terça-feira, 6 de outubro de 2026

Brasil marcha à direita, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Virada de Lula no segundo turno não é impossível, mas é bem difícil

País se junta a outras nações em onda de ultradireita

A direita fez barba, cabelo e bigode nestas eleições. Se o futuro é contingente, não dá para descartar uma virada de Lula contra Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas ela é improvável. Os menos de dois pontos percentuais que separam o petista de seu adversário podem não parecer muita coisa, mas os eleitores de Renan Santos, Augusto Cury e Ronaldo Caiado, que ficaram órfãos, tendem a ter um perfil mais conservador. Difícil imaginar que migrem para Lula em desproporção tal que compense e supere a diferença.

É claro que o imponderável pode dar as caras. Eleitores sempre podem mudar de ideia. Imagino até que os serviços de "opposition research" do petismo tenham guardado algum vazamento suculento contra Flávio. Tudo é possível, mas nada aponta um caminho muito fácil para a virada.

Já especulando um pouco, eu diria que os recados das urnas foram tão inequivocamente direitistas que, se essa ala tivesse apresentado um candidato presidencial menos ruim do que o pequeno Bolsonaro, teria liquidado a fatura no primeiro turno. Em 20 das 27 unidades federativas a disputa se resolveu em primeiro escrutínio, com amplo predomínio da direita.

Se aplicarmos ao Brasil o princípio da mediocridade, segundo o qual o país nada tem de excepcional ou único que o distinga de outras nações, então os resultados nem são assim tão surpreendentes.

Observamos hoje no mundo a superposição de dois fenômenos relativamente novos. O primeiro é o forte crescimento da ultradireita, que afeta não apenas países periféricos mas também os centrais (Trump, AfD, Le Pen, Chega). O segundo é a transformação da vantagem do incumbente numa espécie de maldição.

Levantamento de Steven Levitsky mostrou que, desde a pandemia, os incumbentes perderam 40 de 54 eleições (74%) em democracias ocidentais analisadas. O próprio Bolsonaro original perdeu uma.

Vamos descobrir nas próximas semanas se Lula, que já deu improváveis voltas por cima, conseguirá uma nova façanha ou se vai encerrar sua carreira perdendo para "o pior dos Bolsonaros".

 

 

Um comentário:

  1. Você é muito parcial hein meu amigo Jornalista, aliás se não fosse o apoio incondicional da imprensa Tradicional ao projeto ditatorial do Lula e do STF nada disso teria acontecido
    E agora fica com essas lamúrias e rogando praga pro Bolsonaro, a pior desgraça que poderia acontecer com o Brasil foi ser governado por essa quadrilha que todos estavam presos condenados por corrupção lavagem de dinheiro e formação de quadrilha estão hoje governando o Brasil para a nossa tristeza e pesar
    Mas a noite escura está chegando ao fim os raios da liberdade estão entrando em nosso lar novamente
    Viva a liberdade caraca!!

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