Valor Econômico, por Sofia Aguiar, Lucas Borges Teixeira, Cristiane Agostinee Lu Aiko Otta
Decepcionado com o resultado do primeiro
turno, o “day after” da contagem dos votos serviu para o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) dar início a um freio de arrumação de olho na reeleição. Uma
das principais preocupações da campanha é rever as estratégias para recuperar
eleitores de São Paulo, Minas Gerais e dos Estados da região Nordeste, com o
objetivo de melhorar o desempenho do petista. Em outra frente, a comunicação da
campanha é pressionada a mudar e é vista como uma das responsáveis pela
performance aquém do esperado nas urnas no domingo (4).
Com o intuito de renovar a estratégia para os
próximos 20 dias, Lula realizou, na segunda-feira (5), reuniões com o grupo
político de seu governo e candidatos derrotados, vitoriosos e que ainda
concorrem ao segundo turno, além de integrantes do núcleo duro da campanha.
Em um dos encontros, o presidente admitiu que precisa falar mais e fazer mais mobilização. Segundo ele, é preciso “fazer mais rádio, mais selfie, conversar mais e arrumar tempo para fazer campanha”. Nesse sentido, afirmou que é importante participar dos debates nesta segunda etapa - o que não fez no primeiro turno - “porque é tête-à-tête”, em referência a um embate direto com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que conquistou mais votos que o petista nas urnas.
De acordo com Lula, um dos focos será trabalhar
para reverter a alta abstenção da primeira etapa da eleição, e apontou que
houve um prejuízo por estar “carregando nas costas a promiscuidade que ficou
estabelecida” no Supremo Tribunal Federal (STF).
Também disse que, nos próximo dias, “teremos
que colocar para fora o que deveríamos ter colocado no ano inteiro, o que está
por trás da eleição”. Em uma das frentes, ele explorou o discurso do medo e
disse que seu adversário pode acabar com as políticas sociais.
Auxiliares do presidente responsabilizam a
comunicação pelo resultado do primeiro turno. Eles afirmam que Lula demorou
muito para entrar nos assuntos que se relacionam com o cidadão e “perdeu muito
tempo” tratando de pautas de difícil entendimento, como terras raras e
soberania. Eles voltam a citar que, enquanto isso, Flávio insistia no preço dos
alimentos.
As críticas ao ministro da Secretaria de
Comunicação (Secom), Sidônio Palmeira, e ao marqueteiro Raul Rabelo não foram
poupadas. Segundo pessoas envolvidas com a campanha, coube aos dois insistir
nesse tom, programando um debate “mais republicano”, sem tantos ataques ao
adversário.
Muitos já vinham dizendo que a campanha tinha
“fé” de que tudo “daria certo” e demorava por articular e até fazer o uso da
máquina. Eles citam, por exemplo, que o reajuste do Bolsa Família, feito a 17
dias da eleição, só terá efeito prático para o segundo turno, dado que o
primeiro pagamento será feito no dia 19 de outubro. Se era para entrar neste
atrito, recebendo críticas pelo impacto fiscal das medidas, que o fizesse com
tempo o bastante para colher os louros antes, argumentam.
Para essa segunda fase, o governo estuda o
que pode ser adotado, visando atingir parte do eleitorado, e a área econômica
do governo federal está em compasso de espera quanto à estratégia que será
adotada. Segundo fontes, é possível correr e lançar novas “bondades”, se assim
for decidido. Por ora, no entanto, não há nenhuma medida pronta para ser
lançada.
Aliados de Lula passaram a citar o nome de
Alckmin como um possível ministro da Fazenda
Há dúvidas, contudo, se o anúncio de novas
ações, a essa altura da disputa, produzirá o ganho de votos de que Lula
necessita. Além do Bolsa Família, o Desenrola 3.0 só deve ser colocado na rua
em novembro, com os contratos de renegociação sendo assinados somente em
janeiro.
Para além da estratégia de comunicação, outra
das principais frentes de atuação será a de reconquistar votos de Lula que
foram perdidos no domingo. Nesse desenho, aparecem São Paulo e Minas Gerais -
maiores colégios eleitorais do país - e a região Nordeste, onde o presidente
costuma ter melhor desempenho.
No Nordeste, um dos objetivos será conseguir
o apoio daqueles que não votaram no primeiro turno, especialmente dos eleitores
mais pobres que se abstiveram. Assim como em 2022, Lula venceu nos nove
Estados, com mais de 50% dos votos, mas teve uma votação inferior em relação à
disputa passada, no primeiro turno. Mesmo nos três Estados em que o governador
é do PT e foi reeleito domingo (Bahia, Ceará e Piauí), Lula teve menos votos.
Nos diretórios petistas, há uma cobrança por
mais material de campanha e estrutura para divulgação da candidatura de Lula.
No primeiro turno, a propaganda de Lula foi basicamente produzida pelas equipes
estaduais, do governador e dos candidatos a deputados e ao Senado.
Em outra frente, no Sudeste, a equipe petista
já trabalhava com uma derrota no primeiro turno em São Paulo, mas não esperava
um cenário tão adverso. O petista teve 1,7 milhão de votos a menos do que
recebeu em 2022. Já em Minas, a expectativa era, ao menos, levar a disputa para
o segundo turno, o que não aconteceu. Lula perdeu 600 mil votos no Estado.
Diante desse cenário, em São Paulo, a aposta
é aumentar a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e explorar
sua interlocução com diferentes grupos políticos para ampliar os apoios à
chapa. A estratégia remete à adotada em 2022, quando economistas declararam
apoio a Lula. Aliados do petista passaram a citar o nome de Alckmin como um
possível ministro da Fazenda, se o presidente for reeleito, em aceno ao
mercado.
Agora, porém, a intenção é que Alckmin, além
de ampliar sua presença no Estado, algo que já ocorreu no primeiro turno, adote
um discurso mais incisivo e faça críticas mais diretas a Flávio.
Entre os desafios da campanha para ampliar a votação
nesses Estados está manter a base mobilizada e convencer o eleitor a ir votar
no segundo turno. Dos nove Estados do Nordeste, oito resolveram a eleição para
governador domingo. No Sudeste, tanto as disputas ao governo de São Paulo
quanto Minas também acabaram com derrotas dos candidatos do PT.

3 comentários:
Já era , acabou , O Fim, terminou finito!
Lula vai pra casa depois de quatro décadas enchendo nosso saco mentindo e enganando o povo levando miséria , violência e ignorância para nossa nação
Eu Lula, está passando da hora de você aposentar e dar lugar para gente nova. Precisamos de renovação e não de velharia, fora de moda e cansativa.
Já era velho
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