O Estado de S. Paulo
Até a encenação foi abandonada. O presidente Lula tudo faz para ganhar as eleições, sem quaisquer limites
Tem um nome o que estamos vivendo:
pornografia política. Não há mais sedução, eros, mas pura e simples
pornografia. Até a encenação foi abandonada. O presidente Lula tudo faz para
ganhar as eleições, sem quaisquer limites. Contas públicas, responsabilidade
fiscal, dívida pública entre outras, inúmeras, aliás, vão simplesmente para o
espaço.
Os gastos das últimas semanas já remontam a R$ 350 bilhões, segundo o Estadão, sem que sejam números definitivos, pois não se sabe ainda o que está por vir nos próximos dias. O cenário não permite otimismo. E nada mais se esconde; tudo aparece à luz do dia. Nem as aparências são guardadas.
Note-se que nem a hipocrisia mais vale. Tudo
é feito descaradamente, como se fosse algo absolutamente normal. Perdeu-se,
inclusive, o significado da palavra moralidade. Claro que os “defensores da
causa”, imaculada, sempre dirão que o ex-presidente Bolsonaro fez isto ou aquilo.
Ora, se o criticavam por que fazem a mesma coisa? O que era “pecado” torna-se
agora, graças a um passe de mágica, “virtude”. Uma das características da
política bem-feita é quando o vício presta obediência à virtude, que é o que
ocorre quando as aparências são preservadas em nome do bem comum, podendo esse
então ser disputado na contenda eleitoral. Quando nem isto tem validade, é
porque entramos no terreno do imponderável.
E Lula ainda se dá ao luxo de falar de que é
– e será – fiscalmente responsável, ao mesmo tempo em que debocha da
responsabilidade fiscal. Só pode ser piada. Todo gasto, pasmem, tornou-se
investimento. Deve pretender o Prêmio Nobel de Economia. Bilhões de reais sendo
gastos para reeleger o atual presidente tem nome: compra de votos! Algo deste
tipo não deveria ser permitido numa República digna de seu nome. Seria uma
função a ser cumprida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que permanece
estranhamente calado, quando ministros atuais têm a tendência de sobre tudo se
pronunciarem, a exemplo de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF),
que adoram holofotes. Cabe ainda a pergunta: onde está o Ministério Público?
Neste contexto, chama atenção que Lula e seu
time inventaram uma tal Carta aos Evangélicos, com o claro intuito de angariar
votos, voltada para todo um setor religioso da população tão desprezado ao
longo desses últimos anos de (des) governo petista. Em nenhum momento
demonstraram apreço e respeito pelos valores e princípios evangélicos. De
repente, a família passa a ser valorizada, quando o seu mesmo significado de
família tradicional foi sistematicamente pisoteado pela ideologia esquerdista,
tão ao gosto do PT e de seu aliado Psol. Introduziram goela abaixo da sociedade
brasileira a ideologia woke, identitária, anti-evangélica por definição.
Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal
tem exercido uma função propriamente política, com alguns de seus membros se
destacando, no mau sentido da palavra, em sua politização. Adotam posições
partidárias ao arrepio da Constituição, denominando suas ações de
“interpretações”, em uma hermenêutica para além de elástica. Ministros do STF,
inclusive, têm interferido em funções próprias do Tribunal Superior Eleitoral.
E o meio para isto tem sido decisões monocráticas, como se a decisão de um
ministro isolado valesse mais do que todo o Congresso Nacional, eleito,
frise-se, pelo voto popular. O próximo presidente, qualquer que seja, deverá
indicar quatro novos ministros. E isso no cenário de um Senado claramente
oposicionista, que poderá ou não aceitar uma indicação presidencial. E os
malfeitos de alguns dos ministros atuais não deveriam desembocar na impunidade.
Em sua eleição de 2022, o atual presidente
apresentouse como defensor da democracia. Manifestos foram confeccionados sob
medida para a sua eleição, como se a redenção institucional do País estivesse a
caminho. Ocorre que, de lá para cá, o governo, em sua política internacional,
indicou o seu menosprezo pela democracia, expondo clara preferência pelo
autoritarismo. Com efeito, qual conceito de democracia está em questão?
Lula sempre considerou esse conceito como
“relativo”. Foi e é defensor intransigente da “democracia” venezuelana sob
Chávez e Maduro. Dentre os seus “méritos democráticos” consta abolição do
Estado de Direito, fraudes eleitorais sistemáticas, repressão feroz,
assassinato e prisão de opositores, exílio de dissidentes, tudo em nome, é
verdade, do “socialismo do século 21”.
Outro exemplo da democracia tenazmente
defendida é a cubana, que obriga o seu povo a viver na miséria, sem liberdades,
sem possibilidade de escolha de seus dirigentes, com fuga de parte da população
– conhecida como refugiados –, que abandona, em condições precárias, o “paraíso
socialista”. No Oriente Médio, seus parceiros, ou “companheiros”, são a
teocracia iraniana, o Hamas e o Hezbollah. A opção pelo terror islâmico
enquanto aliado da esquerda é evidente, só não vê quem não quer. Será que tudo
isto é relativo?

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