Folha de S. Paulo
Flávio é o terceiro do clã a ficar de fora da
cena nacional por erro de cálculo sobre os efeitos dos próprios atos
Considerando que na política não há vácuo,
cedo ou tarde o lugar será ocupado por alguém na fila da direita
Os quase 60
milhões de brasileiros que optaram pelo candidato derrotado na
eleição à Presidência tiveram seus votos inutilizados por ele. Em suma, foram
feitos de palhaços.
No lance da fuga, de uma tacada Flávio Bolsonaro (PL) revelou sua face golpista e mostrou-se um colosso em matéria de autodestruição. Virou as costas para o eleitorado, deixou no "ora, veja" os políticos aliados, provou-se inabilitado para liderar a oposição e lustrou de razão o equívoco tático de Alexandre de Moraes de retomar a ofensiva judicial na base da afobação.
O senador em fim de mandato junta-se ao irmão
deputado cassado e demais foragidos da Justiça homiziados nos Estados Unidos,
para de lá viver a ilusão de ser "o verdadeiro presidente eleito", o
"líder do Brasil" ao molde de um perseguido político que, na
realidade, é um investigado por crimes comuns.
A direita que foi até a boca da urna não chorou no
velório. Todos os partidos, inclusive o PL do senador ora iludido,
deixaram-no berrando sozinho.
Ao
autoproclamado líder da oposição, no momento faltam liderados. A
conferir se o campo que o quase ex-senador pretende representar vai rever a
posição e continuar prisioneiro de uma gente que desrespeita as regras ou se
aproveita o ensejo para se libertar da política de arreganhos radicais.
A julgar pelo padrão de covardia na
adversidade, lícito supor que o evadido em questão tremeria na base ante a
enormidade e a gravidade dos problemas que teria de enfrentar caso tivesse
alcançado o cargo que, vê-se, em boa hora a maioria lhe negou.
Há, no campo que se aliou ao Bolsonaro da vez,
políticos com nomes a zelar. Há também os oportunistas, o pessoal da arruaça
digital e o contingente de reacionários. A uni-los, a sociedade no vexame.
No meio do desacerto, o certo é que mais um
Bolsonaro sai da cena nacional. Ficam no Congresso
Nacional os herdeiros: Carlos (PL-SC), Renato (PL-SP), Jair Renan
(PL-SC) e Michelle (PL-DF) —dos quatro, a mais (única?) esperta.

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