O Estado de S. Paulo
Salvo o imprevisível a 48 horas das eleições,
o que parece pesar mais são fatores amplos e fora do controle. A saber:
abstenção e a “temperatura”, ou “percepção”, ou “sentimento” em relação à
economia.
Sim, a definição da situação de empate
ocorrerá dentro do que se previa. Junto a uma pequena parcela do eleitorado
concentrada no Sudeste. Como Lula sai mais prejudicado (em termos relativos)
pela taxa de abstenção no Nordeste, a diferença que ele precisa buscar está no
eleitorado mais “sensível”, digamos assim, ao famoso “feel good factor”.
Não importa tanto a camada social, esse sentimento é contrário ao incumbente, tal como captado em sucessivas pesquisas. Ele sugere um estado de espírito disseminado segundo o qual tudo é difícil e caro. Os economistas constatam que a renda aumentou, mas a renda disponível, não.
Em outras palavras, Nossa Senhora, Vorcaro e
a implosão do STF contam, mas os fatores “clássicos” contam ainda mais. Sendo
uma eleição disputada em torno de rejeições, as denúncias espetaculares, o
desgosto causado por elas, as indignações morais e os sentimentos religiosos
ofendidos acabam se igualando – pois tratase de uma escolha contra, e não a
favor de alguém.
Mas assume-se que a eleição presidencial será
decidida em dois turnos (embora matematicamente possível no primeiro). Quais
seriam os fatores predominantes, então, para romper o que a quase totalidade
das pesquisas aponta como situação de empate inédita?
Além daqueles acima (e do imprevisível), o
principal promete ser o resultado do Senado e dos governadores nos principais
colégios eleitorais. Especialmente se confirmada domingo uma vantagem muito
pequena de Lula sobre Flávio Bolsonaro na primeira votação (como indicam hoje
as pesquisas), estão criadas condições para o que se chama “momento”, ou “onda”
contra o incumbente.
Esse cenário é até mesmo “convencional”, e
faz parte do que se registrou em vários países muito diferentes entre si,
próximos ou não ao Brasil. Ansiedade, temor pelo futuro, descontentamento com
as condições de vida e, especialmente, desilusão com a “democracia liberal”
compõem claramente o “espírito de época”, dentro e fora do Brasil.
No caso específico do Brasil, o empenho de
uma ala de força no STF pela reeleição de Lula – incluindo a tentativa de
controle direto da autoridade eleitoral – fez surgir até mesmo arrepios sobre a
validade das regras do jogo. Mas o que se ouve por parte de quem, em última
instância, carrega nos ombros a manutenção da ordem é tranquilizador. “Quem ganhar
leva”, afirma-se.
Leva uma crise institucional profunda, um
sistema político inoperante, uma economia em desaceleração e uma situação
fiscal pra lá de preocupante. Mas isso fica para depois.

é interessante ver a grande mídia aceitar com naturalidade o ST F tem uma aula de ministros em campanha pro Lula
ResponderExcluirIsso é uma excrescência, aceitar que a mais alta corte constitucional tenha lado político e o pior , militância efetiva na campanha A favor do PT