terça-feira, 5 de abril de 2011

Oposição cobra agilidade do Supremo

BRASÍLIA. Com a divulgação do relatório final da PF sobre o mensalão, os partidos de oposição se uniram para pedir agilidade no julgamento dos acusados pelo Supremo Tribunal Federal e, ao mesmo tempo, cobrar explicações da presidente Dilma Rousseff pela manutenção de alguns dos suspeitos em seu governo. Uma das preocupações da oposição é com a possibilidade de prescrição dos crimes antes do julgamento. Do outro lado, no Palácio do Planalto, a ordem é tentar descolar o mensalão do governo Dilma, tratando-o como coisa do passado.

No Senado, o líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), disse que o importante é evitar que o STF demore a julgar os crimes, já que alguns prescrevem em agosto. PSDB e DEM pressionarão pela aprovação, na Câmara, de projeto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que amplia as penas e os prazos de prescrição de crimes para até 30 anos. Hoje, o máximo é de 20 anos.

- Os fatos eram conhecidos, mas agora estão comprovados oficialmente - disse Dias.

- A bola toda está com o Supremo e com o Ministério Público - acrescentou Demóstenes Torres.

Para o PPS, o crime de formação de quadrilha prescreverá na última semana de agosto, livrando 22 dos 38 réus da acusação. A oposição cobrou explicações do governo Dilma. A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) lembrou que José Genoino - presidente do PT na época - foi nomeado assessor do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e que João Paulo Cunha (PT-SP), réu do mensalão, agora é presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

- Senhora presidente, a mensagem subliminar que está sendo levada à sociedade é que todos os crimes podem ser cometidos contra o interesse público porque nunca haverá punição - disse Marisa Serrano.

O senador Wellington Dias (PT-PI) reagiu:

- Tenho a convicção, conhecendo a presidente Dilma, de que ela não hesitará em adotar as medidas necessárias para coibir qualquer ato criminoso.

No Planalto, auxiliares da presidente reconhecem que o relatório da PF tem credibilidade, mas que o alvo não é o governo. A aposta é que a alta popularidade de Dilma ajuda a criar um escudo em torno dela.

- O governo não tem nada com isso. Espera que o julgamento técnico seja feito pelo Supremo. Para o governo, é página virada em termos de debate. Esse é um assunto da oposição - disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT).

O deputado Vicentinho (PT-SP) criticou a inclusão de seu nome no relatório da PF:

- Considero um erro grave da Polícia Federal ter ouvido este senhor Nélio e em nenhum momento, durante sete anos, ter procurado a mim e à minha assessoria para nos ouvir - disse Vicentinho, confirmando que, em 2003, procurou Delúbio Soares para pedir ajuda para sua campanha e que recebeu a visita de Marcos Valério: - Ele foi uma vez a São Bernardo, uma conversa muito rápida, perguntou se estava correndo tudo bem.

FONTE: O GLOBO

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