domingo, 8 de julho de 2012

Em SP, candidatos buscam eleitores de Marina Silva

Conceito de sustentabilidade está presente em todos os programas de governo a serem debatidos; postura ética também pesará

Julia Duailibi, Felipe Frazão

Em busca de 1,3 milhão de votos que a então presidenciável do PV Marina Silva teve na eleição de 2010 na cidade de São Paulo, os candidatos à Prefeitura criaram estratégias próprias para alcançar os "marineiros", que hoje representariam cerca de 15% dos 8,6 milhões de eleitores da capital.

Ainda sem saber para onde esse voto migrará, analistas tucanos e petistas avaliam que se trata de um eleitor sensível ao tema da sustentabilidade e da ética. É também alguém que está cansado da dinâmica PT versus PSDB.

Há ainda outro perfil de eleitor "marineiro", que seria o paulistano conservador, concentrado na periferia e evangélico, religião da ex-candidata a presidente. Nas pesquisas qualitativas do grupo de Marina, porém, há uma certeza: o eleitor dela é o formador de opinião. O voto religioso teria sido decisivo na votação geral dela.

A ex-senadora pelo Acre e ex-ministra do Meio Ambiente teve votos espalhados por toda a cidade (veja mapa). Mas obteve desempenho melhor em Lauzane Paulista, zona norte, com 23,67% dos votos. A região tem maioria de católicos (53%), de acordo com o Datafolha de 2008. A maior parte da população, 57%, tem renda acima de 3 salários mínimos. O pior desempenho foi em Parelheiros, zona sul, com 16,21% dos votos. O bairro tem 25% de evangélicos. Lá 71% da população (71%) ganha até 3 salários mínimos.

Mesmo em busca dos "marineiros", os candidatos relativizam a importância de receber apoio público de Marina, porque ela não elegeu nenhum parlamentar de seu grupo em 2010 e não pretende declarar seu voto agora, conforme sinalizou a aliados - apesar da histórica relação com o PT, ao qual foi filiada.

A aliança do PT com o deputado Paulo Maluf (PP) é apontada como impeditivo ao candidato Fernando Haddad por membros do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), do qual Marina faz parte. Integrantes do IDS inclusive colaboram com o programa de governo de Haddad - é o caso, por exemplo, de Maria Alice Setubal.

Marina já conversou com emissários do PT, como o coordenador do programa de governo de Haddad, Aldo Fornaziere. A ex-senadora também já conversou com a candidata Soninha Francine (PPS), que adotou o slogan "Um sinal verde para São Paulo" e é a que propõe com mais veemência intervenções ambientais. Ela tem ao lado o empresário Ricardo Young, candidato a vereador - até agora, único apoiado pela ex-ministra. Assim como Marina, ele abandonou o PV em 2011. O PPS tenta agendar evento de Young com Marina e Soninha para o dia 12. "Não poderíamos deixar nosso eleitor sem um tipo de comunicação", diz Young.

Além de Haddad e Soninha, Gabriel Chalita (PMDB) e Carlos Giannazi (PSOL) assinaram compromissos de governo da ONG Cidades Sustentáveis. Giannazi diz tratar de sustentabilidade há 30 anos. E levar vantagem pela conduta ética. Chalita pediu ajuda ao ex-marineiro Fábio Feldmann para elaborar seu programa de governo, focado em reduzir desigualdades da cidade, incentivando a economia sem danos ao ambiente.

José Serra (PSDB) quer divulgar as ações no governo do Estado e na Prefeitura. O programa dele tem um capítulo voltado para bicicleta e mobilidade e outros sobre a questão ambiental - preparados pelos secretários adjuntos do Estado, Rubens Rezeck, e do Município, Leda Ascherman.

Celso Russomanno (PRB), que comprou briga pela volta das sacolinhas plásticas aos supermercados - ato visto como ecologicamente incorreto -, diz ser defensor do meio ambiente e que para ele "falar sobre meio ambiente é passear". Paulinho da Força (PDT) quer tratar os problemas ecológicos mais graves em cada subprefeitura da periferia, promovendo o que chama de "desenvolvimento integrado".

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

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