quinta-feira, 18 de outubro de 2012

PMDB. O ganhador, até agora, do 2º turno – Jarbas de Holanda


Podendo consolidar-se, ou ser revertida, a vantagem nas primeiras pesquisas para o pleito paulistano do petista Fernando Haddad sobre o tucano José Serra – vantagem que se confirmada terá o ex-presidente Lula como principal vencedor e, num cenário oposto, como grande derrotado -, as disputas do 2º turno das eleições municipais apontam já, antes mesmo de serem definidas, o par-tido que está obtendo ou tirando mais benefícios do acirramento delas. Trata-se do PMDB (com a executiva partilhada pelos grupos de Michel Temer e de José Sar-ney/Renan Calheiros) que, subordinando objetivos eleitorais a prioridades político-administrativas, aproveitou a polarização entre o PSDB e o PT no principal embate do dia 28 de outubro (em torno da prefeitura de São Paulo) para garantir mais um ministério no governo Dilma, em troca do apoio de Gabriel Chalita a Haddad. Desdobrando o que fez no turno inicial, na outra disputa de importância equivalente – a travada em Belo Horizonte – ao retirar a candidatura partidária de Leonardo Quintão em favor da do petista Patrus Ananias, articulada pessoalmente pela presidente Dilma na tentativa, mal sucedida, de infligir uma derrota ao senador Aécio Neves, patrono do candidato à reeleição Márcio Lacerda, do PSB. No primeiro lance, negociando compensação de mais espaço nas estatais da União; e, agora, complementando isso com um compromisso do Palácio do Planalto para a nomeação de Chalita para um ministério, independentemente do sucesso eleitoral do candidato apoiado.

Outro fator que favoreceu e valorizou muito o papel governista do PMDB (ademais da aguda necessidade das campanhas de Patrus, no 1º turno, e de Haddad, no 2º, de um respaldo do PMDB), configurou-se com o expressivo crescimento do PSB, gerado sobretudo em confrontos contra adversários petistas em capitais e grandes cidades, e com a emergência de seu presidente, o governador de Pernambuco Eduardo Campos como liderança nacional que, embora ainda vinculada à base governista, adota posturas cada vez mais independentes, podendo em 2014 disputar a presidência ou articular-se com a oposição liderada por Aécio Neves. A repetição no 2º turno de conflitos entre o PSB e o PT – em Fortaleza, em Campinas e em Manaus, onde os pessebistas apoiam o tucano Arthur Virgílio – reforça as desconfianças que o lulismo e a presidente Dilma passaram a nutrir quanto a Eduardo Campos. Tudo isso ampliando a dependência do governo em relação ao comando nacional do PMDB. Dependência, aliás, já reconhecida há vários meses – diante dos in-dícios de fragmentação da base governista no Congresso constatados na montagem das alianças para o pleito mu-nicipal – que forçou Dilma e Lula a comprometerem-se com a candidatura do peemedebista Henrique Eduardo Alves à próxima presidência da Câmara dos Deputados, desautorizando e barrando a articulação de um nome do PT para o cargo.

Outras disputas referenciais para o PT e a oposição

Dentre os embates em capitais marcados por essa polarização destacam-se o de Salvador, de ACM Neto, do DEM, contra Nelson Pelegrino, do PT, e o de Manaus, Arthur Virgílio, do PSDB, versus Vanessa Grazziotin, do PC do B, com apoio do PT. Ambos nacionalizados a partir de forte participação de Lula e da presidente Dilma contra “adversários de longa data e irrecuperáveis”, segundo um dirigente petista. Mas que contam, o primeiro, com a adesão do PMDB baiano dirigido por Geddel Vieira Lima e, o segundo, com o apoio do presidente do PR da base governista federal, o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, bem como do PSB. Outras disputas com polarização semelhante se travam em Belém, Zenaldo Coutinho, PSDB, versus Edmilson Rodrigues, PSOL, apoiado pelo PT; em João Pessoa, Luciano Cartaxo, PT, contra Cícero Lucena, PSDB; em Rio Branco, entre Marcos Alexandre, PT, e Tião Bocalon, PSDB. O mesmo ocorre em nove grandes cidades das 33 que têm 2º turno: as paulistas Campinas, entre o candidato do PT, Márcio Pockmann, indicado pessoalmente por Lula, e o do governador Geraldo Alckmin, Jonas Donizetti, do PSB, Santo André, Guarulhos e Taubaté; a mineira Juiz de Fora, entre Margaria Salomão, do PT, e o concorrente apoiado por Aé-cio Neves, Bruno Siqueira, do PMDB; a gaúcha Pelotas, Eduardo Leite, PSDB, e Marroni, PT; a paranaense Ponta Grossa, entre Marcelo Rangel, do PPS, e Péricles, do PT; a paraibana Campina Grande, entre Romero Rodrigues, PSDB, e Tatiana, da coligação PMDB-PT. Uma capital de forte peso político e eleitoral, Fortaleza, vive a nova polarização entre o PSB e o PT configurada no Nordeste e em Minas. Lá se repete no 2º turno o cenário local e recifense do primeiro, de confronto entre os dois partidos: entre o candidato do governador Cid Gomes, o pessebista Roberto Cláudio, e o petista Elmano de Freitas, vinculado à prefeita Luziani Lins.

Jarbas de Holanda é jornalista

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