quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sanções contra plataformas digitais merecem aplausos

Por O Globo

Enquanto Meta fecha acordo de US$ 17 bilhões nos EUA, TikTok leva multa de R$ 154 milhões no Brasil

Foi acertada a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de multar a ByteDance, controladora do TikTok, por falhar na proteção de dados de crianças e adolescentes. O valor da multa — R$ 153,7 milhões, maior sanção aplicada a uma empresa do setor no Brasil — comprova a seriedade com que a agência começa a tratar o tema, num momento em que o cerco contra as plataformas digitais se fecha no mundo todo. Nos Estados Unidos, a Justiça anunciou ontem um acordo pelo qual a Meta (dona de Instagram, Facebook e WhatsApp) comprometeu-se a pagar US$ 17 bilhões e a realizar modificações na arquitetura de suas redes — como acabar com a rolagem infinita — para escapar de um processo, movido por 47 estados, em que era acusada de tê-las projetado com a intenção de viciar crianças e adolescentes. Se perdesse, o prejuízo poderia chegar a US$ 1,4 trilhão.

A direita envergonhada de Caiado e Zema, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Candidatos do PSD e do Novo recusam compromissos fiscais impopulares

A direita saiu do armário com a ascensão do bolsonarismo e ganhou um eleitor pra chamar de seu. Oito anos depois, as candidaturas dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) desfilam com um figurino envergonhado tamanha é a profusão de recuos e titubeios do seu discurso. As sabatinas de que têm participado não poderiam escancarar mais este movimento - do Orçamento à segurança pública.

Candidato mais bem posicionado para capturar a direita democrática, a despeito da obsessão pela anistia ao golpismo, Caiado se recusa a assumir a racionalidade fiscal que uma candidatura centrista requer. Nega mudanças nos pisos da educação e da saúde ou no ganho real da aposentadoria.

O perigoso mar de lama, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A expressão mar de lama é antiga na política brasileira, mas voltou com força na atual campanha eleitoral. Nos anos 50, quando foi criada, servia para definir crises de corrupção sistêmica. Na acepção atual, descreve o ambiente no qual se movem candidatos à Presidência.

Cada um no eixo Lula-Bolsonaro acredita ter mais sujeira para jogar no outro e, assim, obter decisiva vantagem eleitoral. Mas as pesquisas qualitativas sugerem um outro fenômeno: quando confrontados com esse tipo de mar de lama, eleitores tendem a ver todos como iguais. Especialmente os “de centro”, que, assume-se, vão decidir o pleito.

Pode-se argumentar que as acusações de corrupção que chegam à antessala de Lula têm outro quilate do que as suspeitas envolvendo qual a destinação final do dinheiro que o candidato Flávio Bolsonaro pediu para um ex-banqueiro que comandava um esquema criminoso. Mas aqui não é este o ponto.

Quem comanda o Supremo? Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

A troca de comando no Supremo Tribunal Federal (STF) está prevista para setembro de 2027 – mas, na prática, a transição já começou. Alexandre de Moraes, o próximo presidente, tem representado a Corte em encontros com chefes do Executivo e do Legislativo, além de promover reuniões com lideranças do Judiciário.

Moraes abriu a semana conduzindo uma audiência pública com presidentes de tribunais de todo o País para discutir combate ao crime organizado. Também chamou integrantes do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República (PGR), da OAB e de prefeituras. O ministro convocou as reuniões por ser relator de ações que contestam a Lei Antifacção. Edson Fachin, o presidente do STF, compareceu como convidado.

A insensatez da chantagem nuclear entre Putin e Zelensky na guerra da Ucrânia, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Moscou advertiu que não aceita uma Ucrânia nuclear e ameaça promover ataques preventivos, o que pode transformar o conflito regional numa crise mundial

A Guerra do Peloponeso começou em 431 a.C. como uma disputa pela hegemonia do mundo grego e terminou, 27 anos depois, com a derrota de Atenas, o esgotamento de Esparta e o enfraquecimento de praticamente todas as cidades-estados envolvidas. Segundo Tucídides, o crescimento do poder ateniense e o medo que isso despertou nos espartanos tornaram o confronto inevitável. A guerra resultou de decisões equivocadas, alianças automáticas e cálculos errados.

Os governantes foram incapazes de interromper a escalada. A desastrosa expedição ateniense à Sicília selou o destino da guerra. Apesar dos riscos, os dirigentes de Atenas enviaram uma grande força militar para conquistar Siracusa. Foi uma catástrofe: a frota foi destruída, milhares de soldados morreram ou foram escravizados e Atenas perdeu a capacidade de sustentar sua hegemonia. Entretanto, a vitória final de Esparta também foi efêmera. Décadas depois, a Grécia, fragmentada e exaurida, acabou submetida à Macedônia de Felipe II.

A ultradireita pôs a política exterior na urna, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Interferência externa é possibilidade considerada e divide a opinião pública

Metade dos eleitores vê chance de países estrangeiros se intrometerem na disputa

Uma enorme bandeira dos EUA, estendida na horizontal, cobria parte do minguado público presente no comício de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, no ensolarado domingo (16), na praia de Copacabana. Impossível adivinhar os motivos de quem teve a iniciativa.

Nas atuais circunstâncias, não deixa de parecer um gesto de júbilo pelas manifestações explícitas de apoio do governo Trump ao candidato da extrema direita —e, talvez, do desejo de que elas prossigam sob outras formas, mais diretas e continuadas.

A interferência da Casa Branca nas eleições presidenciais brasileiras é uma possibilidade real. O uso político das tarifas, a tentativa de enviar funcionários para verificar a integridade do sistema eletrônico de votação e a crescente crispação nas relações diplomáticas parecem anunciar a intenção de influir no resultado das urnas e de criar um clima favorável à sua contestação, caso o PT leve a melhor.

A piora das finanças de SP sob a gestão de Tarcísio, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Contas pioram, e os números oficiais do próprio estado apontam para essa realidade

Candidatos vendem números a torto e a direito sem o mesmo escrutínio que se faz dos resultados do governo federal

As contas do governo Tarcísio pioram, e os números oficiais do próprio estado apontam para essa realidade.

O filme da evolução do desempenho das finanças paulistas ao longo do mandato do governador mostra uma deterioração gradativa que culminou com um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões no ano passado, o pior resultado desde 1995.

Para 2026, a projeção oficial aponta para um déficit de R$ 9 bilhões. Detalhe: o governador recebeu o estado com um superávit de R$ 11,1 bilhões em valores atualizados pela inflação.

Pelo fim das candidaturas policiais, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Sendo carreiras de Estado, policiais e militares não cabem nas urnas

Candidatos são em sua maioria de partidos de direita

Ao menos 1.229 candidaturas no pleito de 2026 possuem relação com as polícias, Civil ou Militar, ou com as Forças Armadas —6% do total de mais de 20 mil candidatos. Os dados são de um levantamento da Agência Pública com base na Justiça Eleitoral.

Embora tenha havido uma redução significativa em números absolutos das candidaturas de policiais e militares —37,4% em relação ao pleito de 2022—, o montante ainda é relativamente expressivo —queda proporcional de apenas 0,71% em comparação a quatro anos atrás— e os números continuam a preocupar pelo uso da farda e das instituições como alavanca eleitoral.

Renan Santos repete Enéas com ideia de bomba atômica, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Candidato do Missão retoma posição de presidenciável do Prona, que fazia campanha na década de 1990

Proposta insensata causaria terremoto de reações, embora arma nuclear possa funcionar como dissuasão

A ideia de construir uma bomba nuclear no Brasil circulou durante a ditadura e alimentou um programa sigiloso. Em 1986, já no governo Sarney, a repórter Elvira Lobato revelou, na Folha, que a Aeronáutica havia construído na serra do Cachimbo, no Pará, um poço de 320 metros cujas características eram compatíveis com testes nucleares subterrâneos.

Casas Bahia e Habib's fazem país acordar para problema faz meia década no forno, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Dívida alta das famílias é problema pelo menos desde 2021; juros pioraram situação

Número de pedidos de recuperação judicial já era problema visível desde 2023

A recuperação extrajudicial de Casas Bahia e Habib’s, marcas "pop", acabou por dar rosto para uma situação que anda ruim faz tempo, não apenas por causa de juros e dívidas. O enrosco, porém, não é bem compreendido ou é manipulado a depender do gosto político do freguês.

Parece ficar mais forte a sensação de "crise no ar", de que o "Brasil vai mal". Até pessoas que deveriam estar mais informadas do problema não se deram conta de que o novo rolo começou faz meia década, tanto em empresas avariadas como na situação do crédito de firmas e famílias.

O passado não perdoa, por Merval Pereira

O Globo

Não há mais o favoritismo do presidente Lula, e o representante do ex-presidente Jair Bolsonaro resiste, tudo devido aos escândalos que cercam as duas candidaturas.

A campanha eleitoral mais desanimada dos últimos tempos segue seu ritmo sem que se possa antever o que sairá das urnas. Não há mais o favoritismo do presidente Lula, e o representante do ex-presidente Jair Bolsonaro resiste, tudo devido aos escândalos que cercam as duas candidaturas. A cada dia fica mais evidente que não existe uma terceira via com capacidade de competir com os dois favoritos. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que era considerado a melhor alternativa, a cada aparição em debates ou entrevistas vai se tornando menor, revelando que os muitos anos de política o desgastaram mais que ao presidente Lula.

Tarcísio enrola Flávio em ‘relação tóxica’, por Julia Duailibi

O Globo

A campanha do governador de São Paulo empurra com a barriga as agendas públicas com o presidenciável

Flávio Bolsonaro está num “relacionamento tóxico” com Tarcísio de Freitas. O candidato a presidente pelo PL depende do governador de São Paulo para ampliar sua margem de votos no maior colégio eleitoral do país e compensar, pelo menos em parte, a liderança de Lula no Nordeste. Tarcísio, no entanto, faz ghosting nas tentativas de encontros públicos com Flávio. E faz de caso pensado.

As chances de Flávio na eleição presidencial passam por uma margem de votos favorável no Sudeste. Em 2022, Jair Bolsonaro levou quase 4 milhões de votos a mais que Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nos dois estados, no entanto, Bolsonaro filho está hoje empatado com Lula. Precisa de uma mãozinha local e, para isso, aposta no conservadorismo do interior paulista e na máquina que está nas mãos do governador. Os caminhos levam a Tarcísio. Mas, como se diz por aí, o governador faz a egípcia.

A batalha decisiva, por Malu Gaspar

O Globo

A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal.

À primeira vista, tudo se resume a uma disputa de poder. Se der Lula, a ala de que fazem parte Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes tende a emplacar aliados nas três vagas que se abrem até o fim do próximo mandato com as aposentadorias de ministros, mais a de Luís Roberto Barroso, que continua indefinida com a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado Federal. A vitória de Flávio Bolsonaro faria o Supremo pender à direita e empurraria o centro de gravidade na direção do ministro André Mendonça, que detém ao mesmo tempo a relatoria dos casos do Banco Master e do INSS.

Razões da deflação de agosto e o futuro próximo, por Míriam Leitão

O Globo

A deflação de agosto é uma boa notícia, mas pode não se repetir nos próximos meses. O fato é que não há sombra de descontrole inflacionário

A inflação deu ontem um refresco num país premido por urgências e números preocupantes. O IPCA-15 registrou uma deflação de 0,4%. Os preços caíram em quase todos os segmentos, inclusive o de alimentação, com vários preços encolhendo, mas o mais importante para os economistas é que a inflação de serviços está cedendo. Há uma razão específica que ajudou a levar para a deflação: o bônus de Itaipu. Mesmo assim, o efeito baixista foi geral.

O bônus de Itaipu é um recurso proveniente da sobra dos resultados da hidrelétrica binacional, dividido meio a meio entre o Brasil e o Paraguai. Aqui, ele se transforma num desconto na conta de luz. Não explica toda a deflação, mas em parte sim. Só que isso acontece uma vez e, no mês de setembro, a tendência é subir, exatamente pela comparação do preço de um mês com o do mês anterior.