos perfil da militância jovens esquerdista é a própria degradação , jovens com fisionomias deturpadas vociferando palavras de ordens dita pela liderança esquerdista
E aí isso que o povo deu um basta quer a mudança quer retornar ao ambiente tranquilo democrático e saudável
Fora Lula basta!