Folha de S. Paulo
Senador tem o direito de se defender de todas
as acusações
Mas elas são tantas que é melhor que ele as
explique antes de se tornar presidente
Se Flávio
Bolsonaro for eleito, será o primeiro presidente que, quando chegar
para negociar com o Congresso, encontrará gente mais honesta do que ele está
acostumado.
No Rio de Janeiro, Flávio tem dois aliados
presos por ligações com o Comando Vermelho, TH Jóias e Rodrigo Bacellar. Quanto
às milícias, Flávio já as homenageou em discurso e garantiu
emprego à mãe e à irmã do chefe do Escritório do Crime.
Levantamento do pesquisador Bruno Pantaleão , da Fundação Getúlio Vargas, mostrou que, em média, Flávio teve 5,6 pontos percentuais de votos no primeiro turno a mais nas áreas controladas por milícias do que no resto do estado.
Outro aliado de Flávio é Márcio
Canella, ex-prefeito de Belford Roxo (RJ). Segundo a Polícia
Federal, Canella lavava dinheiro ecumenicamente, tanto para as milícias quanto
para o Comando Vermelho.
Na eleição de 2026, Canella apoiou a
candidatura para deputado federal de Antonio Rueda, presidente do partido União
Brasil. Pernambucano sem qualquer ligação com o Rio de Janeiro, Rueda se elegeu
quase que exclusivamente com votos de Belford Roxo.
Segundo matéria de Malu Gaspar de 19 de
novembro de 2025, o partido presidido por Rueda controlava tanto a Previdência
quanto a companhia de água do Rio de Janeiro. Foram as duas áreas do governo
estadual que deram bilhões de dinheiro do Rio de Janeiro para o Banco Master.
O dono do Master, Daniel
Vorcaro, prometeu dar R$ 130 milhões para Flávio Bolsonaro, a mesma
quantia prometida a Alexandre de Moraes. Flávio diz que era para fazer o filme,
mas Xandão não deixaria de ser suspeito se usasse seus R$ 130 milhões para
fazer um filme sobre o pai dele, Careca Horse.
Flávio também tinha conta conjunta com Willer
Tomaz, que já foi preso por corrupção e é investigado por lavar dinheiro
roubado no INSS, sim, no caso em que Lulinha foi acusado (até agora, sem
provas).
Tomaz é o maior apostador do Brasil e, vejam
só, é acusado de lavar dinheiro com bets. Essa semana descobrimos que Tomaz e
Flávio Bolsonaro eram sócios em, você já deve ter adivinhado, uma empresa de
bets que Flávio nunca tinha nos contado que tinha.
Reportagem da revista piauí mostrou que Flávio
ganhou um Rolex de um empresário acusado de vender vacinas superfaturadas
durante a pandemia. O presente foi dado durante uma festa com garotas de
programa no lago Paranoá, em Brasília.
Enquanto no Brasil morriam uma em cada três
pessoas no mundo durante a segunda onda de Covid-19, enquanto 145 mil pessoas,
segundo um estudo feito por pesquisadores da USP e da FGV de São Paulo, morriam
por falta de vacina, Flávio festejava com um acusado de roubar no preço das
vacinas.
Na festa do lago Paranoá, Flávio estava
sozinho. Nem o Comando Vermelho, nem as milícias, nem o Banco Master, nem a
máfia do INSS, nem a máfia das bets tiveram coragem de comparecer.
Flávio Bolsonaro, é claro, tem o direito de
se defender de todas essas acusações. Mas as acusações são tantas que é melhor
que Flávio Bolsonaro as explique antes de se tornar presidente.
Digamos que 5% dos eleitores de Flávio
Bolsonaro no primeiro turno tenham escolhido o filho do Jair porque estavam
indignados com a corrupção do STF. Se derem a mesma prioridade ao combate à
corrupção neste domingo, Flávio Bolsonaro perderá a eleição.

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