domingo, 8 de novembro de 2026

Violência política muda de forma nas últimas eleições presidenciais, por Angela Alonso

Folha de S. Paulo

Agressões a eleitores de partidos adversários se sobressaem em relação a assassinatos por matadores de aluguel

Levantamento preliminar indica mais casos de bolsonaristas hostilizando petistas que o oposto em 2022 e 2026

Um lado foi à luta e virou o jogo, o outro fugiu. Entre o mandato e o exílio, transcorreu a eleição.

O voto é a forma pacífica de resolver conflitos políticos, mesmo quando os lados são tão opostos como desta vez. Em princípio, nas democracias a urna tira de cena a força. "Em princípio" porque a democracia, em parte alguma, aboliu a violência política. Vira e mexe, ela assoma, em graus e doses variadas, como na pancadaria da polícia contra manifestantes na França ou em reações extremas dos que desaprovam o resultado. Viu-se isso nas eleições presidenciais passadas dos Estados Unidos e do Brasil.

A pornológica dos poderes, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Bom senso pede a palavra para indagar se o cinismo vai se sobrepor à vergonha na instituição que o abriga

A opinião pública mostra-se acanhada nos comentários sobre os escândalos

Há uma bizarra relação entre "De civilitate morum puerilium" ("Da civilidade dos costumes infantis", 1530), de Erasmo de Roterdã, e o comportamento recente de figura da alta magistratura brasileira. Na pequena ética que ensina às crianças como se conduzir em sociedade, Erasmo visibiliza regras relacionadas às transformações históricas: moderar os gestos, sentar-se à mesa, manter a higiene etc. Um marco importante na história da civilidade europeia: antes, comia-se farofa com a mão, cuspindo no prato.

Disputa no Senado impõe recuos à esquerda e à direita, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governo e oposição devem recalibrar as respectivas intensidades na corrida pelo comando do Congresso

Nenhuma das duas forças antagonistas tem fôlego para sustentar eternamente a dinâmica do conflito extremo

A revisão nos métodos de ação e pensamento não se impõe só à esquerda na definição do panorama político daqui em diante. A direita também terá de fazer ajustes de procedimentos para se manter relevante no papel de oposição.

Nenhuma das duas correntes tem fôlego para sustentar a dinâmica do conflito extremo, que tende a se esgotar com o tempo. Pela ordem natural das coisas, não há ânimos que se mantenham eternamente exacerbados nem energias hiperativas que as circunstâncias não arrefeçam.