sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A versão sobre como R$ 326 mil passaram de mão em mão

Diante dos ministros do STF, defensor de Pizzolato alega que o cliente não sabia ter dinheiro em espécie no envelope que recebeu de Valério e deu ao PT

Jailton de Carvalho

BRASÍLIA - O advogado Marthius Sávio Lobato teve dificuldades para explicar ontem por que o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato recebeu um pacote com R$ 326.660 de Marcos Valério, dono da agência de publicidade DNA Propaganda e apontado como operador do mensalão. Segundo ele, Pizzolato recebeu um pacote fechado enviado por Valério e o repassou a um emissário do PT do Rio sem conhecer seu conteúdo. O advogado não soube dizer por que Pizzolato não teve curiosidade de abrir o pacote ou de perguntar a Valério o que havia nele.

- Era comum pedir fitas, documentos de viagens. Não havia nada que pudesse parecer estranho (no recebimento da encomenda) - disse Lobato, em entrevista logo depois da apresentação da defesa de Pizzolato no plenário do Supremo Tribunal Federal.

O advogado disse que Pizzolato e Valério se conheceram em fevereiro de 2003 e não eram amigos. A relação seria só profissional. Lobato deixou perguntas sem resposta durante a sustentação oral da defesa. Apesar de ter feito longa explanação sobre como o Banco do Brasil libera recursos para agências de publicidade a partir de decisões colegiadas e ainda ter explicado o funcionamento do Fundo Visanet, o advogado foi breve ao falar sobre o pacote de dinheiro.

Disse que uma secretária de Valério ligou e pediu para que ele fosse a um escritório buscar uma encomenda. O ex-diretor de Marketing não estranhou a missão de auxiliar de escritório que acabara de receber. Mas, como tinha outros compromissos, pediu que um contínuo fizesse o trabalho. No mesmo dia, repassou o pacote a um emissário do PT do Rio sem saber o que tinha dentro.

- Ele não tinha conhecimento de que era dinheiro. Ele não sabia de que se tratava de dinheiro. Entregou um pacote, não o abriu - alegou o advogado, falando aos ministros.

Pizzolato participou da campanha eleitoral do ex-presidente Lula em 2002 e, até o surgimento das denúncias sobre o mensalão, era um influente líder dentro da máquina do PT. Quando se viu alvo das primeiras acusações, Pizzolato negou irregularidades com as verbas de publicidade da Diretoria de Marketing do Banco do Brasil. No auge da crise, atribuiu parte da responsabilidade por eventuais problemas ao ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Luiz Gushiken.

O ex-ministro chegou a ser denunciado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Mas, na sexta-feira passada, Gurgel pediu a absolvição de Gushiken por falta de provas. Ainda assim, manteve as acusações contra Pizzolato. O ex-diretor deixou o banco em meio à confusão do mensalão.

FONTE: O GLOBO

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