Que Deus? Que pátria? Que família?
Por CartaCapital
Flávio Bolsonaro é uma fake news ambulante
Em meio à guerra santa que ameaça o posto de
Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, Flávio Bolsonaro, sem
esconder o constrangimento, ergueu uma santa de crochê à maneira de um capitão
de time de várzea que empunha uma taça de latão. Caso Robin, o parceiro do
Batman naquele seriado de tevê dos anos 60 do século passado, assistisse a esse
momento de devoção, não titubearia: “Santa hipocrisia”.
A controvérsia em torno da patrona, da imagem negra recolhida de um rio por pescadores, não deixou de produzir um milagre. O esforço do chamado jornalismo profissional em provar que alguns fatos compunham uma fake news, a ponto de colocar em dúvida o trabalho de uma das mais competentes jornalistas, Maria Cristina Fernandes, se assemelha a um épico bíblico. A água se converteu em vinho.
Lembremos os fatos: a jornalista apenas, e
tão somente, informou o incômodo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
com uma ala evangélica ligada umbilicalmente ao senador que defende o
“rebaixamento” da santa. Como se sabe, os protestantes sempre criticaram a
adoração de imagens. A preocupação da CNBB tem razão de ser. Desde 2018, aponta
um relatório da Comissão de Justiça e Paz, foram registrados 58 episódios de
ataques a católicos. Victório Galli, ex-deputado e ex-assessor da Presidência
da República no governo de Jair Bolsonaro, propôs um projeto, rejeitado na
Câmara, para mudar o status de Nossa Senhora para “padroeira dos brasileiros
católicos apostólicos romanos”. O pastor JB Carvalho, responsável pelo batismo
de Flávio Bolsonaro, considera inconstitucional o título da santa estabelecido
por uma lei de 1980. E o presidenciável afirmou que, na eventualidade de ser
eleito, decretará, como primeiro ato, “que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”
(supomos que o segundo será assinar a anistia ao pai, condenado por tentativa
de golpe).
Em geral, onde há fumaça há fogo, mas os
meios de comunicação, em uma cruzada, se empenharam em desqualificar esse
conjunto de evidências por meio de editoriais, artigos e “reportagens”. Faltam
registros de veemência semelhante quando mentiras comprovadas – e não análises
plausíveis − contra candidatos progressistas, de qualquer época, influíram na
dinâmica eleitoral. Mais. Não foram raros os momentos em que a mídia foi o
centro irradiador ou a caixa de ressonância da desinformação. Mas nunca é tarde
para a remissão dos pecados.
Apesar da condescendência, Flávio Bolsonaro
não passa de uma caricatura. O carola no expediente comercial vira um
endiabrado entre quatro paredes, conforme as revelações de Alexandre Santini,
seu ex-sócio na fantástica loja de chocolates, a mais lucrativa franquia da
Kopenhagen, especializada em movimentar dinheiro vivo. Diante das “encomendas”
– e nem vieram à tona detalhes das festas de Daniel Vorcaro em Trancoso −,
pode-se dizer que o presidenciável tem um conceito amplo de família. Sempre
cabe mais uma.
O filho 01 encarna, por fim, um paradoxo
consolidado sob a égide do bolsonarismo: o patriota entreguista. Flávio não
concorre ao cargo de presidente do Brasil. Sua ambição, captada pela foto da
visita à Casa Branca, é arrumar um bico de mordomo de Trump.
No domingo 4, os eleitores terão a chance de
afastar a tentação.
Publicado na edição n° 1433 de CartaCapital, em 07 de outubro de 2026.
Escassez de propostas
Por Revista Veja
Polêmica sobre Nossa Senhora é mais um exemplo do baixo nível da atual campanha eleitoral
Parece não haver milagre capaz de afastar da
política nacional a mistura com assuntos religiosos. O Estado laico, garantido
pela Carta de 1988, muitas vezes parece soar como letra morta na nossa
Constituição. O culto a Nossa Senhora Aparecida é usado com frequência para
promover essa indevida confusão, nos mais diferentes períodos da história
nacional. No Império, por exemplo, a princesa Isabel visitou a cidade de
Aparecida, no interior paulista, e ofereceu à imagem uma coroa de ouro e
diamante. Em 1930, a adoração recebeu o aval definitivo do papa Pio XI, que a
declarou padroeira do Brasil. Getúlio Vargas, chefe do governo provisório que
depôs a República Velha, acompanhou a cerimônia e participou das celebrações.
Foi na ditadura militar que 12 de outubro virou oficialmente o feriado da
santa. A atual campanha eleitoral acaba de acrescentar um novo capítulo a essa
história.
A polêmica começou quando uma jornalista comentou em um programa recente da GloboNews que grupos católicos estavam preocupados com uma movimentação evangélica para elaborar um projeto de lei com o objetivo de tirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil. O caso logo ganhou repercussão, com a campanha de Lula e os principais aliados petistas atribuindo o suposto movimento a aliados religiosos do rival Flávio Bolsonaro. A emissora se retratou na sequência, pedindo desculpas pelo erro e informando que havia uma proposta nessa direção em dezembro de 2007, mas que acabou sendo arquivada pela Câmara em agosto de 2008. “Posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim”, disse o candidato do PL em podcast católico. O assunto deu início também a um novo conflito entre o TSE e o STF, com base em decisões sobre a retirada e manutenção desse tipo de conteúdo nas redes sociais.
O fato de Nossa Senhora ter virado a santa da polarização é mais um exemplo do baixo nível da atual campanha, que parece ainda pior do que as anteriores. A poucos dias das eleições, Lula e Flávio gastaram boa parte do tempo batendo boca a respeito de um assunto desmentido pelo próprio veículo que o divulgou. Ao longo dos últimos meses, devido a outras polêmicas, pouco se discutiram com a necessária seriedade e profundidade temas importantes como a dívida pública, o baixo nível da educação e ideias efetivas para combater facções do crime organizado como PCC e Comando Vermelho. Salvo uma grande surpresa no próximo dia 4, os dois favoritos devem se enfrentar na rodada final, em tempo ainda para mostrarem que são capazes de falar sobre propostas e projetos para o futuro do país. O Brasil merece um debate melhor.
Orçamentos ligados à Justiça estão fora da
realidade
Por O Globo
Judiciário, Defensoria e Ministério Público
preveem gastos com pessoal acima do permitido por lei
Depois do pagamento de juros da dívida, os
salários do funcionalismo são a segunda maior despesa do governo federal. Ficam
atrás somente dos gastos com Previdência. Como o item tem destaque na planilha
de custos, uma lei aprovada em 2024 como decorrência do novo arcabouço fiscal
determinou uma trava para os aumentos salariais. Se as contas do governo fecham
no vermelho em determinado ano, no seguinte a folha de pagamentos não pode
crescer mais de 0,6% acima da inflação. A determinação já é generosa. Mas a
premissa tem lógica: o funcionalismo deve estar em sintonia com a realidade do
país. Desgraçadamente, o Poder Judiciário, o Ministério Público da União (MPU)
e a Defensoria Pública da União (DPU) pensam de modo diferente.
Como revelou
reportagem do GLOBO, o Orçamento de 2027 prevê gastos com pessoal
acima da trava. No Judiciário, o limite seria de R$ 53,7 bilhões, mas a
previsão é de R$ 55,3 bilhões (diferença de R$ 1,6 bilhão). No MPU, a despesa
extrapola em R$ 291 milhões o teto de R$ 8,2 bilhões e, na DPU, em R$ 74
milhões o limite de R$ 537 milhões. A falta de comprometimento dos organismos
vinculados à Justiça
destoa dos demais Poderes. Executivo e o Legislativo preveem gastos dentro dos
parâmetros estabelecidos pela lei.
Judiciário e MPU abrigam a elite do
funcionalismo, que ganha os maiores salários. De acordo com os dados mais
recentes do Atlas do Estado Brasileiro, do Ipea (2021), a remuneração média no
Judiciário federal é 33% superior à do Legislativo e 73% superior à do
Executivo. A principal causa da distorção são os vencimentos dos juízes, mas
não só. Mesmo os 20% que ganham menos no Judiciário são mais bem remunerados que
servidores públicos em faixas salariais elevadas nos âmbitos municipal e
estadual.
O Supremo Tribunal Federal (STF), responsável
pela proposta orçamentária do Judiciário, não respondeu à contestação da
reportagem do GLOBO. Na tentativa de justificar a previsão de despesa acima do
teto, a DPU disse que a lei de 2024 não estabeleceu como definir a base do
cálculo de gasto com pessoal. Como o Orçamento de 2027 foi feito antes do fim
de 2026, a Defensoria anualizou os pagamentos de março e chegou a um total de
R$ 643,8 milhões, acima do valor estimado pelo governo. Um erro de cálculo de
algumas dezenas de milhões.
A resposta do MPU é a mais reveladora, por
explicar por que o Brasil tem um dos sistemas judiciais mais caros do mundo. A
Procuradoria-Geral da República afirmou que chegou ao total de gastos seguindo
o trecho da lei que permite retirar do cálculo da trava as despesas decorrentes
de decisões judiciais. Quais especificamente? A do STF em 25 de março, quando a
Corte ampliou o teto salarial constitucional de R$ 46,4 mil para R$ 78,9 mil.
Em vez de combater os auxílios de todo tipo, o STF legitimou os famigerados
“penduricalhos”.
A criação de vantagens salariais descabidas,
as manobras facciosas para mantê-las e as decisões judiciais tendenciosas que
as legalizam demonstram o grau de descolamento da realidade na elite do
funcionalismo. Os supersalários da magistratura e do Ministério Público
deveriam ser combatidos mesmo que houvesse folga orçamentária. Com as contas
públicas desarranjadas, precisam ser prioridade.
Soberania é fundamental para Brasil avaliar
cooperação técnica com EUA
Por O Globo
México é exemplo de como recursos americanos
podem ser usados contra o tráfico sem violar princípio essencial
A ampliação da atuação militar dos Estados
Unidos na América Latina tem despertado controvérsia. As ações americanas vêm
na esteira de uma campanha agressiva do presidente Donald Trump, iniciada com o
ataque a embarcações no Caribe acusadas de transportar drogas e amplificada
pela captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Também integra a iniciativa
continental a designação de facções criminosas brasileiras como grupos
“narcoterroristas”.
Em tal contexto, é importante que o Brasil
mantenha a defesa da soberania e do território nacional. Não se pode conceber
uma intervenção semelhante à que ocorreu na Venezuela. Mas isso não significa
que não haja oportunidade de receber apoio técnico no combate a facções
criminosas de atuação internacional. Em entrevista ao Wall Street Journal, o
general americano responsável pelo Comando Sul, Francis Donovan, afirmou que
todas as “opções estão sobre a mesa” para combater o narcotráfico no
continente.
Um exemplo positivo foi o entendimento entre
Trump e a presidente mexicana, a esquerdista Claudia Sheinbaum. Por ter extensa
fronteira com os Estados Unidos e ser base de cartéis de drogas, o México foi
alvo de duras ameaças de Trump. Sheinbaum soube abrir e aproveitar um canal de
comunicação direta com ele. Em fevereiro, forças mexicanas, usando informações
da inteligência americana, deflagraram operações que resultaram na morte de
Nemesio Oseguera Cervantes, “El Mencho”, chefe do Cartel Jalisco Nova Geração —
dentro do princípio de colaboração com soberania, estabelecido por ela e aceito
por Trump.
Outros casos que envolvem maior intervenção
devem servir de alerta para não alargar demais a cooperação. Nos últimos meses,
50 militares e agentes americanos participaram de ações no Equador contra uma
rede de tráfico ligada a um cartel mexicano. Também no Equador, os Estados
Unidos ajudaram no bombardeio a uma base de traficantes. Na Venezuela, houve
participação americana na operação que eliminou o chefe da organização
criminosa Tren de Aragua, também classificada como “narcoterrorista”. O Brasil
deve tomar todo cuidado para não abrir espaço a presença militar em território
nacional.
Isso não significa, contudo, que o país deva
recusar toda ajuda americana no combate ao tráfico, em especial na imensidão da
Amazônia, onde é vital o uso de tecnologia de ponta para rastrear e localizar
rotas e bases criminosas. A situação enseja uma colaboração que envolva troca
de informações, como a já existente entre polícias e Forças
Armadas dos dois países, além de fornecimento de tecnologia e
material. Mas sem participação direta nas ações.
Donovan descreve a possibilidade de uso de drones para mapear redes do tráfico, menciona mais pontos de checagens em fronteiras e scanners em portos — um dos pontos frágeis da vigilância brasileira — e cita tecnologia avançada para monitoramento aquático — que poderia servir também em rios brasileiros. Tudo isso é possível, desde que resguardada a soberania.
Em SP, dúvidas se concentram na corrida ao
Senado
Por Folha de S. Paulo
Datafolha mostra que Tarcísio está perto de
derrotar Haddad no 1º turno da eleição para o governo estadual
Marina e Tebet, as candidatas não petistas de
Lula, e Derrite e André do Prado, do campo bolsonarista, disputam as duas vagas
de senador
A disputa para o cargo de governador de São Paulo
está à beira de ser decidida no primeiro turno, a julgar pela mais recente
pesquisa Datafolha.
Uma segunda rodada, que permitiria mais debate e informação ao eleitor, parece
menos provável.
Em contraste, a eleição para o Senado se
afigura de todo incerta, mas pode-se dizer que o desempenho das candidatas do
governo federal é mais animador do que o de Fernando
Haddad (PT).
Marina Silva
(Rede) e Simone Tebet
(PSB),
do campo governista, mas não do partido de Haddad e Luiz Inácio Lula
da Silva, têm chances de eleição. Em situação
de empate, na prática, disputam as duas cadeiras com Guilherme
Derrite (PP)
e André do
Prado (PL),
associados à situação paulista e à candidatura presidencial de Flávio
Bolsonaro (PL).
O governador Tarcísio de
Freitas (Republicanos)
conta com boa avaliação. Para 47% do eleitorado, seu governo é ótimo ou bom,
enquanto para 21% é ruim ou péssimo. Seus números melhoraram depois do início
da campanha eleitoral. É aprovado por 62% dos entrevistados e desaprovado por
32%; é rejeitado por apenas 29% dos eleitores.
Haddad, por sua vez, tem rejeição de 45%,
próxima da maioria. No primeiro turno, Tarcísio vence por 50% a 33% do total de
votos. Nos válidos,
são 56% a 37%.
A situação parece ainda mais difícil quando
se considera a quantidade de votos que poderia receber de eleitores migrantes.
Além de Tarcísio e de Haddad, os demais candidatos somam não mais do que 8% do
total de votos; os indecisos são apenas 3%. Enfim, em caso de improvável
segundo turno, Tarcísio venceria com 55% dos votos totais, ante 38% de Haddad.
O ex-prefeito de São Paulo até se mostra
competitivo na região metropolitana, onde marca 40% e se aproxima dos 43% do
governador. No interior, entretanto, Tarcísio, mesmo ainda um novato na
política estadual, bate o petista por 57% a 27%.
Ex-ministro da Fazenda e um dos principais
assessores do presidente da República, Haddad não tem bom desempenho mesmo no
eleitorado mais típico do lulismo. Perde para Tarcísio por 45% a 35% entre
aqueles com renda igual ou menor do que dois salários mínimos, por exemplo.
Já as candidatas do governismo ao Senado,
Marina Silva e Simone Tebet, têm desempenho semelhante nas diversas faixas de
renda, votação que, de resto, não discrepa daquela dos demais candidatos na
ponta, Derrite e Prado.
Especula-se qual será a atitude de Tarcísio
em caso de vitória no primeiro turno. Seu nome foi preterido por Jair
Bolsonaro (PL) para a disputa presidencial. Até aqui, não se sabe
se, por estar ocupado pelas obrigações de governo e candidatura, o governador
não parece ter se envolvido de modo entusiasmado na campanha de Flávio.
Uma vitória precoce poderia engajar Tarcísio
na campanha da direita, ou assim esperam os líderes políticos do bolsonarismo.
O que o baixo desemprego esconde
Por Folha de S. Paulo
País gera mais postos de trabalho, mas
informalidade cresce entre empregados do setor privado de 2014 a 2025
A carteira assinada não garante prosperidade,
mas contribui para uma trajetória mais previsível de crescimento profissional
O Brasil atingiu recordes favoráveis no mercado de
trabalho, com mais de
103 milhões de pessoas ocupadas e taxa em torno de 59%, a maior da
série do IBGE
iniciada em 2012. Mas, a despeito do aumento do emprego, a participação das
vagas formais no total ainda deixa a desejar.
O debate público costuma tratar emprego e
formalização como fenômenos quase equivalentes. Não são. Quando se consideram
os empregados no setor privado, exclusive domésticos, a proporção dos com
carteira assinada —basicamente, celetistas— sobre o conjunto dos ocupados caiu
de 40,3%, em 2014, para 38,5% no ano passado.
Já a fatia dos sem carteira subiu de 11,4%
para 13,2% nas mesmas bases de comparação.
É verdade que, quando se levam em conta
também os funcionários públicos, os domésticos e os autônomos, a informalidade
total no mercado caiu no período, situando-se hoje na casa de
ainda muito elevados 37%. Mas os números do setor empresarial são
particularmente relevantes.
A formalidade está associada a maior
produtividade, acesso ao crédito, treinamento contínuo, contribuição
previdenciária e proteção social. Quando o emprego cresce sem que a
formalização acompanhe o movimento, parte dos ganhos econômicos de longo prazo
deixa de aparecer.
Há ainda um efeito menos discutido: a
mobilidade social. A formalidade não garante prosperidade, porém contribui para
uma trajetória mais previsível de crescimento profissional. É por meio dela que
muitos trabalhadores ampliam sua capacidade de investimento em educação e
formação de patrimônio.
Quando a proporção dos empregados sem
carteira assinada é elevada, essas pontes para a ascensão se tornam mais
frágeis.
Deve-se reconhecer que o mercado de trabalho
mudou. Profissionais autônomos, microempreendedores e trabalhadores de
plataformas digitais frequentemente valorizam
flexibilidade e autonomia. Em muitos casos, suas rendas podem
superar as de empregos tradicionais.
Tratar toda informalidade como sinônimo de
precariedade, portanto, seria ignorar transformações relevantes da economia.
Mesmo admitindo isso, os dados indicam que parte importante dos empregos criados surgiu em modalidades com menor proteção social e menor integração aos mecanismos tradicionais de produtividade. O sucesso não deveria ser medido apenas pela quantidade de pessoas trabalhando mas também pela qualidade econômica dessas vagas.
Juízes fazem o diabo para ajudar Lula
Por O Estado de S. Paulo
Ministros do STF e do TSE mandam às favas os
escrúpulos de consciência e tomam decisões que inviabilizam o último debate
presidencial do primeiro turno, do qual o petista não participaria
Já ficou suficientemente claro que há uma
força-tarefa no Poder Judiciário dedicada a ajudar a reeleger o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT). Só isso explica as decisões arbitrárias e esdrúxulas
que os ministros Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Estela
Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomaram para inviabilizar a
realização do último debate presidencial antes do primeiro turno da eleição.
Em política, como já disse a ex-presidente
Dilma Rousseff, faz-se “o diabo” para vencer uma eleição. A novidade agora é
que ministros de tribunais superiores mandaram às favas os escrúpulos de
consciência e decidiram apelar ao Coisa Ruim para facilitar a vida de Lula e
dificultar a de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), interferindo
diretamente na eleição.
Como se sabe, Lula avisou que não iria ao
debate na TV Globo. Conforme as regras assinadas por todos os candidatos,
inclusive Lula, a emissora poderia mostrar o púlpito vazio reservado ao
petista, e os demais candidatos poderiam direcionar perguntas a ele. Mas eis
que o time jurídico de Lula entrou em ação, e a ministra Estela Aranha
prontamente acolheu a demanda, proibindo a TV Globo de mostrar o púlpito vazio
e que os candidatos presentes fizessem perguntas ao ausente. Desse modo, Estela
Aranha rasgou um regulamento com o qual todos haviam concordado.
Só é possível compreender a decisão da
ministra à luz de suas relações próximas com o governo Lula e com o ministro do
STF Flávio Dino, fiel escudeiro do presidente no Supremo e que também está
ativamente trabalhando pela campanha petista. Não é papel de uma juíza
eleitoral poupar um candidato do desgaste político de se ausentar de um debate
por livre e espontânea vontade, muito menos ditar o que um veículo de
comunicação pode ou não exibir. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e
Televisão deu à coisa o nome que ela tem: “Uma agressão à liberdade de
imprensa”.
Pior fez o ministro Gilmar Mendes.
Atropelando o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que negara o pedido, ele
obrigou a TV Globo a incluir no debate o candidato Renan Santos, do Missão, que
não tinha vaga assegurada por lei nem foi convidado pela emissora. O pedido,
feito pelo partido Solidariedade, foi malandramente enxertado em uma reclamação
sobre um caso do Paraná que está no gabinete de Mendes desde maio – o manjado
expediente, do qual já tratamos nesta página, de escolher um juiz ao gosto do
freguês. O argumento de que entrevistas anteriores criaram uma “legítima
expectativa” de participação de Renan no debate não tem amparo em uma vírgula
da Lei Eleitoral, como avaliaram juristas consultados pelo Estadão. Foi um ato de força.
Mais uma vez, nada disso veio de graça. Desde
a vergonhosa sessão do STF de 15 de setembro, está claríssimo que Gilmar Mendes
integra o time do Supremo que joga pesado para impedir que Flávio Bolsonaro se
eleja presidente e, conforme previsto, modifique drasticamente o jogo de forças
dentro da Corte.
Não é segredo para ninguém que a reeleição de
Lula interessa ao grupo integrado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes,
Cristiano Zanin e Flávio Dino. Já a vitória de Flávio fortaleceria o grupo de
André Mendonça, do qual fazem parte os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes
Marques. O que está em jogo é o controle sobre os rumos do STF e o destino
jurídico de alguns de seus ministros envolvidos no caso Master, principalmente
Alexandre de Moraes. Ao longo do próximo mandato presidencial, ao menos quatro
cadeiras serão preenchidas, entre elas as de Luiz Fux, de Cármen Lúcia e a do
próprio Gilmar Mendes. Essa guerra intestina no STF já interfere diretamente na
disputa eleitoral, e os ministros nem sequer se dão mais ao trabalho de
disfarçar.
Em nome de seus interesses políticos, Gilmar
Mendes e Estela Aranha violaram a liberdade de imprensa e cassaram o direito do
eleitor de ouvir as propostas dos candidatos à Presidência da República no que
seria o último encontro entre eles antes do primeiro turno. E pela força de
canetadas judiciais. É amarga a ironia de que a lisura da campanha eleitoral,
defendida a duras penas contra o golpismo bolsonarista, seja agora tisnada
justamente por quem tinha o dever de resguardá-la.
O Brasil que queremos já existe
Por O Estado de S. Paulo
ITA, Embrapa e Porto Digital são ilhas de excelência que mostram como incentivos bem dados pelo poder público e parcerias com a iniciativa privada podem fazer do Brasil uma potência
Numa campanha eleitoral marcada por um
deserto de ideias, em que os principais candidatos a presidente da República
parecem ignorar as lições do passado e não ter a capacidade de idealizar
projetos para o futuro, ilhas de excelência do presente mostram que o Brasil
que queremos já existe.
Uma recente reportagem especial do Estadão apresentou casos de
sucesso que merecem a atenção daqueles que pretendem governar o País pelos
próximos quatro anos. Trata-se do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA),
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Porto Digital.
Em áreas distintas do setor produtivo, as
três iniciativas são exemplos de como o Brasil pode se abrir para o mundo e
conquistá-lo. A fórmula de sucesso aplicada é bastante semelhante: investimento
em pessoas, pesquisa e inovação, parceria entre universidades e o setor privado
e abertura ao conhecimento e à competição internacionais.
Esse foi o caminho trilhado pelo ITA, desde a
sua fundação nos anos 1950, em São José dos Campos (SP). A instituição pública
da Força Aérea Brasileira (FAB) formou mão de obra qualificada, graduando ao
longo de todos esses anos mais de 9 mil engenheiros disputados por empresas de
todo o mundo, e ainda produziu o conhecimento necessário que impulsionou o
desenvolvimento de uma indústria aeronáutica nacional competitiva.
É a produção científica do ITA que ajudou a
estabelecer as bases da Embraer, que produz e exporta aviões. O resultado pode
ser mensurado em números: hoje, a carteira de pedidos da empresa brasileira
soma US$ 34,5 bilhões.
Já a Embrapa é a menina dos olhos do campo.
Desde os anos 1970, o centro de pesquisas atua para posicionar o Brasil como
uma potência agrícola – e conseguiu. Mas, para isso, a Embrapa se abriu ao
mundo, mandando mais de 2,5 mil pesquisadores para estudar no exterior e
aplicar aqui o conhecimento adquirido lá fora.
Foi essa estratégia que abriu caminho para a
produção de conhecimento local. E são grandiosos os feitos da Embrapa, como a
otimização do uso do solo, com o plantio de até três safras por ano; a
adaptação genética de sementes, o que abriu frentes agrícolas no Cerrado; e o
aprimoramento da criação de animais. Com ciência tropical de ponta, o Brasil
deixou a condição de importador de alimentos, passou a liderar inúmeros
mercados, como o da soja, e hoje é considerado o “celeiro do mundo”.
E a tecnologia também transformou uma região
degradada do Recife desde a implementação, no início dos anos 2000, do Porto
Digital. Companhias que desenvolvem ferramentas tecnológicas, softwares,
aplicativos, sistemas de gestão, entre outras soluções, transformaram a
economia da capital pernambucana, que concentra cerca de 550 empresas que,
juntas, faturam R$ 7,4 bilhões ao ano e geram mais de 24 mil empregos.
Nenhum desses feitos é fruto do acaso. Como
bem afirmou ao Estadão o
economista Marcos Lisboa, a principal semelhança entre o ITA, a Embrapa e o
Porto Digital é o “investimento muito grande em formação de gente”, com
proximidade a centros de pesquisa, o que possibilitou a criação de um “ambiente
de inovação”.
Na aeronáutica, no campo ou na tecnologia da
informação, o acesso à educação de qualidade permitiu a formação de uma mão de
obra valorizada para ocupar postos de trabalho de ponta. E tudo isso foi
possível porque o Estado projetou e executou políticas públicas, dando os
incentivos certos aos setores produtivos, de modo a alcançar resultados
efetivos.
Para isso, o Brasil precisa deixar para trás
seus erros, como as políticas de subsídios e incentivos fiscais que resultam em
protecionismo e perpetuam o patrimonialismo, porque atendem a interesses
particulares, e não aos do Brasil. O legado dessas escolhas é a condenação a um
crescimento medíocre e a uma baixíssima produtividade.
Como mostram o ITA, a Embrapa e o Porto
Digital, o Brasil pode mais do que isso.
O descontrole das armas
Por O Estado de S. Paulo
Quatro anos depois, falhas que ajudam a armar
criminosos ainda persistem
Passados quatro anos desde que o Tribunal de
Contas da União (TCU) apontou falhas no sistema de controle de armas de fogo,
em meio à temerária expansão armamentista dos anos de governo de Jair
Bolsonaro, o tribunal voltou ao tema para mostrar que os problemas seguem
praticamente os mesmos e que o Estado ainda é incapaz de rastrear adequadamente
os armamentos que autoriza a circular.
Relatório do TCU divulgado em 29 de setembro
afirma que a maior parte das medidas recomendadas em 2022 para aprimorar esse
controle ainda não foi integralmente implementada.
Naquele ano, o TCU analisou o Sistema
Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal, o Sistema de Gerenciamento
Militar de Armas (Sigma), do Exército Brasileiro, e o Sistema Nacional de
Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, e
descobriu que as ferramentas não conversavam entre si. Faltava integração e
havia inconsistências nos dados sobre apreensões e registros deficientes de
extravios, furtos e roubos.
A desordem ocorreu justamente quando o País
experimentava uma corrida às armas. Entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021,
mais de 500 mil delas foram legalmente adquiridas, no embalo da máxima
bolsonarista de que “um povo armado jamais será escravizado”. O afrouxamento
foi tamanho que o TCU encontrou milhares de registros de CAC (grupo formado por
caçadores, atiradores e colecionadores) concedidos ou renovados para pessoas
que respondiam a processos de execução penal. Outras tinham mandados de prisão
em aberto. Houve até mortos que, segundo os registros oficiais, continuaram
comprando munição.
Dois anos depois, em 2024, já no governo de
Luiz Inácio Lula da Silva, outro relatório do próprio tribunal revelou que
pistolas e armas pesadas, como fuzis e metralhadoras, haviam sido compradas
legalmente por criminosos condenados, alguns deles foragidos, entre 2019 e
2022. À época, o Estadão mostrou
que integrantes do PCC tinham encontrado na falha burocrática um jeitinho de
pagar mais barato. A facção usava “laranjas” com certificados de CAC para
adquirir armas legalmente por preços até 65% inferiores aos praticados no
mercado clandestino.
O novo monitoramento mostra que, das
providências cobradas pelo TCU nos últimos anos, apenas uma foi integralmente
implementada. Outras avançam a passos lentos e duas nem sequer saíram do papel.
Os sistemas responsáveis pelo registro de armas ainda passam por processos de
integração e não falam a mesma língua.
Segundo o tribunal, faltam medidas para
aprimorar a rastreabilidade e a responsabilização de quem descumpre as
obrigações previstas no Estatuto do Desarmamento, muitas vezes deixando impune
quem não cumpre a lei. Também segue pendente a regulamentação das guias de
tráfego dos CACs.
Ora, quatro anos é tempo mais que suficiente
para que o Estado saiba de onde veio e para onde foi uma arma cuja compra ele
próprio autorizou.
Enquanto o Estado é lento, o crime organizado corre e já demonstrou habilidade de sobra para explorar cada brecha do sistema, tirando proveito de negligências burocráticas que facilitam sua atuação delinquente.
A eleição pertence aos brasileiros
Por Correio Braziliense
Afinidades internacionais podem integrar o
debate sobre política externa; não podem substituir a vontade popular nem
conferir a governos estrangeiros qualquer poder de arbitragem sobre a
democracia brasileira
Chegamos à reta final do primeiro turno das
eleições sob pressão internacional, num cenário diferente daquele de 2022. Há
quatro anos, o governo de Joe Biden contribuiu para desencorajar uma ruptura
institucional e reconheceu prontamente a vitória de Lula. Agora, as afinidades
da administração Donald Trump com o bolsonarismo alimentam preocupações sobre a
atuação de Washington. Entretanto, nenhuma potência tem autoridade para tutelar
nossas urnas, financiar sua deslegitimação ou condicionar o reconhecimento do
resultado à vitória de seu candidato preferido. Cabe exclusivamente aos
brasileiros escolher seu presidente.
Não se trata de uma prerrogativa do governo
Lula, mas de um direito da sociedade brasileira, inclusive de quem pretende
derrotá-lo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 158,7 milhões de
cidadãos estão habilitados a votar neste ano. É desse eleitorado que deve sair
o mandato presidencial. Afinidades internacionais podem integrar o debate sobre
política externa; não podem substituir a vontade popular nem conferir a
governos estrangeiros qualquer poder de arbitragem sobre a democracia
brasileira.
É grave, nesse contexto, a informação que
levou a Advocacia-Geral da União a solicitar investigação à Polícia Federal e
ao Ministério Público Federal. Segundo reportagem do The Guardian, US$ 1 milhão
do Departamento de Estado americano estaria destinado ao programa "Combate
ao lawfare e à censura no Brasil". O pedido de apuração é necessário: a
existência de financiamento ilegal e sua eventual conexão eleitoral precisam
ser demonstradas, com provas e respeito ao devido processo.
O problema ultrapassa o montante anunciado. Recursos
de uma potência destinados a influenciar disputas institucionais brasileiras
podem produzir efeitos políticos superiores ao seu valor financeiro. Se
confirmada uma operação dessa natureza, o Brasil deve reagir pelos canais
diplomáticos e pelos mecanismos legais disponíveis. A Constituição fornece o
fundamento dessa resposta. A soberania é princípio fundamental da República; a
independência nacional e a não intervenção orientam suas relações
internacionais.
Também merece atenção a suspensão dos serviços
consulares americanos, seguida pelo fechamento da embaixada australiana. O
Departamento de Estado alegou preocupações de segurança e informou que trabalha
com autoridades brasileiras. Não apresentou publicamente a natureza da ameaça
nem vinculou a medida à eleição. Cabe ao Brasil proteger as representações
diplomáticas e esclarecer os riscos. O momento justifica vigilância, mas não
permite converter suspeitas de pressão política em fatos comprovados.
Repelir ingerências estrangeiras tampouco
significa conceder imunidade ao Supremo Tribunal Federal (STF). Seus ministros
devem prestar contas de suas decisões e responder por eventuais
irregularidades, conforme as leis brasileiras. A defesa da soberania ganha
força quando acompanha a exigência de transparência institucional. O desgaste
de uma Corte não concede a outro país licença para dirigir sua reforma,
selecionar seus integrantes ou explorar suas vulnerabilidades para interferir
na escolha do presidente.
Esse princípio vale para os Estados Unidos e para qualquer outro país, seja governado pela direita, seja pela esquerda. O Brasil precisa de relações internacionais capazes de ampliar comércio, investimento e cooperação, preservando sua liberdade de decisão. A campanha deve devolver centralidade à segurança, à renda, à saúde e à educação, e o vencedor terá de responder aos brasileiros por esses problemas. Nossa democracia comporta divergências profundas; sua legitimidade depende de que o resultado das urnas prevaleça sobre interesses estrangeiros e seja respeitado por vencedores, derrotados e parceiros internacionais.
O eleitor e o poder do voto
por O Povo (CE)
O POVO promoveu durante a campanha debates e
sabatinas com os candidatos para contribuir com a reflexão do votante
Quando esta edição impressa do O POVO chegar
às mãos dos leitores na manhã deste domingo, muitos deles já estarão se
preparando para uma das tarefas mais importantes desse dia: comparecer às
respectivas seções eleitorais para escolher o presidente, governadores e
parlamentares estaduais e federais. Assim, nos próximos quatro anos, a
responsabilidade de conduzir o País estará sob a responsabilidade dos eleitos.
Lembrando que a eleição de presidente e governadores ainda dependerão de um
eventual segundo turno.
A caminhada até aqui foi longa e atribulada,
marcada pela chamada "polarização" que hoje divide a sociedade
brasileira. Nesse período, não houve nenhuma folga ou distensão no ambiente de
animosidade que marcou as campanhas políticas, com muitos ataques e pouca
discussão sobre as propostas essenciais para melhorar as condições de vida dos
brasileiros, principalmente dos mais vulneráveis.
Na disputa à Presidência, os dois principais
candidatos — o presidente Lula da Silva, que busca a reeleição, e o senador
Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o cargo pela primeira vez — nunca se
distanciaram significativamente quanto à intenção de votos, segundo as
pesquisas.
Sobre a eleição para governador no Ceará, os
dois candidatos com mais intenções de voto nas pesquisas, o governador Elmano
de Freitas (PT), que concorre à reeleição, e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB),
chegam à reta final da campanha em disputa apertada.
Portanto, o eleitor tem de considerar que o
seu voto poderá ser essencial para garantir a vitória do candidato de sua
preferência.
Foi com o objetivo de contribuir com a
reflexão do eleitor que O POVO promoveu, durante o período eleitoral, sabatinas
com todos os candidatos aos cargos majoritários no Estado (à exceção dos que
optaram por não comparecer).
Além disso, foram organizados dois debates
diretos entre Elmano e Ciro, retransmitidos por um pool de emissoras de rádio e
TV de várias regiões do Estado, com um desses encontros realizado no Cariri. O
POVO foi o único veículo de comunicação que conseguiu reunir os quatro
principais postulantes ao Senado para apresentarem suas propostas. Em uma
eleição, na qual os cargos executivos são os que monopolizam as discussões,
torna-se ainda mais importante conhecer as propostas daqueles que vão atuar no
Congresso Nacional.
Agora não se trata mais de pesquisas de
intenção de votos. É hora de confirmar o artigo primeiro, parágrafo único da
Constituição Federal: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio
de representantes eleitos ou diretamente". Que cada eleitor cearense
exerça esse direito livremente, votando conscientemente nos candidatos que
escolher.

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