Folha de S. Paulo
/ Ilustríssima
Canção
interpretada por Nara Leão venceu festival na TV em 1966 e virou fenômeno
cultural
Versos
do músico de 22 anos uniram país em fase traumática e foram louvados por
Drummond
(Resumo) Em 10 de
outubro de 1966, "A Banda" despontou da 2ª edição do Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, para
a glória nacional, fazendo de seu autor, um jovem e tímido Chico Buarque de 22 anos, um ídolo de massa.
Nos dias seguintes daquele ano, como conta a reportagem a seguir, a passagem da
banda "cantando coisas de amor" foi um sopro de poesia em um Brasil
acossado pela ditadura, seduzindo jovens, bicheiros, militares e nomes ilustres
e díspares como Drummond, Nelson Rodrigues, dom Helder Câmara e Carlos Lacerda.
Uma canção de cinco estrofes, 33 versos e 190 palavras
elevou Chico Buarque a ídolo de massa. Em 10 de outubro de 1966, "A
Banda", de Chico, e "Disparada", de Theo de Barros e Geraldo
Vandré, dividiram o primeiro lugar do 2º Festival de Música Popular Brasileira,
da TV Record.
O empate, solução
ansiada por Chico, não as igualou em alcance. Defendida por Nara Leão, a marcha buarquiana virou um
fenômeno cultural, como se a história da passagem de uma banda emanasse do
imaginário brasileiro e a ele voltasse.
"Estava à toa
na vida/ O meu amor me chamou/ Pra ver a banda passar/ Cantando coisas de
amor// A minha gente sofrida/ Despediu-se da dor/ Pra ver a banda passar/
Cantando coisas de amor."