sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Quem vai desempatar o jogo? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Na eleição mais acirrada de todos os tempos, quem é o eleitor ou a eleitora que vai desempatar o jogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro?

Dados da pesquisa Meio Ideia nos ajudam a traçar um perfil daqueles que ainda estão indecisos e se tornaram o principal palco de batalha da eleição.

Boa parte dessas pessoas são mulheres da classe C, que vivem nas franjas das grandes cidades, principalmente São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Também existe um porcentual desses eleitores nos arredores de Salvador e do Recife.

Os números nos ajudam a confirmar essa hipótese. Entre os indecisos, 63,3% são mulheres, 44,1% da classe C e 51,3% estão no Sudeste.

Esses eleitores e eleitoras “pêndulo” votaram em Jair Bolsonaro em 2018 preocupados com a corrupção, mas se desapontaram com o ex-presidente durante a pandemia da covid-19. Em 2022, escolheram Lula por uma memória afetiva, acreditando que poderia se repetir a boa experiência que tiveram em seu primeiro e segundo mandatos. Mas, agora, estão decepcionados.

“São mulheres muito práticas, que estão endividadas e não conseguem encher o carrinho de supermercado no final do mês. E estão desalentadas, porque não acreditam que nenhum dos candidatos vai melhorar a vida delas. É uma eleitora muito difícil de conquistar”, diz Cila Schuman, CEO do Instituto Idea.

Para essas eleitoras indecisas, fazem pouca diferença as polêmicas recentes da eleição, como as brigas entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou o embate em torno da padroeira do Brasil.

São mulheres exaustas da política e cansadas da polarização, que só provocou briga dentro das famílias. E costumam decidir o voto só na reta final.

Uma das poucas medidas recentes que podem ter algum efeito é a proibição das bets, porque essa eleitora tem alguém próximo ou conhecido perdendo a saúde e o dinheiro para o vício do jogo. Mas ainda é difícil saber se a medida tomada por Lula chegou a tempo de sensibilizá-la.

Além da conquista desses indecisos, que não chegam a 5% da população, outro fenômeno pode afetar os resultados e é praticamente impossível de ser medido pelas pesquisas. Ele é chamado pelos especialistas de “antipetismo de chegada” – ou seja, o medo de que Lula ganhe a eleição.

Entre os eleitores de Augusto Cury, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, um em cada quatro admite que ainda pode mudar de voto, conforme a Meio Ideia.

O “antipetismo de chegada” é um fenômeno que vem desde 2014, quando os eleitores abandonaram Marina Silva para votar em Dilma Rousseff. Ele apareceu de novo em 2018, quando encolheu Geraldo Alckmin e agigantou Jair Bolsonaro. E também retirou votos de Simone Tebet em 2022.

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