sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Chefe da economia vai segurar a ‘boiada’? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Flávio ainda não anunciou seu ministro da Fazenda; mercado parece não se importar

Às vésperas do segundo turno, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, favorito para vencer o pleito, ainda não anunciou seu ministro da Fazenda. Não quer provocar atrito entre seus auxiliares.

O mercado parece não se importar. Já iniciou um rally de alta confiando em promessas de austeridade, na boa equipe técnica que cerca o candidato e na base parlamentar confortável feita no Congresso.

O PL terá maioria na Câmara e no Senado e, com apoio de partidos do Centrão, poderá aprovar o que Flávio quiser.

Se Lula estivesse na frente, certamente o mercado estaria demandando o nome do novo ministro da Fazenda.

Mas o comandante da economia não pode ser só grife. Tem de ter capacidade para definir a agenda e habilidade política para implementá-la.

O Brasil precisa de cortes de gastos expressivos com os quais o candidato ainda não se comprometeu. O diagnóstico está pronto, mas ninguém sabe se a vontade política está presente. 2027 vai ser um ano de muitos desafios na questão fiscal.

Flávio vai empoderar seu ministro da Fazenda o suficiente para realizar uma nova reforma da Previdência? Vai desindexar o salário mínimo? Vai mexer nos pisos de Saúde e Educação? Até aqui seu programa de governo só tem medidas cosméticas de cortes de ministérios.

Será que o presidente vai deixar seu ministro segurar os pedidos de ajuda que virão dos Estados? Muitos governadores estão se empenhando em sua eleição; Flávio terá dívidas políticas para pagar.

Bancadas importantes da Câmara e do Senado também terão demandas de gastos, como o perdão da dívida dos agricultores, uma bandeira importante da Frente Parlamentar da Agropecuária, que já anunciou apoio a Flávio.

Ainda é necessário entender se Flávio compreendeu que o mundo mudou em questões sensíveis ao bolsonarismo: política externa e agenda ambiental. Não dá mais para “passar a boiada” no meio ambiente sem repercussões contra produtos brasileiros, particularmente da União Europeia, mas também de outras regiões do mundo.

Também não é possível, num mundo polarizado entre China e Estados Unidos, se alinhar automaticamente ao presidente americano, Donald Trump, e ignorar o líder chinês, Xi Jinping. Se isso acontecer, qual será a repercussão para os produtos do agronegócio brasileiro?

No governo de Jair Bolsonaro, o economista Paulo Guedes chegou com força de “superministro” e foi, aos poucos, sendo deixado de escanteio. Sem apoio do presidente, qualquer que seja o nome que Flávio indique para a Fazenda, pode acontecer o mesmo.

Flávio ainda não anunciou seu ministro da Fazenda; mercado parece

 

5 comentários:

  1. Só otário acredita nas palavras mentirosas do Flávio.

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  2. Lembro-me do Meirelles. O que foi feito dele? Sumiu-se.

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  3. Quem acredita no Lula é o que?

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  4. Paspalho de botequim

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