CartaCapital
Uma eleição completamente aberta
A eleição presidencial de 2026 chega à reta
final indefinida, com os dois principais contendores empatados tecnicamente,
tanto no primeiro quanto no segundo turno, na maior parte dos levantamentos de
intenção de voto.
Por um lado, presidentes no cargo costumam contar com o benefício da incumbência, podendo recorrer a medidas de última hora (como nos casos, agora, da proibição das plataformas de apostas e do reajuste do Bolsa Família), além de ter na propaganda eleitoral um instrumento capaz de mostrar as realizações do governo e, com isso, melhorar seus índices de aprovação, como se viu em eleições passadas. Por outro lado, a figura de Lula, central na política brasileira desde o fim dos anos 1970, apresenta sinais de fadiga, não entusiasmando os mais jovens e desalentando muitos dos mais velhos. Tal quadro é evidenciado por dados da pesquisa Meio-Ideia do fim de setembro: o atual presidente perde para Flávio Bolsonaro entre eleitores de 16 a 24 anos (53,5% x 40,4%) por diferença bem maior do que a vantagem que tem na faixa etária dos 45 aos 59 anos (51,8% x 46,8%).
Também diminuiu a vantagem lulista, outrora
bastante folgada, entre mulheres e no Nordeste. No eleitorado feminino, o
petista lidera por apenas 4,3 pontos porcentuais (49,9% x 45,6%), enquanto nos estados
nordestinos a vantagem é de 15,6 pontos porcentuais (55,9% a 40,3%), grande,
porém menor do que já foi. A boa notícia para Lula é que, neste momento, a
pesquisa o colocou à frente na região mais populosa do País, o Sudeste (51,7% a
46,1%). Ainda assim, tal diferença é insuficiente para compensar a desvantagem
no Sul (62,7% x 35,9%) e no Centro-Oeste (60% x 29,4%).
Assim, ambos aparecem tecnicamente empatados
no cômputo geral: no primeiro turno, 31,5% a 30,5% (Lula numericamente à
frente) na declaração espontânea de voto, 39,4% a 38,4% na estimulada (Lula à
frente) e, no segundo turno, 48,5% a 48% (novamente Lula numericamente à
frente). Mesmo na rejeição há empate: Lula é rechaçado por 47,1% e Flávio
Bolsonaro por 46,1%. Quando se pergunta ao eleitor quem ele rejeita mais, Lula
novamente aparece tecnicamente empatado, mas numericamente à frente: 43,7% a
41,4%, no limite da margem de erro (de 2,2 pontos porcentuais).
Numa disputa tão parelha, episódios de última
hora podem decidir a eleição, inclusive no primeiro turno
Diante de uma disputa tão acirrada,
revelações, falsas notícias ou distorções de última hora podem ser decisivas.
Os áudios ligando o candidato bolsonarista ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os
conflitos entre ele e sua madrasta apareceram cedo demais para impactar este
momento, pois seus efeitos foram diluídos pelo tempo. Tanto que, após declínio
inicial, Flávio Bolsonaro paulatinamente recuperou terreno até empatar a
disputa. Beneficiou-se ainda pela queda de Lula ao longo de vazamentos seletivos
da investigação comandada pelo bolsonarista André Mendonça, sobretudo em
relação a seu filho, Fábio Luís, e seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio
Ribeiro, com uma lobista frequentadora de gabinetes em Brasília. Num contexto
em que a associação do PT (e de Lula) à corrupção se consolidou no imaginário
político de muitos brasileiros, notícias assim têm relevância, não sendo
compensadas por revelações de malfeitos envolvendo o lado oposto, exceto se
retumbantes.
O recente episódio surgido com os rumores de que
Flávio Bolsonaro revogaria a celebração de Nossa Senhora Aparecida como
padroeira do Brasil mostra que há também espaço para desgaste advindo de ondas
de desinformação. Embora o filho 01 não tenha defendido publicamente tal
proposta, associá-lo a algo do tipo tem lastro em fatos. Um é a declarada
intenção de, como primeira decisão de governo, decretar a consagração do País a
Jesus Cristo. Num Estado laico e numa sociedade plural, tal declaração
mereceria por si só rechaço veemente, pois implica marginalização daqueles que
não professam alguma fé cristã – e mesmo de cristãos democratas e, portanto,
contrários a conferir ao Estado caráter confessional. Isso foi verbalizado pelo
bispo Dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da diocese de Campos. Segundo ele, “a
liberdade religiosa e de crença é um dos princípios da Constituição brasileira
e interessa a todas as religiões. Se um não é respeitado em sua religião,
ninguém mais será”. Levantamentos feitos logo após o ocorrido mostraram leve
declínio de Flávio Bolsonaro não apenas entre católicos, mas inclusive no
eleitorado evangélico.
Uma análise muito arguta a esse respeito foi
feita pelo antropólogo Juliano Spyer, em sua coluna na Folha de S.Paulo.
Segundo ele, “o eleitor católico não está julgando o que Flávio disse. Está
julgando o que evangélicos, alguns próximos a ele, vêm dizendo e fazendo há
décadas”. Spyer se refere aqui a manifestações de intolerância religiosa de
determinadas lideranças evangélicas. Segundo a pesquisa BTF-Nexus, Flávio
perdeu 5 pontos porcentuais entre evangélicos – caiu de 62% para 57%, com Lula
tendo crescimento idêntico. Com seu reiterado proselitismo religioso em relação
aos evangélicos e seu abraço de última hora na santa católica, Flávio Bolsonaro
corre o risco de ser percebido ao mesmo tempo como intolerante e oportunista.
E para deixar claro que a agitação de última
hora não para, uma declaração mal formulada de Lula foi distorcida para
tachá-lo como pedófilo. O responsável foi Nikolas Ferreira, bolsonarista mais
destacado nesse tipo de ação. Após o atual presidente dizer que mulheres lidam
melhor do que homens com cuidados médicos relacionados às suas partes íntimas,
pois desde muito jovens vão ao ginecologista, Nikolas tomou a referência de
Lula ao exame de toque para insinuar que ele falava em tocar meninas
sexualmente. Como na desinformação que produziu sobre o Pix há alguns meses,
desgastando o governo, o deputado novamente distorceu a realidade para
desinformar e faturar politicamente.
Numa disputa tão parelha, afunilando e repleta
de ruídos que afetam a decisão do eleitorado, o resultado torna-se
especialmente imprevisível. Até mesmo episódios de última hora podem decidir a
eleição, inclusive no primeiro turno.
*Cientista político e professor da FGV.
Publicado na edição n° 1433 de CartaCapital, em 07 de outubro de 2026.

Chega de Lula! Já deu para encher e esgotar a paciência. Lula nunca mais de Deus quiser, e Ele quer.
ResponderExcluirCara enjoativo, chato, pedante e sem noção, fica impondo -se eternamente sem desconfiômetro.
ResponderExcluirBrasileiro idiotas em aceitar esse sujeito por esse longo tempo. Enough!!!!!!
ResponderExcluirSujeito sem um pingo de simpatia, só serve para os idiotas de plantão. Não da mais. Enough!!!!
ResponderExcluirSai do Brasil e só volto no dia em que não precisarmos esse tipo for grants
ResponderExcluirDesses
ResponderExcluirO pedantismo do sujeito só pode mesmo ser reminiscências do PT. Lula nunca mais!!!!
ResponderExcluirBye bye Lula !!!! Adeus ,Good bye,l. Até nunca mais.
ResponderExcluirLula Resíduo, Past, Babaca, Chato, Feio, Limitado, Convencido, Vazio, Inútil, Pai da Burrice e Vergonha Nacional.
ResponderExcluirAinda menir que um átomo é isso que ele é..
ResponderExcluirDa canseira esse sujeito! Enojado,‘impertinente e horrível.
ResponderExcluirDa canseira esse sujeito! Enojado,‘impertinente e horrível.
ResponderExcluirAté um dia sem ele, aí eu volto para o meu pais
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