terça-feira, 6 de outubro de 2026

Lula revê estratégia para recuperar eleitores

Valor Econômico, por Sofia Aguiar, Lucas Borges Teixeira, Cristiane Agostinee Lu Aiko Otta

Decepcionado com o resultado do primeiro turno, o “day after” da contagem dos votos serviu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dar início a um freio de arrumação de olho na reeleição. Uma das principais preocupações da campanha é rever as estratégias para recuperar eleitores de São Paulo, Minas Gerais e dos Estados da região Nordeste, com o objetivo de melhorar o desempenho do petista. Em outra frente, a comunicação da campanha é pressionada a mudar e é vista como uma das responsáveis pela performance aquém do esperado nas urnas no domingo (4).

Com o intuito de renovar a estratégia para os próximos 20 dias, Lula realizou, na segunda-feira (5), reuniões com o grupo político de seu governo e candidatos derrotados, vitoriosos e que ainda concorrem ao segundo turno, além de integrantes do núcleo duro da campanha.

Em um dos encontros, o presidente admitiu que precisa falar mais e fazer mais mobilização. Segundo ele, é preciso “fazer mais rádio, mais selfie, conversar mais e arrumar tempo para fazer campanha”. Nesse sentido, afirmou que é importante participar dos debates nesta segunda etapa - o que não fez no primeiro turno - “porque é tête-à-tête”, em referência a um embate direto com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que conquistou mais votos que o petista nas urnas.

De acordo com Lula, um dos focos será trabalhar para reverter a alta abstenção da primeira etapa da eleição, e apontou que houve um prejuízo por estar “carregando nas costas a promiscuidade que ficou estabelecida” no Supremo Tribunal Federal (STF).

Também disse que, nos próximo dias, “teremos que colocar para fora o que deveríamos ter colocado no ano inteiro, o que está por trás da eleição”. Em uma das frentes, ele explorou o discurso do medo e disse que seu adversário pode acabar com as políticas sociais.

Auxiliares do presidente responsabilizam a comunicação pelo resultado do primeiro turno. Eles afirmam que Lula demorou muito para entrar nos assuntos que se relacionam com o cidadão e “perdeu muito tempo” tratando de pautas de difícil entendimento, como terras raras e soberania. Eles voltam a citar que, enquanto isso, Flávio insistia no preço dos alimentos.

As críticas ao ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, e ao marqueteiro Raul Rabelo não foram poupadas. Segundo pessoas envolvidas com a campanha, coube aos dois insistir nesse tom, programando um debate “mais republicano”, sem tantos ataques ao adversário.

Muitos já vinham dizendo que a campanha tinha “fé” de que tudo “daria certo” e demorava por articular e até fazer o uso da máquina. Eles citam, por exemplo, que o reajuste do Bolsa Família, feito a 17 dias da eleição, só terá efeito prático para o segundo turno, dado que o primeiro pagamento será feito no dia 19 de outubro. Se era para entrar neste atrito, recebendo críticas pelo impacto fiscal das medidas, que o fizesse com tempo o bastante para colher os louros antes, argumentam.

Para essa segunda fase, o governo estuda o que pode ser adotado, visando atingir parte do eleitorado, e a área econômica do governo federal está em compasso de espera quanto à estratégia que será adotada. Segundo fontes, é possível correr e lançar novas “bondades”, se assim for decidido. Por ora, no entanto, não há nenhuma medida pronta para ser lançada.

Aliados de Lula passaram a citar o nome de Alckmin como um possível ministro da Fazenda

Há dúvidas, contudo, se o anúncio de novas ações, a essa altura da disputa, produzirá o ganho de votos de que Lula necessita. Além do Bolsa Família, o Desenrola 3.0 só deve ser colocado na rua em novembro, com os contratos de renegociação sendo assinados somente em janeiro.

Para além da estratégia de comunicação, outra das principais frentes de atuação será a de reconquistar votos de Lula que foram perdidos no domingo. Nesse desenho, aparecem São Paulo e Minas Gerais - maiores colégios eleitorais do país - e a região Nordeste, onde o presidente costuma ter melhor desempenho.

No Nordeste, um dos objetivos será conseguir o apoio daqueles que não votaram no primeiro turno, especialmente dos eleitores mais pobres que se abstiveram. Assim como em 2022, Lula venceu nos nove Estados, com mais de 50% dos votos, mas teve uma votação inferior em relação à disputa passada, no primeiro turno. Mesmo nos três Estados em que o governador é do PT e foi reeleito domingo (Bahia, Ceará e Piauí), Lula teve menos votos.

Nos diretórios petistas, há uma cobrança por mais material de campanha e estrutura para divulgação da candidatura de Lula. No primeiro turno, a propaganda de Lula foi basicamente produzida pelas equipes estaduais, do governador e dos candidatos a deputados e ao Senado.

Em outra frente, no Sudeste, a equipe petista já trabalhava com uma derrota no primeiro turno em São Paulo, mas não esperava um cenário tão adverso. O petista teve 1,7 milhão de votos a menos do que recebeu em 2022. Já em Minas, a expectativa era, ao menos, levar a disputa para o segundo turno, o que não aconteceu. Lula perdeu 600 mil votos no Estado.

Diante desse cenário, em São Paulo, a aposta é aumentar a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e explorar sua interlocução com diferentes grupos políticos para ampliar os apoios à chapa. A estratégia remete à adotada em 2022, quando economistas declararam apoio a Lula. Aliados do petista passaram a citar o nome de Alckmin como um possível ministro da Fazenda, se o presidente for reeleito, em aceno ao mercado.

Agora, porém, a intenção é que Alckmin, além de ampliar sua presença no Estado, algo que já ocorreu no primeiro turno, adote um discurso mais incisivo e faça críticas mais diretas a Flávio.

Entre os desafios da campanha para ampliar a votação nesses Estados está manter a base mobilizada e convencer o eleitor a ir votar no segundo turno. Dos nove Estados do Nordeste, oito resolveram a eleição para governador domingo. No Sudeste, tanto as disputas ao governo de São Paulo quanto Minas também acabaram com derrotas dos candidatos do PT.

3 comentários:

  1. Já era , acabou , O Fim, terminou finito!
    Lula vai pra casa depois de quatro décadas enchendo nosso saco mentindo e enganando o povo levando miséria , violência e ignorância para nossa nação

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  2. Eu Lula, está passando da hora de você aposentar e dar lugar para gente nova. Precisamos de renovação e não de velharia, fora de moda e cansativa.

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  3. Já era velho

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