sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reajustar Bolsa Família não passa de ardil eleitoreiro

Por O Globo

Em 2024, STF decidiu que o aumento do Auxílio Brasil durante a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro foi ilegal

Há um paradoxo incontornável na última “bondade” eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o reajuste no valor do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, para pagamento já entre o primeiro e o segundo turno. O próprio Lula, quando candidato à Presidência, criticou o uso da máquina pública na campanha à reeleição de Jair Bolsonaro, destacando a faceta eleitoreira do aumento de R$ 200 no então Auxílio Brasil. Quatro anos depois, preocupado com as pesquisas eleitorais, adota a mesma estratégia para tentar a vitória nas urnas.

Medo move o centro político diante da radicalização e da crise do STF, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A 15 dias das eleições, o centro se move, porém não caminha unido. Divide-se entre o medo da continuidade de Lula e o medo da volta do bolsonarismo ao poder

A proximidade das eleições começa a provocar um movimento de placas tectônicas no centro político. Liberais que rejeitam o governo Lula se aproximam do presidente por medo de uma vitória da extrema-direita. Conservadores que mantinham alguma distância do bolsonarismo ensaiam o voto útil em Flávio Bolsonaro para impedir a reeleição do petista. Em ambos os casos, a decisão não nasce da esperança, mas do medo.

Lula aposta todas as suas fichas na chamada “economia do afeto”, na feliz expressão do historiador Alberto Aggio: programas sociais, aumento da renda, proteção aos mais pobres e recuperação do poder de compra. O reajuste do Bolsa Família, anunciado a poucos dias do primeiro turno, tornou-se a expressão mais evidente dessa estratégia. O valor mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, com impacto estimado de R$ 5,8 bilhões neste ano.

Assombrações eleitorais, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Estamos em face do imenso risco de que o eleitorado compareça à mesa eleitoral como rebanho, e não como assembleia de cidadãos

De certo modo, os vitoriosos das eleições de 2026 já estão escolhidos faz tempo. Resta saber se serão confirmados no voto popular.

O que assombra é o caráter completamente anômalo do processo eleitoral. É a pouca ou quase nenhuma mudança na posição dos dois primeiros colocados na disputa pela Presidência da República por causas opostas. Ambos com alto índice de recusa e com não tão alto índice de opção eleitoral. O país à beira do abismo.

Isso não é normal. É normal investigar o ilícito na política, mas não é normal seguir o caminho do dinheiro suspeito e encontrar a religião, igrejas que aprisionaram Cristo no gazofilácio da coleta e da esmola. Até mesmo reduzido a diretor de agência bancária dentro do templo.

Quaquará quaquá: quem vai rir por último na eleição, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Vice-presidente do PT, Washington Quaquá, levou às redes sociais suas críticas à estratégia eleitoral e à postura da coordenação lulista

Vice-presidente do PT e principal liderança no Rio de Janeiro, mas alijado do restrito núcleo que toma decisões no partido e na campanha, Washington Quaquá cansou de ser ignorado, e ao contrário de outros petistas que se queixam em privado, levou às redes sociais suas críticas à estratégia eleitoral e à postura da coordenação lulista, que se fechou ao diálogo, e na sua visão, pode conduzir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao abismo.

“O Flávio [Bolsonaro] vai para a televisão de dentro de um supermercado e fala da vida real, e nós, falando de terras raras”, criticou Quaquá em vídeo, citando o projeto que regulamentou a exploração dos minerais críticos, cobiçados por Estados Unidos e China. Lula quer falar de soberania, pauta que não seduziu o eleitor.

Eficácia eleitoral do reajuste do Bolsa Família é duvidosa, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Se o monstro previsto por Mano Brown sair à rua antes da eleição não é o reajuste do Bolsa Família que vai resolver

O precedente que preocupa o PT nunca foi o de uma ação da oposição no TSE por uso eleitoral do reajuste do Bolsa Família a 17 dias da eleição. E não apenas por conta da impopularidade de um questionamento do gênero. Ainda que o Tribunal Superior Eleitoral seja presidido por um ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Kassio Nunes Marques, que está no meio do fogo cruzado no Supremo Tribunal Federal, a eleição de 2022 ofereceu um precedente tranquilizador.

A contestação ao pacote de bondades eleitorais de Bolsonaro naquele ano não progrediu. Na mesma tarde em que o deputado Zé Trovão (PL-SC) acionou o TSE contra o reajuste, o ministro sorteado para relatar o recurso, André Mendonça, a rejeitou. Não deixou de ser uma resposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, nesta quinta, o havia acusado de atuar como relator do Master no Supremo Tribunal Federal com interesse eleitoral.

Reajuste do Bolsa Família terá impacto maior no segundo turno, por César Felício

Valor Econômico

Aumento do pagamento do benefício não mira o eleitor independente, pêndulo; o alvo é o eleitor cativo

Ameaçado de perder a liderança das pesquisas nas sondagens do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se volta para suas fortalezas. O anúncio do aumento do pagamento do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 não mira o eleitor independente, pêndulo, das periferias das grandes metrópoles do Sudeste, aquele que em 2018 foi de Jair Bolsonaro, em 2022 marcou Lula e agora se divide entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O alvo é o eleitor cativo. Do ponto de vista eleitoral, o que se pode esperar é crescer em uma faixa em que o presidente já predomina.

Segundo a Quaest divulgada na segunda-feira, Lula está com 52% no Nordeste, região que concentra a maioria dos benefícios. Ficou neste patamar no último mês. Flávio oscila entre 19% e 20% e o dos demais candidatos entre 14% e 16%. Entre os eleitores apenas com ensino fundamental, Lula está com 44%, ante 25% de Flávio e 15% da soma dos demais. Também não há movimento relevante no último mês. De acordo com a BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira e única com um recorte específico para eleitores beneficiários do Bolsa Família, Lula tem 64% entre os recebedores do benefício, ante 20% de Flávio e 10% do restante. Ressalve-se que a pesquisa Quaest é presencial e a da BTG/Nexus por telefone.

Tudo menos STF, por Vera Magalhães

O Globo

Reajuste do Bolsa Família, ida a Nova York para Assembleia da ONU e outras medidas em estudo visam mudar de assunto e recuperar terreno perdido na disputa eleitoral

Lula tirou da cartola um reajuste do Bolsa Família, colocou na incubadora um Desenrola 2027, está de malas prontas para embarcar para Nova York para a Assembleia Geral da ONU a menos de duas semanas da eleição e prometeu até caneta emagrecedora no SUS. Qualquer assunto serve para virar a página da crise do Supremo Tribunal Federal (STF). Só falta os ministros sairem do meio do ringue e se tocarem de que o Palácio quer que voltem para atrás das cortinas.

A quinta-feira mostrou que eles ainda estão no veneno. Flávio Dino autorizou investigação da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários de repasses feitos pelo Master à concessionária que opera cemitérios municipais de São Paulo. A decisão se deu na mesma ação em que apareceu a menção a um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, mas, ao abrir a investigação, Dino fez questão de frisar que ela não deve atingir o colega.

O paradoxo do Master, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro é beneficiado por crise no STF

O escândalo do Banco Master pode dar votos ao único candidato que tomou dinheiro de Daniel Vorcaro? É o que parece acontecer na eleição presidencial, a julgar pelas pesquisas divulgadas nos últimos dias.

Dos 12 concorrentes, só Flávio Bolsonaro figura como beneficiário direto do esquema. Ele é investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro, a quem chamava de “irmão”.

Ao ser questionado sobre o rolo, o senador simulou indignação: “É mentira! De onde você tirou isso?”. Quando ficou claro que o mentiroso não era o repórter, ele mudou de tom e alegou ter pedido patrocínio para o que descreveu como uma “obra-prima”.

Conversar é difícil, por Waldomiro J. Silva Filho*

O Globo

O comum é adotar uma posição dogmática e assumir que nossas crenças, por serem nossas, são melhores e verdadeiras

Esta é a questão: somos, de fato, capazes de conversar com quem discordamos? Não me refiro às conversas cotidianas, quando trocamos informações, falamos sobre tempo e futebol. Essas conversas exigem que compartilhemos, uns com os outros, um terreno simbólico comum relativamente estável, tenhamos alguma confiança nas pessoas e a propensão a cooperar de acordo com expectativas convergentes.

Estou me referindo às situações em que “terreno comum”, “confiança” e “cooperação” podem estar momentânea ou duradouramente suspensos ou ameaçados. Chamo isso de “conversas difíceis”. Surgem quando, entre interlocutores, há desacordo, dúvida persistente ou incertezas diante de uma questão para a qual ninguém tem resposta adequada para além das próprias convicções e crenças pessoais. Em geral, esses são casos em que o objeto da disputa é crucial para a vida civil, quando o tema é política, moral, economia, educação... enfim, sobre como devemos conduzir nossas vidas. Em sociedades abertas e plurais, esses são assuntos inescapáveis, mas as divergências acerca deles também são inevitáveis.

O efeito Xandão no STM, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com crise no STF e Flávio eleito, golpistas vão sair da cadeia e manter patentes e privilégios

A enxurrada de notícias sobre relações do Banco Master e de Daniel Vorcaro com ministros do Supremo continua fazendo vítimas (que deveriam ser réus) e isso tem um efeito colateral num outro julgamento, este no Superior Tribunal Militar (STM): o da perda de patentes do ex-presidente e de altos oficiais condenados pela trama do golpe.

O processo foi aberto em fevereiro e, naquele momento, a tendência era francamente pela perda de patentes de generais, do almirante Almir Garnier e do capitão da reserva Jair Bolsonaro, mas isso vem mudando ao longo dos meses. Primeiro, para poupar dois generais, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira. Agora, pode desandar para poupar todos.

Um Congresso capaz de reformar o STF, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

No julgamento sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) demonstrou que é incapaz da tão desejada autocontenção.

Ao atropelar os ritos e a presidência da Corte, Moraes e sua retaguarda – os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes – deixaram evidente que o STF não consegue investigar e muito menos punir os seus próprios membros.

O Supremo está cheio de questões estruturais das quais o caso Master é apenas um sintoma. O diagnóstico já feito por ex-ministros do próprio STF, ex-ministros da Justiça e outros especialistas. O principal problema é a sobrecarga.

Eleição ainda depende da loteria das facadas, do poder de vazar podres, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mesmo com tumulto jurídico-policial, situação de Lula no Datafolha parou de piorar

Campanha petista não sabe o que fazer para tirar disputa do atoleiro imundo

Luiz Inácio Lula da Silva reajustou o valor do Bolsa Família em 15%. É providência eleitoreira, dirá qualquer pessoa que não esteja em coma ideológico, mesmo que seja a favor da medida, pelo motivo que for. Para quem precisa de auxílio de R$ 600, uns R$ 100 extras importam. Dá para uns dois quilos de carne moída e umas quatro dúzias de ovos nos lugares mais pobrezinhos do Brasil.

O resultado eleitoral, porém, é incerto. Vai dar tempo de fazer efeito? Um possível ganho marginal entre os beneficiados, na larga maioria já eleitora de Lula, pode vir a ser descontado por indignações de eleitores "nem-nem" (nem luliano, nem bolsonariano). Quem sabe não comova a pessoa necessitada, que viu a inflação comer seu auxílio durante Lula 3 quase inteiro.

Para Lula, é melhor que falem de Bolsa Família do que de Moraes, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Custo de R$ 22,7 bilhões do reajuste do programa em 2027 ficará com o próximo presidente eleito

Reajuste dá sinal de que bateu o desespero com chance de Lula ser derrotado por Flávio Bolsonaro

Se o presidente Lula (PT) tinha planos de fazer o reajuste do Bolsa Família antes das eleições presidenciais deste ano, deveria ter se planejado mais e melhor.

A 17 dias do primeiro turno, o sinal que a campanha do PT passa com o anúncio do Palácio do Planalto de uma correção de 15% do benefício é o de que bateu o desespero com a possibilidade de Lula perder a reeleição para o seu quarto mandato.

Se o reajuste fosse planejado, teria sido comunicado antes, para que tivesse mais tempo para fazer efeito. O novo valor, no entanto, começará a ser pago em 19 de outubro, menos de uma semana antes do segundo turno.

A materialização do absurdo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Enrolado no caso Master, Flávio Bolsonaro se beneficia do escândalo no Supremo

Governo Lula apela a populismo com reajuste no Bolsa Família, o que prejudica o próprio governo

O surrealismo às vezes se impõe, mas o Brasil faturará o troféu André Breton de Materialização do Absurdo se se confirmar um cenário em que a crise no STF leve à eleição de Flávio Bolsonaro.

Ora, a causa principal do esfacelamento reputacional da corte constitucional é o envolvimento de vários ministros com o ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Dos dois principais candidatos à Presidência da República, há apenas um comprovada, direta e profundamente enrolado nas tramas do Banco Master. Seu nome é Flávio Bolsonaro. Ofende a lógica que ele seja eleitoralmente beneficiado pelo escândalo no qual está metido. Mas um dos problemas da democracia é que ela não necessariamente se curva à lógica.

Supremo erode a própria moral de julgador, Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ao STF hoje não importa o mérito das questões; interessa as conveniências dos magistrados em litígio

Corte deixa de ser porto seguro na resolução de conflitos para se transformar em fonte geradora de atritos

Tenha a eleição o resultado que tiver, seja eleito quem for, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado com a legitimidade para discernir entre culpas e inocências.

A sessão de terça-feira (15) pôs a nu o que já se sabia, mas o arraigado sentimento de respeito à Justiça resistia em admitir: ao STF hoje não importa o mérito das questões; interessa, antes, o quanto os argumentos atendem às conveniências dos magistrados em litígio.

Eu e o comunismo, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se uma tartaruga morder o dedão do pé de Bolsonaro é porque deve ser comunista

Como posso ser comunista se sou fã de John Wayne, do Popeye e da Doris Day?

Meus leitores bolsonaristas –a quem agradeço pela fidelidade com que não perdem o que escrevo neste espaço-- costumam me honrar com a pecha de comunista. Não que me envaideça dessa classificação, porque, para eles, se uma tartaruga morder o dedão do pé de Jair Bolsonaro no quintal de sua luxuosa prisão domiciliar, será uma tartaruga comunista. Como deve haver tartarugas de todas as cores políticas, não posso falar por ela, mas, no meu caso, lamento decepcioná-los. Não sou nem nunca fui comunista. Sou Flamengo, o que me satisfaz com sobras em matéria de fé ideológica, partidária e religiosa.

Datafolha: Lula tem 46% e Flávio, 44% no segundo turno, por Joelmir Tavares e Lilian Venturini,

Valor Econômico

Cenário é de estabilidade e candidatos seguem em situação de empate técnico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 44% em eventual segundo turno entre os dois, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17). O cenário de empate técnico repete os percentuais alcançados por ambos nos dois levantamentos anteriores do instituto.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. No primeiro turno, o quadro também é de empate técnico: Lula marca 39%, enquanto Flávio aparece com 36%. Na rodada da semana passada, o candidato do PT atingia os mesmos 39%, enquanto o do PL tinha 35%. A oscilação do senador ocorreu dentro da margem.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre terça (15) e esta quinta-feira. Na terça, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve uma conturbada sessão para discutir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. O levantamento também é o primeiro feito pelo Datafolha após a revelação de que Flávio é alvo de uma investigação no caso do financiamento do filme "Dark Horse" pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.

Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 1º e 2º turnos, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Na primeira rodada, sob efeito da crise no STF, petista teria 39% e senador, 36%

Já no tira-teima da disputa testado pelo instituto, Lula tem 46% e Flávio, 44%

O novo levantamento do Datafolha sobre a corrida presidencial, feito em meio à turbulência institucional da crise no STF (Supremo Tribunal Federal), traz Lula (PT) com 39% das intenções de voto em primeiro turno, ante 36% de seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Há uma semana, o presidente marcava 39% e o filho do seu antecessor Jair Bolsonaro, 35%.

Na simulação de segundo turno agora, Lula segue com 46% e Flávio, com 44%, empate técnico na margem de erro de dois pontos para mais ou menos.