O Globo
Neste primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, e quase 6 milhões não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis
A mais imprevisível das eleições presidenciais depois da redemocratização chega a seu final com uma estranha perspectiva: o vencedor precisa convencer os que não foram no primeiro turno a votar agora, mas sobretudo a votar nele, e não no adversário. Tarefa mais árdua para Lula, que precisa não apenas empatar com Flávio Bolsonaro, mas ultrapassá-lo na reta final. A penúltima pesquisa Quaest, divulgada ontem, foi boa para Lula. Ele não apenas reduziu a diferença para o adversário, como conseguiu melhorar a percepção dos eleitores sobre seu governo. Na nossa História recente, ninguém que fechou o primeiro turno atrás na corrida presidencial conseguiu reverter o resultado.
O motivo é o que o sociólogo Felipe Nunes, da
Quaest, chama de “alienação eleitoral” — a soma do número de abstenções e dos
nulos e brancos. Ela precisa ser reduzida para que o candidato supere o
concorrente, principalmente quando os votos consolidados estão acima de 90%
para os dois lados. Quem ficou mais perto de sofrer uma reversão de quadro no
segundo turno foi a então presidente Dilma Rousseff, na luta pela reeleição em
2014. Ela venceu Aécio Neves no primeiro turno, mas apareceu em segundo lugar
nas pesquisas do segundo. A alienação eleitoral naquela eleição caiu mais de 1
ponto, permitindo a virada da Dilma.
Neste primeiro turno, mais de 33 milhões de
eleitores não compareceram às urnas, e quase 6 milhões não escolheram nenhum
dos candidatos disponíveis. São quase 40 milhões de eleitores “alienados”, que
provavelmente ficaram ainda mais “alienados” depois do debate da Band. A Quaest
constatou aumento no número de indecisos, demonstrando que nenhum dos dois
candidatos agradou ao eleitorado. Mas a semana foi melhor para Lula num ponto
específico: Bolsa Família. Além de o dinheiro ter sido antecipado e pago antes da
eleição, houve uma frase malfeita da assessora econômica de Flávio, dando a
entender que poderia haver interrupção do programa depois de dois anos — ela já
existe, não é novidade.
É comum na política que uma palavra mal
colocada dê margem a muita manipulação dos adversários. Exemplo famoso são os
“marmiteiros”, expressão que derrotou o brigadeiro Eduardo Gomes. Ele dissera
num discurso que não precisava dos votos “da malta” que apoiava Dutra, seu
adversário. O empresário Hugo Borghi foi ao dicionário e descobriu que um dos
significados de “malta” eram os operários que levavam marmita ao trabalho. Daí
a “malta” do brigadeiro, que significava grupo, passou a significar os pobres
que comiam de marmita.
Também nesta última semana, a capacidade de
disputa de Lula melhorou, com uma campanha mais agressiva e ativa. A vantagem
de Flávio diminuiu para apenas 1 ponto percentual. A transferência de votos dos
outros candidatos derrotados no primeiro turno foi mais equilibrada do que se
supunha, contribuindo para melhorar a situação de Lula. Os dois precisam
aproveitar o debate da Globo de amanhã para recuperar votos ou consolidar a
vantagem, no caso de Flávio. Para isso, Flávio terá de calibrar a mira, porque
em alguns momentos no debate da Band passou um pouco do limite, e o público
notou.
Ninguém queria dizer que o presidente é um
idoso, mas, depois das ironias de Flávio, a diferença de idade, a favor dele,
pode virar contra, se exagerar e abusar dessa possível vantagem para tentar
menosprezar Lula. O presidente não é um candidato desprezível, embora os
resultados de seu governo sejam medíocres, como demonstram as pesquisas, na
percepção dos eleitores. Lula, em contrapartida, não se impôs diante de Flávio,
impedindo-o, pela senioridade, de praticar ações de menosprezo num debate dessa
importância. A cafajestagem de Donald Trump não é bem-vista no Brasil.

Tanta complacência com Lula Tadinho , o malvadão do Flavio menosprezando esse político que no fundo como diz a Roberta é um mentiroso , um cafajeste , um mau caráter que está ludibriando essa nação e mantendo ela na pobreza pra dominar-la , com as migalhas e Bondade eleitoreiras, vale gás bolsas família , pé de meia e outros
ResponderExcluirO Lula está querendo quarto mandato e até hoje nada fez e tudo prometeu, ninguém mais acredita no Lulao povo cansou , quer mudança
Água de morro abaixo , fogo de morro acima e o povo quando quer mudar ninguém segura