A começar pela subida da rampa quando a simbologia daqueles personagens – que não se sabe se subiram novamente – já dificultava o entendimento do que foi prometido: um governo de pacificação e união nacional e a governabilidade com a Frente Democrática. Nem um gesto para a construção do “ministério do amor” e do “vamos namorar”, palavras ditas em tom de gracejo do então candidato Lula. Como os jovens poderiam namorar com dívidas? Sem ir ao cinema, tomar um sorvete, nada. As políticas de entrega de dinheiro à sociedade já foram internalizadas como direitos ou como uma prática de compra do voto, das mentes e dos corações que seriam respondidas pela traição na urna. A péssima política educacional ficou resumida ao “pé-de-meia”, uma política tão neoliberal quanto os vouchers de Paulo Guedes. Há de ser feita uma pesquisa para os “pés-de-meia” quanto aos seus votos.
Foi perceptível a ausência de uma educação
política quanto aos efeitos das mudanças climáticas, das guerras externas e do
capitalismo rentista nos preços das mercadorias, além da ausência de
sinceridade sobre o fato de que os valores não voltariam jamais aos níveis
pré-pandemia, mas que seriam menores do que na época das filas que queriam
matar a fome roendo osso. Não, o que se optou foi pelo revanchismo, pela punição
aos que tramaram e participaram da tentativa de golpe. E com isso foi-se mais
de um ano de governo. Para os conservadores que não foram para o 8 de janeiro
se permitiu a leitura: “poderia ser eu”!
Em 4 anos não se assistiu a uma reunião com
oficiais das polícias militares nem uma reunião com as forças de segurança
acerca de um debate sobre a segurança pública para cumprir a ideia de um
“Brasil para todos”. Da mesma forma, os pastores escolhidos eram os de igrejas
evangélicas inexpressivas quanto ao número de fiéis ou capilaridade. Caso as
BETs tivessem sido discutidas de forma séria com as lideranças religiosas,
seria uma forma de “dialogar com os evangélicos”, um programa que sempre serviu
para um futuro que nunca chegou.
As Universidades, com uma grande maioria de
pesquisa, debate e intervenção alheios às demandas societais, quando não
grandes tribunais inquisitoriais do senso comum, formam grupos de interesse
corporativo e que, não raro, se locupletam de bolsas de estudos com trabalho no
mundo privado para os interesses particulares ou para renovação de militâncias
que em boa parte almejam cargos comissionados e chefias de gabinete. E parte
daí a jaula de ferro identitária, que não se resume a apontar para o brasileiro
para chamá-lo de racista, patriarcal, homofóbico e ignorante religioso, como
também a jogar na lata de lixo da história o pensamento social brasileiro. Esse
nó górdio precisa ser resolvido, pois a pauta das identidades não é alheia ao
campo da extrema-direita desde a Marcha Sobre Roma de Mussolini. Qual a
diferença entre a Deputada Índia Armelau (PL-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP)?
As eleições que se findam hoje mostram que o
ciclo da Nova República se esgotou. Uma geração foi rejeitada pelas urnas
independente da qualidade ou história, de maneira similar como a que Geraldo
Alckmin seria deixado para trás na tentativa de reeleição. Enquanto isso,
a octogenária (sem etarismo) liderança maior daquele que poderia ter sido
o governo da Frente Democrática fala olhando para o retrovisor como um avô fala
ao neto das conquistas de seu passado.
O tema da violência contra a mulher e dos
preços das gôndolas, por exemplo, foi encapsulado de forma cínica, mas com
sucesso, pelo seu adversário. As réguas moralistas do velho udenismo:
corrupção, ladrão, miliciano, etc, não foram válidas pelos eleitores por conta
da desconfiança quanto às instituições e pelo sentimento antissistêmico como
dos idos de 2013, o ano que não terminou. Se todos são ladrões e corruptos,
pode-se escolher o de estimação.
Nem o PT e nem Lula tiveram um histórico de autocrítica nessas quatro décadas. O momento é de ter tranquilidade e saber falar para sobre futuro para os que tem menos de 50 anos. Falar de ciência, tecnologia e universidade não se coaduna com as demandas dos subalternos: transparência, diálogo sem os cacoetes de vanguardismo iluminado, o pão de cada dia, transporte mais barato e chegar mais rapidamente em casa, a segurança pública, a capacitação individual para o empreendedorismo – o que fez esse Ministério em 4 anos? Agora é falar e fazer uma proposta de Frente Democrática, renovar os quadros, abrir mão da hegemonia de tudo e priorizar o país, a república e a democracia diante do dragão da maldade cuja língua de fogo já chamuscou a todos e todas.
*Pablo Spinelli é Doutorando em Ciência Política (UNIRIO), Mestre em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (UFRRJ) e professor de História na educação básica.

Professor vai muito bem fazer uma dissertação um pouco confusa mas evitando ser tendencioso nitidamente à esquerda no final porém derrapou
ResponderExcluir“ Temos que ter cuidado com o dragão que cospe fogo “
Numa referência esdrúxula do governo de direita conservador consagrado nas urnas
Fogo cuspiu o PT No povodurante todos esses anos de governo de incompetência e corrupção levando o povo a miséria violência e ignorância