O Estado de S. Paulo
As eleições de meio de mandato nos EUA, daqui a duas semanas, deverão ter impacto nos mercados globais
Daqui a duas semanas, outra eleição terá importante repercussão para os mercados globais, com impacto político até no Brasil: a de “midterms” (ou “meio de mandato”) nos Estados Unidos, para a renovação da Câmara de Deputados e do Senado. Muitos analistas estão dizendo que o desfecho desse pleito será desastroso para o Partido Republicano e tornará o presidente Donald Trump um “pato manco”, jargão para descrever um governante que, rumo ao final de governo, tem a sua autoridade bastante enfraquecida e quase nenhuma capacidade de aprovar leis no Congresso.
Esse cenário sombrio para o Partido
Republicano traçado pela maioria dos especialistas tem a ver com a insatisfação
dos eleitores com o presidente. Conforme a última pesquisa da Reuters/Ipsos, a
aprovação de Trump caiu para 31%, menor nível já registrado nos seus dois
mandatos. Aliás, 68% dos pesquisados desaprovam a gestão dele na economia,
incluindo 37% que se declararam republicanos.
A revista The Economist projeta uma probabilidade
de 96% de o Partido Democrata assumir o controle da Câmara e de 59% de retomar
o comando do Senado. Atualmente, os republicanos detêm a maioria nas duas
Casas. O favoritismo na corrida pelo controle da Câmara sempre foi do Partido
Democrata, mas até alguns meses atrás a derrota dos republicanos no comando do
Senado era impensável: muitos dos assentos em disputa se encontram em Estados
tradicionalmente “vermelhos”, a cor do Partido Republicano. Das 100 cadeiras do
Senado, haverá eleição para renovação de 35 delas no próximo dia 3 de novembro.
Candidatos democratas têm chances reais de vitória em Estados como Kansas, que
não elege um senador democrata desde 1932.
O pior cenário para Trump – controle das duas
Casas pelos democratas – pouco afetará as decisões sobre comércio internacional
(tarifas), imigração (deportações em massa) ou política externa (guerra no
Irã): ele poderá adotar medidas nessas áreas por meio de decretos presidenciais
ou atos executivos de “emergência nacional”. No entanto, não conseguirá aprovar
cortes de impostos ou medidas fiscais que passem pelo crivo dos parlamentares.
Ainda que o Congresso aprove leis desfavoráveis ao governo, Trump tem o poder
de vetá-las.
Mas o Congresso nas mãos dos democratas
poderá lançar investigações e procedimentos de impeachment, absorvendo todo o
foco dos dois últimos anos do seu mandato e causando muita dor de cabeça a
Trump. O desfecho das “midterms” não tornará um presidente com garras em um
desdentado, mas seu poder aparentemente ilimitado chegará ao fim.

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