segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lições do primeiro turno - João Bosco Rabello


Ainda é cedo para avaliações mais amplas das eleições municipais, cujo primeiro turno foi encerrado ontem. Um balanço das conquistas dos partidos só deverá ser feita mais à frente. Mas algumas conclusões com base nas apurações do primeiro turno independem de confirmação no segundo. Uma delas, a de que o PSDB, ainda que desnorteado no Congresso Nacional, mantém-se como referência de oposição.

Já vitorioso em Maceió, disputa o segundo turno em mais oito capitais, enquanto o DEM, ex-parceiro de poder, definha e caminha para uma fusão com o PMDB ou simplesmente para a dispersão de seus quadros. Elegeu no primeiro turno o prefeito de Aracaju, o veteraníssimo João Alves, e lidera a disputa em Salvador no segundo turno. Mas é só - e muito pouco para manter-se em cena.

Ficou em quarto lugar em Natal, capital que tem o único governo estadual, e é reduto de seu presidente, senador José Agripino. E o ex-presidente do partido, Rodrigo Maia, registrou humilhantes 2,9% de votos no Rio de Janeiro.

O PMDB provavelmente continuará sendo o partido a eleger maior número de prefeitos, dada a sua capilaridade, mas, à exceção do Rio de Janeiro, não tem cidades estratégicas sob seu comando. Conserva seu papel de coadjuvante que, ao mesmo tempo, lhe garante um histórico poder de barganha no mercado político.

As vitórias acachapantes no primeiro turno em Belo Horizonte e Recife - onde enfrentou o PT, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma -, faz do governador de Pernambuco Eduardo Campos, o mais beneficiado pelos resultados até agora. Seguido pelo senador Aécio Neves (PSDB), que capitaliza também a vitória de Márcio Lacerda (PSB), de quem foi aguerrido cabo eleitoral.

É a afirmação das duas lideranças mais notórias da nova geração política, que costuram seus planos presidenciais em contexto de respeito cúmplice - Aécio programado para 2014 e Campos para 2018, se a economia não conspirar contra a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff antes disso.

O ex-presidente Lula reafirmou sua capacidade de transferência de popularidade: ainda que em ritmo bem mais lento e sofrido levou seu candidato, desconhecido do eleitorado, Fernando Haddad, ao segundo turno em São Paulo. Ao contrário da presidente Dilma, que saiu derrotada da eleição mineira.

Por fim, os dados de saturação do eleitorado com os velhos caciques: Jader Barbalho, no Pará, não logrou mais que 8% dos votos para seu candidato; o de José Sarney, no Maranhão, está fora do segundo turno; Siqueira Campos (TO) perdeu no primeiro turno para um súbito colombiano; Renan Calheiros e Fernando Collor sequer chegaram ao final da disputa: o candidato de ambos, Ronaldo Lessa teve o registro cassado, quando já perdia para Rui Palmeira.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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