O Globo
Em uma campanha tão empatada a três dias da
eleição, o debate da TV ganha ainda mais importância e pode ser determinante
Faltam três dias para a eleição e ela ainda está indefinida. Há números até desconcertantes, como o aumento dos indecisos na pesquisa espontânea entre a primeira e a segunda rodada da Quaest no segundo turno. Flávio Bolsonaro continua numericamente na frente, mas agora com apenas um ponto. Está com 52% de rejeição, um número que sempre foi considerado impeditivo para qualquer pessoa ser eleita presidente da República. Há dados bons para o presidente Lula como a queda de rejeição para 47%, e a melhora, ainda que lenta, de avaliação do governo. Contudo, o candidato à reeleição ainda não teve a virada numérica com a qual contava depois de todas as manifestações. Tudo torna o debate de amanhã ainda mais importante.
O país entra nestes dias finais com um alto
grau de mobilização dos militantes dos dois lados, o que é uma boa notícia,
quando se compara com o morno e aflitivo primeiro turno, em que os conflitos no
Supremo Tribunal Federal pareciam ser mais importantes do que a disputa para o
Executivo. Ao mesmo tempo, o aumento de indecisos na espontânea de 7% para 14%
é um ineditismo. Entre mulheres, essa dúvida subiu em uma semana de 8% para
17%. E os dois candidatos perderam apoio nesse segmento. O eleitorado feminino
pode ter reagido ao ambiente bélico no debate da Band, em que faltaram
propostas e sobraram ofensas. Entre os pretos, o percentual de indecisos aumentou
de 12% para 23%.
Houve outras alterações interessantes. Entre
os mais jovens, de 16 a 34 anos, havia empate numérico entre os dois, 44% a
44%. Neste levantamento, Lula oscilou para baixo e Flávio subiu. O candidato do
PL tem oito pontos de diferença. Em compensação, entre as pessoas de 35 a 59
anos, Lula conseguiu reduzir a diferença de sete pontos para um ponto. Caiu o
medo de Lula entre pessoas com ensino superior e com renda acima de cinco
salários mínimos. Mudanças assim salpicadas, permitiram essa aproximação. Nesta
pesquisa, um ponto percentual separa Lula de Flávio Bolsonaro.
O que houve até agora foi uma mudança de
temperatura da campanha petista. Se nos últimos anos, a capacidade de levar
eleitores para a rua parecia ser muito superior entre os bolsonaristas, a esquerda
se manifestou com mais desenvoltura. A campanha digital que desde 2018 parecia
ser dominada pela extrema direita, passou a ser um território em disputa.
Nos últimos dias, as evidências das ligações
estranhas entre o candidato do PL Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz
aumentaram. Ele é uma pessoa extremamente controversa, para dizer o mínimo.
Investigado pelos desvios do INSS, já havia sido preso na operação Greenfield.
É o maior apostador em bets, com movimentações que chegam a bilhões, dono de empresas
no exterior de atividade nebulosa, contas compartilhadas com o senador, e
parcerias com Daniel
Vorcaro. O problema de todas essas suspeitas é que, se Flávio Bolsonaro for
eleito presidente da República, as investigações sobre ele terão que ser
interrompidas.
Na economia, agravam-se os riscos fiscais com
a intensificação das sequências de bondades oferecidas pelos dois lados. Se o
presidente Lula tem usado a caneta para anunciar medidas as mais variadas, que
têm em comum o expansionismo fiscal, Flávio Bolsonaro não quis ficar atrás. A
última do candidato do PL foi a promessa da volta do Perse. O programa de apoio
ao setor cultural e de eventos na pandemia foi encerrado pelo governo Lula,
quando as projeções indicavam que o gasto atingiria R$ 60 bilhões. A soma das
bondades de lado a lado levam a um único resultado: aumento do risco fiscal do
país em 2027.
Como se tudo isso fosse pouca confusão, o
ministro André
Mendonça chegou a preparar uma resolução que retiraria do ar, 48 horas
antes da eleição, os canais de comunicação que usam aplicativos de mensagens.
Isso depois de o Exército de Lula, canal criado e gerenciado pelo deputado André Janones,
chegar a 7 milhões de participantes, superando em três vezes os que integram as
fileiras da Tropa de Flávio. Diante das pressões, o TSE
recuou.
Nesse ambiente tenso e intenso, o debate da
TV Globo amanhã torna-se ainda mais importante. Os candidatos terão que falar
de propostas para o futuro do país, o que mais faltou nessa tumultuada campanha
presidencial. Será a oportunidade para que os candidatos reduzam as dúvidas dos
indecisos e tentem diminuir a alienação eleitoral. Isso definirá a eleição.

Lula achou que venceria no primeiro turno. Está desgastado para o cargo, foi arrogante, se aliou ao moraes e cometeu um erros diretos. Apelou no final com irresponsabilidades fiscais e fake news, foi atrás de um agressor de mulher, janones. O fato e hoje Flávio e oo favorito. Luiz Roberto
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