Guinada aparece em materiais que a campanha passou a distribuir, com propostas mais rígidas no enfrentamento à criminalidade
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) endureceu o discurso sobre segurança pública às vésperas do
primeiro turno, numa tentativa de atrair indecisos e o eleitor de centro e de
desgastar o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), adversário do petista na disputa pela Presidência.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou que a violência é a principal
preocupação dos eleitores, com 33% de menções.
A guinada aparece em materiais que a campanha
passou a distribuir, como uma lista com 13 propostas por "mais firmeza
contra o crime". Uma delas endurece regras para a liberação de presos por
crimes violentos após audiência de custódia, numa mudança de tom em relação ao
que a esquerda defende historicamente. O conteúdo também defende mais câmeras
corporais em policiais, ampliação do programa Celular Seguro e construção de
novos presídios federais, entre outros pontos.
Além disso, foi divulgado um vídeo que apresenta tom mais duro no combate à criminalidade, ao mostrar quatro homens atrás das grades e falar em "quatro inimigos" que precisam ser vencidos: "Os traficantes, os agressores de mulheres, os ladrões de celular e os magnatas do crime". Outra peça no horário eleitoral mostra uma mulher caminhando pela rua acompanhada do filho, desviando de munições e exibindo a frase "a família Bolsonaro deixou o Brasil mais violento" para criticar a flexibilização da política armamentista implementada no governo passado.
— Não podemos ter discurso leniente.
Precisamos afastar do convívio social todos que agem com extrema violência. Mas
não é o discurso raso de que bandido bom é bandido morto. O presidente sabe que
o combate tem que ser firme, mas isso não vai ser feito com violência — disse
ao GLOBO o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, que foi
designado para ser um dos porta-vozes da campanha na área.
A nova forma de tratar o tema já vinha sendo
testada por Lula desde o início do ano, mas o movimento ganhou impulso diante
do acirramento da disputa com Flávio, que acusa Lula e o PT de compactuarem com
a criminalidade. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda mostra Lula com 39% no
primeiro turno, contra 34% de Flávio. Na segunda
fase da disputa, os dois têm 42% dos votos.
Tradicionalmente com dificuldades nesse
debate, a esquerda é criticada pelos adversários pela dificuldade em apresentar
resultados concretos para a segurança pública. A gestão Lula 3 é alvo de
queixas inclusive internamente por não apresentar marcas para a agenda. Na
campanha, o presidente voltou a prometer a criação de um ministério específico
para a Segurança Pública, o que já havia defendido em 2022 e não se
concretizou.
O Palácio do Planalto insistiu na aprovação
de dois projetos — o antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da
Segurança Pública — e adotou a defesa do combate ao crime organizado pelo
"andar de cima", além de reforçar o discurso e intensificar ações do
governo para combater o feminicídio no Brasil.
Fala na ONU
A segurança também virou tópico de política
externa no governo com a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro
Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Na
avaliação da gestão petista, isso abre brecha para interferência externa no
território nacional. O tema foi uma das pautas do discurso de Lula na abertura
da Assembleia Geral da ONU na semana passada:
— Estamos preparados para enfrentar as organizações
criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados. Mães
perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão
cansadas da violência.
Pesquisas qualitativas da campanha de Lula
apontaram que o eleitor se identifica com o discurso de combate à violência de
Flávio, mas não necessariamente avalia que ele é capacitado para resolver o
problema. Por isso, um vídeo divulgado pelo comitê petista levanta dúvidas
sobre a condução dele no combate ao crime organizado num eventual governo, ao
citar supostas ligações com a milícia: "Como alguém ligado a criminosos
vai combater o crime?", diz o narrador na peça.
A conexão é feita porque Flávio, quando foi
deputado estadual no Rio, prestou em 2003 uma homenagem ao então policial
militar Adriano da Nóbrega, que depois se tornou integrante do grupo
"Escritório do Crime". O presidenciável do PL já afirmou que a ação
ocorreu quando Nóbrega era um policial reconhecido e não havia nada contra ele
na época. Como mostrou O GLOBO em maio, a Polícia Federal também apura o envio
de emendas a uma organização não-governamental (ONG) suspeita de ter ligações
com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo assassinato da
vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Flávio afirmou na
ocasião que não é seu papel auditar como as emendas são usadas depois de
repassadas.
Benedito Mariano, ex-ouvidor da Polícia do
Estado de São Paulo e coordenador do programa de segurança pública de Lula em
2022, diz que o combate ao crime organizado deve ser uma "agenda
estratégica" num eventual quarto mandato do petista.
— O crime organizado é uma pauta fundamental
para o governo, pois se espalhou em todos os estados. Isso já tem se
materializado a partir da PEC da Segurança e do projeto antifacção — afirma.
Ainda nesse esforço, o Ministério da Justiça
está na fase final de elaboração de um decreto que regulamenta a criação de um
banco nacional com informações sobre empresas e pessoas físicas ligadas a
facções criminosas, grupos paramilitares ou milícias privadas, o que está
previsto na lei antifacção. A minuta que está em debate afirma que o mecanismo
vai subsidiar "atividades de inteligência voltadas à prevenção, ao
monitoramento e ao enfrentamento" dessas organizações.

a gente sabe que é tudo demagogia eleitora de última hora 20 anos no poder o PT só fez a criminalidade crescer as facções criminosas se fortalecendo dentro e fora dos presídios a ponto de hoje serem consideradas terroristas pelo seu alcance internacional e atividades violentas e terrorista para a população Já 25 por cento hoje dos brasileiros vivem sob domínio das facções em seus locais de moradia
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