segunda-feira, 9 de julho de 2012

OPINIÃO DO DIA - José Arthur Giannotti: ação política

A ação política tem efeitos muito peculiares no seu próprio modo de ser. Depois de eu ter pintado uma parede de uma cor, que mais tarde se mostra inadequada, nada me impede de repintá-la, pois a parede continua lá. Isso não acontece quando preparo um alimento que, passando de seu ponto de cozimento, não pode mais ser comido. A ação política é uma espécie de cozimento do coletivo, que, passando do ponto, destrói a unidade social. A corrupção política assumida não apodrece o Estado?

Há intelectuais que fazem política como se pintassem paredes. Constatam que a ação política vem sempre acompanhada de corrupção e, deixando de lado as peculiaridades de cada uma de suas formas, simplesmente aderem a esta ou àquela posição política, sem levar em conta a dinâmica da corrupção nela inscrita. Atuam como se fossem cozinheiros que pouco se importam quando servem alimentos ultracozidos.

José Arthur Giannotti, filósofo, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP); é pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). ‘Corrupção e política’, O Estado de S. Paulo, 8/7/2012

A indecifrável agenda de Agosto:: Wilson Figueiredo

Em agosto – olha ele aí – o planeta Marte, também condenado a girar eternamente redor do Sol, mas em órbita externa à da Terra, será visto, no final do mês, mais perto do que nunca antes neste sistema solar. Deve apresentar alguma contribuição nova, além de reavivar as antigas. A oportunidade vem a calhar para a ciência e as superstições. E, entre uma e outras, uma robusta reflexão sobre as comissões parlamentares de inquérito e a baixa produtividade a que se limitam cada vez mais.

Até lá, muito terá acontecido e não pouco deixado de acontecer pelas razões de sempre. Na abalizada opinião de Paulo Maluf, o ex presidente Lula foi o governante que deu aos banqueiros o melhor tratamento, pelo menos, desde a proclamação da República. E Maluf não ficou no cálculo preliminar de situá-lo à direita e se localizar à esquerda, deixando implícito que amigos são para horas difíceis. E mais não disse, nem precisava, depois de cobri-lo com silêncio obsequioso.

Como é sabido, Luiz Inácio Lula da Silva, por extenso, perdeu o rumo desde que o terceiro mandato, ambicionado por fora da órbita constitucional, passou a tentá-lo.Lula ainda não atinou com o papel que possa representar.Ou talvez, por isso mesmo, não modifique a naturalidade com que passa de um ponto de vista para o oposto. No processo do mensalão, declarou nada saber e, mais tarde, confirmou aos procuradores que estava a par do tudo. Já voltou a negar que soubesse e adotou a negativa, daí por diante. E se esquivou das conseqüências.

Perdida a esperança do terceiro mandato, apostou as fichas todas na candidatura de Dilma Rousseff. Daí por diante, ninguém conseguiu contê-lo. Os sinais exteriores atestam que se trata de um candidato nato a presidências disponíveis. Uma reeleição, qualquer uma, lhe reserva prioridade e o faz sentir-se na casa da sogra. Sua oratória deita e rola nas assembléias sindicais.

De tanto se repetir, a História também passa perto, mas não cede à farsa do terceiro mandato, embora mantenha a aparência superior de ir para trás mesmo quando segue em frente. Ou vice-versa. Assim, no caso de Lula, o empresário perfeito para a temporada não podia ser senão Paulo Maluf. É o capítulo a ser escrito como lição de que a democracia escolhe personagens de acordo com as necessidades. Pode ter sido a pedra no caminho de volta do doutor Honoris Causa ao poder.

Agosto, tudo indica, e graças ao mensalão, não ficará para trás. Mas convém relativizar os pressentimentos desatados e as conveniências com peso específico, sempre presentes na tradição brasileira. O hipotético eixo em torno do qual vai girar o mês de agenda indecifrável será aquele mensalão que marcou para sempre o primeiro mandato de Lula e talvez explique o estilo à vontade com que se considera presidente para sempre, mas sem vice.

O mês em questão é Agosto e, pela ordem natural ou qualquer outra, a fatalidade recairá desta vez sobre os mensaleiros. Para compensar os imprevistos de que nenhuma das Américas, abaixo ou acima do Equador, está livre, o número artístico de abertura da temporada coube à dupla de bailarinos formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Maluf, que estavam em recesso por motivos pessoais de cada um.

A cena foi digna de figurar na Agenda de Agosto: Lula, na condição inferior de ex-presidente, foi procurar ocupação, desafiou a memória nacional e bateu à porta do solar de Paulo Maluf. Ficou sabendo, por intermédio do próprio, que a História pode não se repetir, mas recicla a matéria prima acumulada.

Com aumentativo e tudo mais, o mensalão não diz com exatidão o que foi, nem o que será depois do julgamento em Agosto. Estava guardado como peça decisiva para distinguir a democracia, à moda de Lula, aos bofetões e palavrões. Mesmo como antídoto para os eflúvios do mês, o mensalão veio a ser o recurso a que o PT recorreu em companhia das legendas que não chegam a ser realmente partidos políticos, nem acrescentam sequer elegância à própria arte de furtar. Em dois mandatos e meio, Lula perdeu tempo irrecuperável e o petismo ficou valendo menos ao câmbio não contabilizado do dinheiro que correu por fora da própria contabilidade.

O mensalão não diz nem dez por cento do que realmente foi movimentado mediante contas bancárias dos prestimosos parlamentares e burocratas arrolados pela oportunidade de servir ao governo e servir-se. Perdeu-se tempo precioso à espera de não se sabia exatamente o que iria acontecer. Lula se sentiu um gigante, não pela própria natureza, mas por falta de oposição, que não precisa ser golpista – nem parecer _ para se apresentar vestida de branco.O país deu uma freada de arrumação, que primeiro desarrumou e agora tenta botar ordem na casa da sogra. Pode parecer, e parece mesmo, que a presidente Dilma se dá por provisoriamente satisfeita, mas nunca se saberá antes de tudo estar consumado.

É jornalista

FONTE: JORNAL DO BRASIL

Manchetes de alguns dos principais jornais do Brasil

O GLOBO
Eleições 2012 - Carioca gasta R$ 63 por ano para sustentar vereadores
Diga-me com quem andas...

FOLHA DE S. PAULO
CUT ameaça ir às ruas em defesa dos réus do mensalão
Críticos discutem se há problemas de segurança na urna eletrônica
São Paulo contra todos

O ESTADO DE S. PAULO
Nordeste lidera ranking da inadimplência
Dilma enfrenta pressão da CUT por salário
Leis nacionais dificultam combate à aids, diz ONU
ITA investe em inovação e busca parcerias

VALOR ECONÔMICO
Petrobras põe refinarias à venda nos EUA e no Japão
Projeto cria alternativa ao rigor da CLT
Volta para dentro

BRASIL ECONÔMICO
Governo pressiona Petrobras e Vale para que acelerem investimentos
Juro baixo traz economia de R$ 2 bi nas reservas
Mercado espera novos cortes na taxa Selic
"Responderei todas perguntas na CPI ", diz Paulo Preto
O legado da Revolução de 32 na indústria de SP

CORREIO BRAZILIENSE
Maus-tratos a consumidores
Greve expõe crise nas universidades

ESTADO DE MINAS
Indústria reage contra a turbulência
Patrimônio de vereador sobe até 23.460% em quatro anos

ZERO HORA (RS)
Planalto cobra da ALL recuperação de ferrovias no Estado
Batalha na Justiça barra divulgação de salários
Dilma segura salário de servidor e encara a CUT

JORNAL DO COMMERCIO (PE)
Crise PT-PSB
Governo comprará caprinos e ovinos de vítimas da seca

FAP lança livro "O PCB-PPS e a Cultura Brasileira" amanhã no Rio

Lançamento do livro "O PCB-PPS e a Cultura Brasileira: Apontamentos", do historiador carioca Ivan Alves Filho

Teatro Casa Grande - Avenida Afrânio Melo Franco, 290 - Leblon, às 19h30

Por: Assessoria da FAP

Na próxima terça-feira, dia 10 de julho, será lançado no Teatro Casa Grande, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, às 19h30, o livro O PCB-PPS e a Cultura Brasileira: Apontamentos, do historiador carioca Ivan Alves Filho, A iniciativa é da Fundação Astrojildo Pereira, que editou a obra.

Como se sabe, a política vem estimulando a cultura e mesmo a reflexão filosófica mais profunda, desde pelo menos a Revolução Francesa, para nos atermos ao início da chamada modernidade. Não foram poucas as obras literárias e artísticas escritas no chamado calor da luta. Naturalmente, a atividade cultural não se reduz a essa ou aquela ideologia, mas ela tampouco pode ser desligada do seu contexto histórico.

No Brasil, não seria muito diferente. Afinal, este é o país das sínteses, a terra da pluralidade, o que envolve ainda a cultura, uma prática fundamentalmente agregadora e inclusiva. Assim, temos o tradicional e o moderno reunidos por ela. A reflexão e a ação também. A junção do erudito com o popular. E ainda a fusão de experiências e representações dos mais diversos horizontes, senão continentes. Todas essas características, muitas vezes entrelaçadas, contribuíram para forjar a cultura brasileira, tal qual nós a conhecemos hoje.

Um partido político - O PCB, nascido há exatamente 90 anos e do qual se originaria o PPS - entendeu a importância da cultura no processo de aproximação dos comunistas com as massas populares. Até porque, muito perseguido ao longo da nossa conturbada história republicana, o partido não tinha, por momentos, como se apresentar com rosto próprio à sociedade brasileira. Os intelectuais e os artistas faziam isso por ele. Chegavam aonde o partido não podia chegar. E, como não é possível colocar toda uma cultura na cadeia, a estratégia foi dando certo...

Nomes do peso de Oscar Niemeyer, Jorge Amado, Ferreira Gullar, Djanira, Portinari, Rachel de Queirós, Di Cavalcanti, Solano Trindade, Nelson Werneck Sodré, Caio Prado Júnior, Plínio Marcos, Joel Rufino dos Santos, Dias Gomes, João Saldanha, Darcy Ribeiro, Luiz Werneck Vianna, Mércio Pereira Gomes, Mário Lago, João Batista de Andrade, Vladimir Carvalho, Mário Schemberg, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Edison Carneiro, Astrojildo Pereira, Oswald de Andrade e Pagu, entre tantos outros, pertenceram ao mais antigo partido surgido no Brasil. Eis o que transformou o PCB-PPS em uma espécie de partido da inteligência brasileira, criando jornais, companhias de teatro e cinema, fomentando revistas, inaugurando cine-clubes, organizando seminários pelo país afora, durante décadas a fio.

Como a importância da cultura só faz crescer, nesses tempos de capitalismo cognitivo - onde o conhecimento assume o papel de verdadeiro meio de produção -, eis o que torna a leitura deste livro ainda mais atual e atraente.

CUT ameaça ir às ruas em defesa dos réus do mensalão

Maior central sindical do país, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) ameaça sair às ruas para defender os réus do mensalão. O julgamento no Supremo Tribunal Federal começa em agosto. "Não pode ser um julgamento político. E se isso ocorrer nós questionaremos, iremos para as ruas", disse o bancário Vagner Freitas, novo presidente da central sindical, em entrevista a Mariana Carneiro.

CUT diz que irá às ruas para defender réus do mensalão

Novo presidente da central sindical ameaça reagir a julgamento "político"

Sindicatos abriram espaço para defesa do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT nos últimos meses

Mariana Carneiro

SÃO PAULO - O novo presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, 46, diz que pode levar às ruas a força da maior central sindical do país para defender os réus do mensalão, que começarão a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal em agosto.

"Não pode ser um julgamento político", disse Freitas à Folha. "Se isso ocorrer, nós questionaremos, iremos para as ruas." Freitas será empossado presidente no congresso que a CUT realizará nesta semana em São Paulo.

A abertura do evento hoje deverá contar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A central nasceu como uma espécie de braço sindical do PT nos anos 1980 e a maioria dos seus dirigentes é filiada ao partido.

Freitas disse temer que o julgamento do mensalão se transforme em mais um campo de batalha entre os petistas e seus adversários, e afirmou que isso poderia colocar em risco os avanços sociais conquistados pelo país após a chegada do PT ao poder.

"Nós vivemos um bom momento político e a estabilidade é importante para os trabalhadores", disse o sindicalista. "Não queremos umpaís desestabilizado por uma disputa político-partidária, entre o bloco A e o bloco B."

Se isso acontecer, a central não ficará de braços cruzados: "A CUT é um ator social importante e não vai ficar olhando", afirmou Freitas.

Em 2005, quando o escândalo do mensalão veio à tona, a CUT reuniu 10 mil pessoas em Brasília para uma manifestação em defesa do governo Lula. O protesto foi organizado logo depois da queda do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, um dos réus do processo no STF.

Nos últimos meses, sindicatos ligados à CUT serviram frequentemente de palco para os réus do mensalão apresentarem sua defesa. O próprio Dirceu foi a congressos estaduais da central neste ano para falar sobre a conjuntura política e o julgamento.

No ano passado, foi numa plenária da CUT em Guarulhos, na Grande São Paulo, que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares lançou uma campanha para mobilizar militantes em sua defesa.

Delúbio, que foi dirigente da CUT antes de cuidar das finanças do PT, foi expulso do partido no auge do escândalo e reintegrado no fim do ano passado. Ele e Dirceu receberam manifestações de apoio nos encontros da central.

Ligado ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Freitas será o primeiro representante da categoria a comandar a CUT, que foi dirigida por metalúrgicos do ABC paulista na maior parte dos seus quase 30 anos de existência.

Há duas semanas, ele liderou uma manifestação que reuniu 2.000 militantes na avenida Paulista, no centro de São Paulo, para protestar contra a situação do transporte público da cidade e fazer ataques ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Nas eleições deste ano, os problemas na área de transporte são um dos principais temas do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. O ex-governador José Serra (PSDB) concorre com o apoio de Kassab e Alckmin e é apontado pelas pesquisas como favorito.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Dilma enfrenta pressão da CUT por salário

Com a previsão de baixo crescimento na economia, a presidente Dilma Rousseff está disposta a resistir às pressões por reajustes dos servidores. Nos próximos dias, a CUT fará acampamento na Esplanada dos Ministérios em mobilização para greve geral do funcionalismo.

Sem Lula no Planalto, CUT aumenta pressão sobre Dilma por salário maior

Marta Salomon, Tânia Monteiro

BRASÍLIA - Às vésperas de enfrentar um acampamento de servidores públicos na Esplanada dos Ministérios, mobilizados para uma greve geral do funcionalismo, a presidente Dilma Rousseff pôs fim à lua de mel do governo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT. A interlocutores, deixou claro que está mais preocupada com o controle dos gastos públicos.

A principal orientação de Dilma Rousseff para lidar com as reivindicações dos servidores - mobilizados pela CUT - é resistir às pressões que elevem os gastos com pessoal, hoje em quase R$ 200 bilhões anuais. A orientação é baseada na expectativa de um crescimento ainda menor da economia neste ano.

"Por enquanto, não tem negociação, tem enrolação", ataca o presidente da CUT, Artur Henrique. Depois de conversar com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, principal interlocutor do governo com os movimentos sociais, o presidente da central diz que não lhe pediram moderação. "Ninguém seria louco de fazê-lo", diz Artur Henrique.

Mudança de cenário. Ele contabiliza 248 greves de servidores entre 2003 e 2010 para negar que a relação da CUT com o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido tranquila, mas insiste que o cenário mudou depois da posse de Dilma Rousseff, em janeiro de 2011.

Dados sobre gastos com o funcionalismo público mostram que a folha de salários cresceu acima da inflação desde 1995, início do primeiro governo Fernando Henrique Cardoso. O aumento foi maior a partir do primeiro mandato de Lula. Em valores corrigidos pela inflação, o gasto com pessoal nos três Poderes caiu em 2011 em relação ao ano anterior, calculou a ONG Contas Abertas. Na proporção com o Produto Interno Bruto (PIB), os gastos com pessoal vêm caindo desde 2010.

"Não dá para retroceder em relação aos oito anos de governo Lula", reclama o presidente da CUT. "Não dá para esticar essa corda", diz, cobrando uma resposta rápida do governo, o que, segundo ele, poderia evitar uma greve geral dos servidores.

Lei orçamentária. O prazo para o envio ao Congresso da proposta com a previsão de gastos para a correção dos salários em 2013 é 31 de agosto, quando o governo formaliza o projeto de lei orçamentária para o ano que vem. O governo insiste que não apresentará uma resposta aos sindicalistas antes do fim do mês, como cobra a CUT e entidades sindicais filiadas à central.

Até lá, para a preocupação do governo, policiais federais e auditores fiscais ameaçam aderir ao movimento, iniciado há quase dois meses pelos professores universitários, e que já envolve servidores de 26 setores em 22 Estados e no Distrito Federal. Um acampamento na Esplanada está marcado para ocorrer entre os dias 16 e 20.

O governo tenta conter a tensão com os servidores, pelo menos até o governo encontrar uma contraproposta aos funcionários que já pararam ou ameaçam cruzar os braços, provavelmente envolvendo acenos para 2014, último ano de mandato da presidente. Militares são tratados como um capítulo à parte.

"Estamos diante de um jogo de xadrez bem complexo, em que o movimento de um peão pode pôr em risco a posição do rei: quando movermos uma peça, temos de saber o impacto em todo o tabuleiro", compara o economista Sérgio Mendonça, secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento. Ele coordena a mesa permanente de negociação há quatro meses.

Na sexta-feira, o Planejamento determinou o corte do ponto dos funcionários grevistas. Os reitores das universidades têm reunião marcada para quarta-feira em Brasília para decidir se levarão adiante o desconto nos salários dos professores, há mais de um mês em greve. "A orientação para todas as áreas é fazer o desconto dos salários, mas as universidades têm autonomia para fazer isso", pondera o secretário, preocupado em não azedar a relação com o movimento sindical.

Mendonça reconhece que a principal fonte de pressão ao governo é a CUT e a capacidade de mobilizar uma greve geral. "Vemos isso com naturalidade, a CUT tem o papel dela, é legítimo que pressione", pondera o secretário. "É até bom para o governo que a CUT mantenha sua independência."

"Cada um faz o seu papel", avança o sindicalista Manoel Messias, ex-secretário da central recém-nomeado secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho.

Setor privado. Artur Henrique, da CUT, prevê um segundo semestre de greves também no setor privado, sobretudo de bancários e trabalhadores da construção civil, setores econômicos atualmente mais aquecidos.

Para se antecipar a greves de trabalhadores da construção civil - paralisação que tem efeito direto nos canteiros de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) -, o governo vem mantendo conversas com sindicatos de patrões e empregados do setor.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Governo federal é 'inflexível' com grevistas, diz sindicalista

Mariana Carneiro

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff tem sido "inflexível" nas negociações com os servidores federais em greve, afirmou o novo presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas.

Os servidores estão em greve há um mês por melhores salários. A paralisação atingiu alguns ministérios e a maioria das universidades.

"O governo está inflexível com os servidores", disse Freitas. "Não adianta dizer que a greve é injusta e está errada. Tem que negociar."

A pressão dos servidores tem aumentado com a proximidade do prazo para que o governo apresente sua proposta de orçamento para 2013, que vence em agosto.

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, principal negociador do governo com os servidores, afirmou que o cenário econômico atual tornou as negociações difíceis. "Há uma brutal incerteza", disse.

Freitas disse estar preocupado com os rumos da economia e o impacto da crise sobre os trabalhadores. "A conjuntura econômica do governo Dilma não é a mesma do governo Lula", afirmou. "Com crescimento menor, começa a ter de novo as ideias de ajuste, diminuição."

A CUT tem mais de 3 mil sindicatos filiados e calcula representar cerca de 22 milhões de trabalhadores. Segundo o Ministério do Trabalho, ela reúne 36,7% dos trabalhadores sindicalizados do país hoje. A segunda maior central, a Força Sindical, representa outros 13,7%.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

BNDES usa verba do Tesouro para grandes empresas

Dos R$ 240 bilhões repassados ao banco pelo governo federal, 64% foram destinados para projetos de grandes empresas

Raquel Landim

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está utilizando a maior parte dos recursos subsidiados que recebeu do Tesouro para financiar empresas poderosas como Petrobrás e Vale. Dos R$ 240 bilhões repassados ao banco, 64% foram aplicados em projetos de grandes empresas.

A informação consta de relatório produzido trimestralmente pelo BNDES e entregue ao Congresso. Na versão mais recente, que engloba os recursos recebidos entre janeiro de 2009 e março deste ano, a lista de empresas beneficiadas pelos financiamentos inclui gigantes como Fibria (celulose), Oi (telecomunicações), Ford e Fiat (montadoras).

O dinheiro repassado pelo governo ao BNDES é subsidiado pelo contribuinte porque os juros cobrados pelo banco das empresas são menores que as taxas pagas pelo Tesouro para obter esses recursos no mercado. Levantamento feito pelo governo e enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) estima o custo do subsídio em quase R$ 23 bilhões apenas no ano passado.

Para o professor do Insper, Sérgio Lazzarini, as grandes empresas tem acesso a outras fontes de financiamento e não vão deixar de investir sem o apoio do BNDES. Ele avalia que esse é um dos motivos pelo qual o banco estatal cresce, mas a taxa de investimento não reage. "É a lógica dos campeões nacionais. A visão de que o Estado é indutor do crescimento e o BNDES é o instrumento", diz Felipe Salto, economista da Tendências.

Polêmica. Desde que o Tesouro iniciou os repasses ao BNDES para amenizar os efeitos da crise global, o tema gera polêmica. O diretor do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Sarti, defende que o subsídio é necessário para financiar o investimento, que é uma atividade de risco. "Não é porque grandes empresas recebem recursos, que as pequenas ficam de fora", diz. Com os repasses do Tesouro, o BNDES apoiou 666.561 projetos -62% desse total provenientes de pequenas e médias empresas.

Para Júlio Sérgio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as pequenas e médias empresas se retraem na crise e cabe as grandes sustentar o investimento. "As grandes empresas investem e aumentam a demanda por produtos das pequenas e médias."

Em nota enviada ao Estado, o BNDES afirma que o comportamento dos desembolsos de recursos provenientes do Tesouro é similar aos dados gerais do banco. Nos desembolsos totais, as grandes empresas também representam 64%. O BNDES sustenta ainda que a participação das micro, pequenas e médias (36%) atingiu a maior proporção relativa da história.

A indústria da transformação recebeu a maioria dos recursos do Tesouro (40,2%), seguida pela infraestrutura (37,2%). A concentração geográfica é grande, com 66,2% dos recursos para Sul e Sudeste.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Banco triplicou de tamanho em dez anos

Raquel Ladim

Nos últimos 15 anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mais do que triplicou de tamanho. Os bilhões de reais injetados pelo banco estatal na economia, no entanto, não conseguiram elevar os investimentos para um nível capaz de garantir o crescimento sustentável do País.

Em 1995, o BNDES concedeu R$ 7,1 bilhões em financiamentos, o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2010, esse valor atingiu o recorde de R$ 168 bilhões, ou 4,5% do PIB. No ano passado, recuou para R$ 139 bilhões, ou 3,4% do PIB.

No mesmo período, a taxa de investimento, que estava em 18% em 1995, caiu para 15% em 2003 e atingiu para 19,3% no ano passado. Em todo esse período, não conseguiu ultrapassar a barreira de 20% e se aproximar dos 25% que os especialistas consideram necessário para o País crescer sem gerar inflação.

O diretor do instituto de Economia da Unicamp, Fernando Sarti, acredita que a importância do BNDES nos investimentos é crescente, mas ressalta que o banco não financia apenas aumento de capacidade produtiva, mas também exportação, aquisição de empresas e inovação. "A inovação também é investimento, mas não é tangível", diz Sarti.

Para Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o BNDES ganha espaço quando a economia brasileira patina e outras fontes de financiamento secam. "Quando há crise, o BNDES não consegue estimular o investimento, mas apenas mantê-lo."

O professor do Insper, Sérgio Lazzarini, tem uma visão diferente. Ele acredita que a atuação do BNDES inibe o mercado privado de crédito de longo prazo, porque pega o "filé mignon", que são os projetos das grandes empresas, que têm menor risco. Ele acredita que essas companhias não deixariam de investir se faltassem recursos públicos. "Se o reduzir o BNDES pela metade, não vai ter impacto na taxa de investimento."

Giro. O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mansueto de Almeida, acredita que um dos motivos para a taxa de investimento não deslanchar é que uma parte dos recursos do BNDES é direcionada para financiar o capital de giro das empresas e não para o investimento.

Em nota enviada ao Estado, o BNDES sustenta que a taxa de investimentos vem crescendo nos últimos anos e só recuou recentemente em função da crise internacional. "O banco contribuiu tanto para a expansão do indicador quanto para evitar que caísse mais em função da crise", diz a nota. O BNDES ressalta ainda que o banco contribuiu para que a participação de máquinas e equipamentos na formação brutal de capital fixo (FBCF) do País crescesse de 42% para 53% nos últimos 10 anos. A FBCF é formada pela compra de máquinas e pela construção civil.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Geisel sem Golbery :: Vinicius Mota

Recolhimento e austeridade; nacionalismo, apreço pelo ativismo estatal e tecnocracia. Esses traços aproximam a presidente Dilma Rousseff do general Ernesto Geisel, o penúltimo dirigente do Brasil (1974-1979) na ditadura.

Geisel assumiu numa quadra crítica para o regime. Esgotavam-se os efeitos positivos do boom econômico que ajudava a sustentar a ditadura, cujo partido, a Arena, prevalecera largamente nas eleições para o Congresso de 1966 e 1970.

A insatisfação popular com a corrosão da renda, efeito da alta inflacionária, levaria a oposição, o MDB, ao seu primeiro feito eleitoral em 1974. O que começava a ruir não era apenas um arranjo episódico na economia política brasileira.

Entrava em xeque a arquitetura financeira do pós-guerra, indutora de 30 anos de frenético crescimento em países como Brasil e Japão. A resposta de Geisel a essa ameaça produziu efeitos duradouros e contraditórios.

Buscava livrar o Brasil da dependência energética que, com a escalada no preço do petróleo, atiçava a dívida externa. Além disso, o país precisaria obter divisas por suas próprias forças, catapultando a produção de alimentos e minério.

O plano não salvou o regime dos generais nem evitou mais de 20 anos de estagnação -ao aumentar a dívida para custear os investimentos, contribuiu para esses desfechos. Seus principais resultados positivos só eclodiram no século 21, para a glória do governo do líder das greves que haviam ajudado a enterrar a ditadura.

Dilma não tem seu Golbery -o estrategista da política que deu sobrevida à ditadura cambaleante. Mas encara, como Geisel, o desafio de conduzir o Brasil numa transição tectônica da economia global.

Já de seu Reis Velloso -artífice do plano desenvolvimentista de Geisel-, Dilma não pode ressentir-se. Luciano Coutinho, note-se pela entrevista de ontem nesta Folha, é bem mais que um mero presidente do BNDES.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Lula na fila:: Ricardo Noblat

"Chávez, conte comigo e com o PT. Sua vitória será nossa vitória." (Lula, para Hugo Chávez, presidente da Venezuela)

Parte da torcida por Dilma Rousseff é sincera. Está, de fato, interessada no seu sucesso. Gosta dela ou aprendeu a gostar. E considera que o país vai muito bem. Outra parte da torcida por Dilma é... Como direi? Oportunista. É isso. Espera que o sucesso de Dilma acabe com as chances de Lula de ser candidato a presidente daqui a dois anos.

Aconselho a parte da torcida de ocasião a retirar de vez o equino do meio do aguaceiro. Dilma só terá uma chance de ser candidata à reeleição: se Lula escolher ficar em casa ouvindo dona Marisa falar sobre a vivacidade dos netos. Outro dia, ele disse que só será candidato se Dilma não quiser ser. Lorota. Mais uma.

É 0 contrário. Dilma só será candidata se Lula não quiser ser. Ou se a saúde não permitir que seja. Entre Brasília e São Paulo, no seu primeiro voo como ex-presidente da República, Lula chorou como um recém-nascido a quem a mãe sonega o peito. Comoveu quem o viu chorar. O senador José Sarney (PMDB-AP) foi um deles.

O Choro tinha muito a ver com o balanço feito por Lula de sua admirável trajetória de vida — do menino pobre que fugiu da seca do Nordeste ao líder operário que paralisou mais de uma vez a região do ABC paulista; do fundador de um bem- sucedido partido político ao presidente mais popular da História do país.

Se não bastasse, antes dele, somente um presidente elegera o seu sucessor: o general Ernesto Geisel, penúltimo mandatário da ditadura de 64 e padrinho do general João Batista de Oliveira Figueiredo, o que preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo, como disse um dia. Lula elegeu Dilma, que jamais disputara uma eleição.

Um pouco do choro aéreo de Lula tinha a ver com outra coisa: ali, a bordo do jato presidencial, estava um político que desejara ardentemente ter continuado a governar o país para além dos oito anos de dois mandatos. Lula até havia sondado aliados sobre a ideia de mudar a Constituição para tentar se reeleger pela terceira vez. Em vão.

Fora dona Marisa, a quem a ideia não desagradava, governadores e cabeças maduras do PT se opuseram ao terceiro mandato consecutivo como uma aventura perigosa que custaria muito caro. Lula poderia vendê-la a um Congresso subserviente e repleto de picaretas. Haveria, porém, o risco de a ideia empacar no Supremo Tribunal Federal.

Erra quem imagina que Lula conversou com Dilma sobre seu desejo de voltar a governar o país a partir de 2014. Nem conversou nem precisaria ter conversado. A lealdade, a absoluta lealdade é uma das virtudes de Dilma, destacada por todos que a conhecem de perto. Dilma costuma falar em "projeto".

Ela Se sente parte de um projeto inaugurado com a primeira eleição de Lula e que não tem data para terminar. O objetivo do projeto é desenvolver o Brasil, com ênfase na eliminação da fome e da pobreza. A peça vital para que o projeto dê certo é Lula: O que temos há pouco mais de um ano é um governo de coabitação — Dilma e Lula.

Um mandato está de bom tamanho para ela, que não tem vocação para lidar com políticos malandros à caça de vantagens fáceis. Lula tem vocação de sobra porque é tão ou mais malandro do que eles. O tome-lá-me-dê-o-meu corre nas veias flácidas do ex- sindicalista habituado a prometer, entregando se necessário, e a blefar sem cerimônia.

Dilma não é malandra. Não saberia ser. E nem desejaria ser. Nas veias duras da ex- guerrilheira que suportou muita pancada, corre o me-dê-cá pelo que acho ser o melhor para o Brasil. É por isso que os políticos acendem velas. Pedem que o tempo passe rapidamente, livrando-os da eventual ocupante da cadeira presidencial na ausência de Lula.

Não seria melhor para a imagem de Lula que ele renunciasse à vontade de concorrer a um terceiro mandato e, caso o obtenha, a um quarto? O vento econômico agora sopra contra. Lula II enfrentará a memória de Lula I e de Lula II. Na política, a fila anda. E, a voltar, Lula atrapalhará a fila.

FONTE: O GLOBO

Lulismo, malufismo, patrimonialismo :: Ricardo Vélez Rodríguez

"Lula malufou" ou "Maluf lulou"? Eu responderia: ambas as coisas, mas Lula age como diretor da orquestra. Porque tanto Lula quanto Maluf são encarnações da cultura política patrimonialista, aquela identificada por Oliveira Vianna (em Instituições Políticas Brasileiras) como "política alimentar" e que Max Weber chamara de patrimonialismo, ou seja, aquela forma de organização política em que o Estado emerge como hipertrofia de um poder patriarcal original, que alarga a sua dominação doméstica sobre territórios, pessoas e coisas extrapatrimoniais, administrando tudo como se fosse sua propriedade. Era o que John Locke (1632-1704), na sua juventude, quando viajou pela França na época de Luís XIV, identificou como "o mal francês", na pequena obra intitulada De Morbo Gallico, fazendo referência ao absolutismo do rei que falava de si mesmo: "L"État c"est moi".

O Partido dos Trabalhadores, como demonstrou Antônio Paim na obra Para Entender o PT (Londrina: Instituto Humanidades, 2002), constitui, na História republicana contemporânea, a mais completa encarnação do patrimonialismo. Lula tem conduzido o seu partido nessa direção, afastando-o, ciosamente, dos extremos reformista-modernizador e revolucionário e conservando-o no patamar da estratégia de privatização do poder para enriquecimento próprio e dos seus confrades.

É o que o PT tem feito ao longo destes dez anos: ocupar a máquina do Estado como se fosse sua propriedade particular, tentando cooptar os outros partidos. O mensalão seria apenas expediente tático dessa estratégia. E a aproximação com as tradicionais lideranças patrimonialistas (Sarney, Maluf, etc., identificados por Lula como "pessoas especiais") constituiria uma decorrência natural dela. Nesse sentido, o ex-presidente da República prestou um grande serviço para o esclarecimento da natureza alimentar da política petista, tendo posto a nu a sua índole nitidamente patrimonialista e cooptativa. Nessa negociação de apoios cooptados entrou a própria Igreja Católica (mãe do PT, no início dos anos 1980, juntamente com o novo movimento sindical), quando pareceu afastar-se do pragmatismo lulista, que ameaçou, pela boca do ministro Gilberto Carvalho, privilegiar os evangélicos. Brizola, na sua retórica dos pampas, identificou a tendência às cooptações amplas do lulismo com aquela frase que ficou famosa: "O PT é a esquerda que a direita gosta". Trocado em miúdos, Lula tem disposição para cooptar todo mundo que apareça no cenário político, não importando a ideologia.

Lula é animado, nessa estratégia patrimonialista, pelo modelo ético identificado com o princípio de "levar vantagem em tudo", que se aproxima do imperativo comportamental totalitário ao acreditar que, nessa empreitada, "os fins justificam os meios". Essa constitui, a meu ver, a variante destrutiva do lulopetismo, que ignora qualquer outro imperativo ético, bem como a natureza das instituições republicanas, em função da estratégia dominante de conquista do poder para benefício exclusivo da agremiação partidária. Tudo deve ser cooptado: partidos da base aliada, oposição, imprensa, bem como os outros Poderes. O que resta de toda essa força centrípeta é o mar de lama a transbordar no recipiente da História republicana contemporânea. Infeliz pragmatismo que está conduzindo o Brasil à entropia da vida política e social, aproximando-nos lastimavelmente do caudilhismo peronista e do chavismo.

Octavio Paz caracterizou a feição cooptativa e punitiva do Estado patrimonial mexicano na sua clássica obra intitulada O Ogro Filantrópico (1983). Lula está deixando registrada, nos anais dessa modalidade de Estado, uma narrativa que poderíamos intitular O Ogro Pilantrópico, tamanha a desfaçatez com que o guru e os seus seguidores aceitam qualquer tipo de malfeitos, conquanto praticados em benefício da agremiação partidária e dos seus filhotes, e ameaçam, com a mais decidida perseguição, aqueles que ousarem contrapor-se ao projeto de dominação em andamento: a imprensa livre, a oposição e os empresários independentes.

A economia vai mal justamente porque, nesse terreno, impera também a cooptação, mediante a seleção prévia dos empresários amigos que serão guindados às alturas graças às benesses dos empréstimos oficiais subsidiados via BNDES. É a velha prática lusitana do pombalismo em matéria econômica, que constitui o nosso colbertismo tupiniquim. O caso Cachoeira-Delta está a revelar a extensão dessa prática deletéria na economia brasileira. De nada adiantam as articulações do PT e da base aliada para obedecer às ordens da liderança petista no sentido de criar obstáculos ao comparecimento da cúpula da empresa em questão à CPI.

A sociedade brasileira já pressente, na inflação que regressa, o tamanho do rombo. Os excedentes obtidos a partir da valorização das commodities que exportamos foram utilizados pelo governo para encher os bolsos dos companheiros ou cooptar os "movimentos sociais", deixando de fazer o dever de casa no que tange às obras de infraestrutura, que potencializariam o nosso desempenho comercial no mundo globalizado.

Especialistas calculam que o montante a ser aplicado nessas obras de infraestrutura deveria situar-se na faixa dos R$ 800 bilhões, mais ou menos a cifra que, ao longo dos governos petistas, foi despejada pelo ralo da corrupção e da cooptação. Resultados indesejáveis num mundo em grave crise financeira, que não perdoa cochilos das lideranças. Aproximamo-nos, nesse desleixo, da preguiça macunaímica do herói sem nenhum caráter que acordava, na narrativa de Mário de Andrade, pronunciando o bom-dia das sociedades sugadas pelo mostrengo patrimonialista: "Ai que preguiça!".

Ricardo Vélez Rodríguez, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas "Paulino Soares de Sousa", da UFJF.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Antes das grandes chuvas:: Fernando Gabeira

A Prefeitura do Rio está obrigada até dezembro a treinar uma dezena de comunidades localizadas em áreas geologicamente perigosas. Decisão da Justiça. Isso foi publicado muito discretamente nos jornais. São comunidades pequenas, pobres e distantes. Mas é um bom tema de reflexão. A sentença é bem intencionada e determina o prazo limite que já o início das grandes chuvas de verão.

Não podemos, entretanto, superdimensionar o treinamento. É preciso uma cooperação das comunidades que se prolonga depois dele. Em São Gonçalo, por exemplo, numa área que sempre alaga, há comunidades que se preparam a partir da própria associação de moradores.

Precisamos fazer uma cartilha como as do Caribe para a passagem dos furacões. De posse do texto, os próprios moradores podem desenvolver o dever de casa. O que contam uma cartilha desse tipo? 

Simplesmente alguns conselhos que valem para todos. Em São Gonçalo, há uma comunidade que sabe com precisão onde ficam as canoas. Elas precisam estar sob controle, quando a água começa a subir.

Outra indicação importante: saber quais as pessoas que não podem se locomover sem ajuda e onde estão elas. Esse é um princípio presente nas cartilhas caribenhas e americanas. Mas foi esquecido em Nova Orleans, onde idosos se afogaram quando um asilo submergiu.

O fato de a Justiça ter cuidado do tema em pleno inverno parece extemporâneo. Mas não é. Os meses que nos separam das chuvas de verão são muito preciosos.

Neste ano, o verão será antecedido por eleições municipais. O candidato à reeleição será cobrado pelos cuidados na preparação das áreas vulneráveis.

Mas os outros candidatos não estão dispensados de dizerem o que pensam sobre o assunto. Como pretendem preparar a população? Que volume de recursos devem usar nesse processo?

Não se espera que o eleitor vote apenas pela capacidade de preparação das áreas vulneráveis. É provável que isto nem seja importante na contagem dos votos finais.

Salvar algumas vidas, no entanto, é um nobre objetivo, bem próximo das definições antigas da política, como a promoção do bem comum.

Reconheço que nos dias atuais a política não se parece mais com as definições de outrora. Com ou sem sentença judicial, com ou sem pressão dos interessados, ela precisa se reaproximar de sua proposta original.

O conforto e a segurança numa grande cidade são objeto de uma luta democrática. A tendência é administrar os riscos, de forma que se concentrem nas áreas mais pobres.

Candidatos bem intencionados devem trabalhar contra a tendência, melhorando a segurança contra desastres naturais nas áreas mais desprotegidas.

E com um pouco mais de energia, melhorar também a segurança contra o banditismo. Hoje, ela se concentra ainda nas áreas que importam para a opinião pública e os grandes eventos

FONTE: JORNAL METRO-RIO

Estados e municípios:: Aécio Neves

Quem acompanha a vida nacional nem sempre percebe a gravidade do processo de dependência política e econômica da União, que subordina e asfixia perigosamente os demais entes federados.

À luz do dia, constata-se a paralisia de matérias essenciais, como a renegociação das dívidas dos Estados, a desoneração das empresas estaduais de saneamento (que pagam em impostos quase o mesmo o que investem), a revisão do vencido marco regulatório sobre a exploração mineral ou o injustificável atraso do novo plano decenal da educação.

Ao mesmo tempo em que concentra recursos e retarda decisões, o governo federal transfere responsabilidades.

Casos como a regulamentação da Emenda 29, em que o governismo obrigou os entes federados a adotarem patamar mínimo de investimentos na saúde, eximindo a União do mesmo dever, ou a adoção, sem a devida contrapartida financeira, de piso salarial para carreiras extensas do funcionalismo, remuneradas de forma preponderante por estados e municípios, são exemplos irrefutáveis.

Mas não é só isso.

Dados da Secretaria do Tesouro Nacional indicam que, em 2010, os gastos do governo central em educação representavam só 22,7% do gasto total no setor. Para transporte e segurança pública, a participação federal foi de apenas 35% e 18,3%, respectivamente.

No prazo de dez anos (2000-2010), a participação da União em saúde caiu de 44% para 32,6%. Em habitação e urbanismo, caiu de 15,2% para 10,3%. Ou seja, a maior parte das despesas com as funções essenciais à sociedade tem sido responsabilidade dos Estados e dos municípios.

Além de aumentar as atribuições dos governos regionais, o poder central toma, por reiteradas vezes, medidas que lhes retiram ainda mais recursos.

Os Estados têm pago os seus compromissos da dívida com a União sem conseguir amortizá-la -pelo contrário, os saldos devedores se multiplicaram exponencialmente.

As transferências de recursos na área de segurança têm sido contingenciadas. A redução da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e as isenções tributárias com base em receitas partilhadas são exemplos de ações danosas a Estados e municípios. São recursos que constavam de seus orçamentos e que foram cancelados sem qualquer compensação.

As decisões que, pensava-se, serem econômicas, começam a ganhar contornos de lógica política. Enfraquecer a federação, aumentando a dependência do país ao governo central, prejudica a população e não é um caminho que honre as nossas melhores tradições.

Insisto nesse tema: o país reclama solidariedade política e mais compartilhamento de responsabilidades.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

A mãe de todas as eleições:: José Roberto de Toledo

Se você não conhece um candidato a vereador pessoalmente, melhor repensar sua inserção na vida política da sua cidade. Nas próximas eleições, mais de 400 mil pessoas devem se candidatar a um assento numa câmara municipal. É 1 candidato a vereador para cada 320 eleitores, na média brasileira. Ou seja, há uma boa chance de qualquer um ter um primo, um vizinho, um colega de trabalho ou escola que seja candidato.

As probabilidades, é claro, variam de lugar para lugar. Quanto maior a cidade, menor a chance. Em São Paulo, o risco de trombar com um postulante (1 em 7 mil) é uma pequena fração do que é em Araguainha (MT), com seus 21 candidatos para 925 eleitores. Isso não serve de desculpa, todavia. É improvável que a Câmara da pequena cidade mato-grossense empregue um garagista com salário de R$ 23 mil - até por falta de garagem. A de São Paulo sim.

Na média, o candidato a vereador é cinco anos mais novo do que o candidato a prefeito, além de ter passado menos tempo na escola. Tem 45 anos, é homem e não chegou a completar o ensino médio. A maioria é de casados, embora 1 em cada 3 ainda seja solteiro. Tem uma boa chance de ser servidor público municipal. Se não, é provável que seja agricultor ou comerciante. Se for mulher, dona de casa ou professora.

A Câmara Municipal não é a única porta de entrada para a política partidária. Nenhum dos últimos presidentes brasileiros foi vereador. Nem Dilma Rousseff, nem Lula, nem FHC, nem Itamar Franco (tentou mas não conseguiu), nem José Sarney nem Fernando Collor - muito menos os militares. O último - e talvez o único - presidente que havia sido vereador foi Jânio Quadros. OK, não é o melhor exemplo. Mas que não sirva de desencorajamento.

Se ninguém está olhando, vereadores podem se sentir à vontade para fazer de conta que compareceram a sessões nas quais nunca estiveram, terceirizar seu voto para funcionários da Câmara e sabe-se lá mais o que. A prudência recomenda procurar conhecer pessoalmente um candidato a vereador e acompanhar o que ele vier a fazer, se for eleito. Nem que seja para ter um pistolão e se candidatar àquela vaga de garagista.

Tudo bem, seu negócio não é política e você não é muito bom em manobrar carros. Mesmo assim, as eleições municipais são mais importantes do que parecem. É muito mais do que o início de uma carreira política promissora. É a base onde todos os partidos, sem exceção, assentam suas pretensões políticas. Não há partido grande sem base municipal. Sem vereadores é difícil eleger prefeitos, e, sem prefeitos, não se elegem deputados federais.

Há uma correlação estatística quase perfeita entre a quantidade de votos para prefeito que um partido recebe e o número de representantes que a mesma sigla elege dois anos depois para a Câmara dos Deputados. O coeficiente é de 0,96 num máximo de 1. Nenhum dos maiores partidos brasileiros recebeu, em 2008, menos do que 150 mil votos a prefeito por deputado federal eleito em 2010. A proporção parece esdrúxula, mas não é.

Os prefeitos são os principais cabos eleitorais dos deputados. Sem algumas centenas de prefeitos um partido não elege uma dezena de deputados. O tamanho dos eleitorados governados pelos prefeitos faz diferença, mas, na média, um partido médio ou grande precisa eleger 12 prefeitos para levar um deputado à Câmara no pleito seguinte. Alguns precisam mais, outros menos.

O PT precisou de seis prefeitos por deputado; o PTB, de 20. Mas os deputados petistas foram empurrados também pela campanha de Dilma e a popularidade de Lula. O PT, portanto, é a exceção. A regra é o PMDB e o PSDB, que precisaram eleger 15 prefeitos em 2008 para cada deputado federal eleito dois anos depois. Ou o PP, que precisou de 13; ou ainda DEM e PDT, de 12; PSB e PR, de 9. Por isso, os voos partidários em 2014 decolam este ano.

Na política brasileira, há dois astros (PT e PSDB) em torno de qual orbitam quase todas as outras siglas. O número de satélites varia em função de qual dos dois está no poder. A grande exceção, por ora, é o PMDB, que tenta ser o fiel da balança sem o qual é impossível governar. Mas há duas novidades em cena, disputando o papel dos protagonistas.

O PSB de Eduardo Campos pretende em 2014 (mais difícil) ou em 2018 (mais provável) se tornar um astro com candidato a presidente viável. E o PSD de Gilberto Kassab quer ser o novo PMDB. O sucesso ou fracasso desses planos depende, principalmente, do desempenho de PSB e PSD nas próximas eleições. Para chegarem ao estrelado, precisão eleger mais prefeitos do que têm hoje. Por isso 2012 é a mãe de todas as eleições.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Adiantado da hora:: Melchiades Filho

"Eleições municipais, questões locais." Eis um chavão que dificilmente saíra ileso de 2012. As campanhas ganharam inesperada e expressiva dimensão nacional.

De início, os partidos pareciam propensos a congelar seus projetos futuros, diante da força do governo federal e da anemia da oposição. Confiantes ou conformados com a reeleição de Dilma, não teriam motivo para desperdiçar munição tão cedo.

Até o PT, habitualmente afoito, começou o ano na retranca. Com raras exceções, como Salvador e Porto Alegre, tentou não incomodar os aliados. Traçou planos para destronar o tucanato em São Paulo, manter as grandes cidades que já administra e crescer pelas bordas.

Várias capitais seriam delegadas aos parceiros, em troca de apoio aos candidatos petistas a governador daqui a dois anos. O jogo, afinal, era 2018: controlar o máximo de Estados, além do Planalto, para pautar a sucessão de Dilma 2.

Difícil precisar o que embaralhou as cartas: a crise econômica, o mal-estar na coalizão nacional após a "faxina", a fase pé na jaca de Lula, o incômodo de constatar que (apenas) o PT tinha estratégia de médio prazo ou tudo junto e misturado.

O fato é que a direção do PSB, uma sigla emergente no Nordeste e no Congresso, rasgou o script e anunciou voo solo neste ano em redutos petistas, forçando o revide.

Os confrontos entre o PT e o PSB em Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e João Pessoa não significam ruptura definitiva. Mas têm a importância de ensaiar algo que estava programado para bem mais adiante.

Na disputa da capital mineira estão engajados os nomes mais badalados da corrida presidencial de 2014: Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB), articuladores da reeleição de Marcio Lacerda, e Dilma, madrinha da candidatura de última hora de Patrus Ananias (PT).

São Paulo remói o passado com Lula x Serra. BH aponta o futuro.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

E o realejo diz a Haddad: evite certas companhias

No domingo chuvoso em que Serra também consultou a sorte, petista, aliado a Maluf, recebe conselho de periquito

Silvia Amorim

SÃO PAULO . No primeiro fim de semana oficial de campanha, os dois principais adversários na disputa à prefeitura de São Paulo apelaram para simpatias em busca de sorte. Enquanto o tucano José Serra optou por um ritual japonês no bairro da Liberdade, o petista Fernando Haddad recorreu ao velho realejo para saber o que o futuro lhe reserva.

No início da tarde, de quimono, depois de passar entre barracas de comida e ensaiar passos de lambazouk com uma dançarina, Serra repetiu o que sempre faz quando visita a Liberdade em ano de eleição: escoltado pelos anfitriões, dirigiu-se ao Centro de Tradições Japonesas, onde recebeu um boneco daruma. Como manda o costume, fez um pedido e pintou um dos olhos do boneco. Segundo a tradição, se o desejo for concretizado, ele voltará para pintar o outro olho. Serra, contudo, não revelou o que pediu.

- O pedido é secreto - disse o candidato do PSDB, durante o ritual, regado a saquê.

Antes, porém, Serra enfrentou uma saia justa, quando um adolescente o hostilizou. Depois de ouvir o que disse o jovem, ele se aproximou e cochichou algo em seu ouvido. Aos jornalistas que o indagaram sobre se havia chamado o menino de bosta, o tucano se explicou:

- Eu falei (ao rapaz): você diz depois por que não gosta (de mim). Você (repórter) trocou o gosta pelo bosta. Aliás, essa é uma grande notícia, não é?

Do outro lado da cidade, Fernando Haddad aproveitou para checar a sorte num realejo, ao som de musiquinhas características do instrumento. O bilhete que o periquito lhe entregou, contudo, surpreendeu pelo conselho sobre o futuro, em tempos de aliança com o deputado Paulo Maluf, criticada por segmentos do próprio PT: "O teu horóscopo anuncia-te felicidade, mas, para conseguires o que prognosticam, é necessário que evites a companhia de certas pessoas que tratam de inclinar-te para o mal. Que a prudência e a equidade sejam a bússola de teus passos, e sairás bem de tuas empresas".

Ao final da caminhada na Feira das Nações, na Zona Leste, o candidato do PT criticou o que chamou de fulanização da campanha.

- Acho um erro vocês (imprensa) fulanizarem o debate como estão fazendo. Temos um alinhamento nacional com o PP, que é da base aliada do governo Dilma - disse Haddad.

O petista prometeu, em seguida, priorizar a saúde pública em seu programa de governo. Segundo informou, um plano sobre o setor começa a ser elaborado a partir do próximo dia 16.

FONTE: O GLOBO

No Rio de Janeiro, mau tempo dificulta dia de campanha

Candidatos enfrentaram chuva e frio para cumprimentar eleitores

O domingo de mau tempo no Rio dificultou a campanha dos candidatos que disputam à prefeitura da cidade. Marcelo Freixo do PSOL, por exemplo, decidiu cancelar sua ida à orla devido ao tempo ruim.

Mesmo assim, Otávio Leite do PSDB e Aspásia Camargo do PV encararam as condições adversas e compareceram ao evento de comemoração pelos 120 anos de Copacabana. Ela chegou um pouco depois de seu concorrente e defendeu a construção de um centro de convenções em um dos dois fortes que cercam a praia para otimizar o deslocamento de visitantes em grandes eventos na cidade.

Segundo Aspásia, o bairro que possui a maior rede hoteleira do Rio não pode depender de espaços particulares em hotéis para realização desses eventos.

- Em qualquer grande cidade do mundo há centro de convenções a 20 ou 30 minutos de seu principal polo hoteleiro. No Rio, como ficou evidenciado durante a Rio+20, os visitantes se hospedam na Zona Sul e têm que se deslocar para a Barra, causando transtornos para a organização do evento e, principalmente, o morador carioca - argumentou a candidata do PV.

Já o tucano prometeu criar na praia a primeira área 100% acessível para cadeirantes. Segundo ele, é possível construir um arrecife artificial junto ao Forte de Copacabana, local onde aconteceu o evento, com uma ligação do calçadão até o mar para os deficientes. Também participou do terceiro dia de campanha o candidato a vice em sua chapa, Geraldo Nogueira, que é paraplégico.

FONTE: O GLOBO

Deputada tucana vai a evento de Eduardo Paes

Filho de Lucinha diz que foi só coincidência; Freixo e Maia pedem votos na Feira de São Cristóvão

Acompanhado do deputado federal Romário (PSB) e do deputado estadual Bebeto (PDT), Paes participou de uma carreata por locais onde há obras e realizações da prefeitura e que teve como convidada a deputada estadual tucana Lucinha (PSDB). Ela acompanhou o comboio em veículo próprio. O filho da parlamentar, Júnior, é candidato a vereador pelo PSDB.

- Foi coincidência. Ela só foi lá cumprimentar umas pessoas da Câmara que ela conhecia -justificou Júnior. Outra tucana, a vereadora Andrea Gouvea Vieira, recentemente, declarou apoio ao candidato a prefeito, Marcelo Freixo (PSOL).

- Você deve ouvir o presidente do partido (Luiz Paulo Correa da Rocha). Na minha compreensão, a Lucinha está na nossa campanha - desconversou Otávio Leite. Luiz Paulo afirmou desconhecer o episódio.

O candidato a prefeito do Rio Marcelo Freixo (PSOL) esteve, ontem na Feira dos Nordestinos, em São Cristóvão, Zona Norte. Freixo conversou com eleitores e recebeu a bênção do pároco da igreja Matriz do bairro, Roberto Magalhães, que faz parte da Pastoral Carcerária.

Durante a caminhada, um grupo de repentistas, ao avistar Freixo, puxou uma toada que aludia ao candidato do PSOL e ao candidato do DEM, Rodrigo Maia, que esteve na feira pela manhã. Segundo um dos repentistas, Miguel Bezerra, um diretor do pavilhão, teria reprimido os músicos por fazer referência aos candidatos no repente.

O candidato Rodrigo Maia (DEM) esteve no local pouco antes junto ao lado do ex-prefeito e candidato a vereador, César Maia (DEM). Pai e filho foram convidados a subir ao palco para acompanhar Asa Branca, canção eternizada na voz de Luiz Gonzaga, e tocada pela banda Baião de Dois. Animados, até cantaram a música com o grupo. César Maia enfatizou a experiência de quatro mandatos de deputado federal de Rodrigo e pediu pela renovação:

- Temos que renovar a política. Essa geração tem experiência. O Rodrigo tem quatro mandatos de deputado pelo Rio. É muita experiência - disse César Maia.

FONTE: O GLOBO

No rastro dos governadores

Partidos que aumentaram o controle sobre os estados em 2010, PT, PSB e PSDB projetam capitalizar os dois anos de gestão em votos e aumentar o número de prefeituras. Alvo preferencial é o PMDB

Gabriel Mascarenhas

O poderio dos partidos nos estados sinaliza o potencial deles nas eleições municipais deste ano. Siglas que conseguiram aumentar o número de governadores de 2002 para 2006 ampliaram também a quantidade de prefeitos dois anos depois, na corrida eleitoral de 2008. Se a tendência se concretizar em 2012, PSB e PSDB largam na frente para aumentar a capilaridade nos 5.565 municípios da federação, podendo incomodar a hegemonia do PMDB, maior detentor de prefeituras do país, e fertilizando o terreno para as disputas parlamentares de 2014. O PT conta com a alta popularidade da presidente Dilma Rousseff e as poderosas turbinas da máquina federal — tem também o maior número de candidatos.

A lógica sugerida pelos números aponta um panorama preocupante para o PMDB. O maior partido brasileiro elegeu cinco governadores em 2010, dois a menos do que em 2006. A relação entre quantidade de executivos estaduais e municipais, porém, não é variável única na equação das urnas. E outros fatores determinantes para o sucesso eleitoral pesam a favor da legenda, como a larga presença nos ministérios do governo Dilma. Presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) não esconde: vai jogar pelo empate. Manter o comando das 1.207 cidades que já governa é bom resultado. "Obviamente, o partido do governador, normalmente, elege mais prefeitos. E o fato de termos perdido em alguns estados nas últimas eleições influencia nas nossas pretensões. Além disso, este ano, há mais partidos. É provável que haja uma redistribuição de poder", analisou Raupp.

O surgimento de novas siglas, como o PSD, alavancado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acrescenta o componente de imprevisibilidade à disputa eleitoral. Ainda assim, no caso do PSB, que viu seu quadro de governadores dobrar em quatro anos, não há como não apoiar-se na força estadual para planejar resultados significativos. A meta vai além do recorte quantitativo, até porque o peso de determinadas cidades, como as capitais, é mais relevante do que a vitória em municípios de menor expressão. A legenda presidida pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com forte presença no Nordeste, região de cinco dos seis estados comandados pela sigla, mira a "nacionalização". "Nossas prioridades são: eleger prefeituras no Sudeste, conquistar o maior número de capitais e de cidades com mais de 100 mil habitantes", pontuou o vice-presidente do partido, Roberto Amaral.

DEM sob risco

O DEM vive processo de esvaziamento desde o surgimento do PSD, para onde migrou boa parte de seus principais quadros. Em 2002, detinha o poder de quatro estados. Perdeu três em 2006 e, quatro anos depois, elegeu dois, mas ficou com apenas um. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, venceu a eleição pelo partido, mas aceitou o convite de Kassab para engrossar a barca rumo ao PSD. "Sabemos que vamos perder prefeituras em alguns estados, caso de Santa Catarina e Bahia. Para quem teve um ataque como o que sofremos do PSD, qualquer crescimento será uma vitória. Nossa meta é essa. Não será uma expansão explosiva, mas temos a meta de crescer, conquistando prefeituras simbólicas, importantes. As capitais Salvador, Recife, Macapá e Aracaju são alguns exemplos", citou o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN).

O senador tucano Aloysio Nunes Ferreia (SP), um dos articuladores da campanha de José Serra em São Paulo, capital em que a vitória vale por algumas dezenas de municípios, discorda da relação entre o aumento da quantidade de governadores e ampliação do número de prefeituras. Lembra que o mais importante de conquistar Executivos municipais é viabilizar o aumento da bancada no Congresso. "Esse processo, sim, é verdadeiro. Quanto maior o total de prefeitos, mais sucesso um partido terá na eleição de parlamentares", argumentou.

A relação entre os resultados nas duas esferas de poder é a prova empírica do uso das máquinas, segundo o professor e cientista político do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Carlos Mello. "Como se elege um prefeito? Levando benefícios para o município. Só se faz isso quando se tem máquina. Mas situações de PSDB e PSB são distintas. O PSB compõe a base aliada do governo e deve se expandir, vencendo em novos estados, enquanto PSDB deve manter parte dos seus. Vai vencer em estados onde já tem o governador", previu Carlos Mello.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

Partidos seguem os passos do PMDB

BRASÍLIA - Mal falado entre aliados e adversários de sucessivos governos desde a redemocratização, o PMDB fez escola no Congresso. Nas palavras dos próprios peemedebistas, acostumados a dar "governabilidade" às mais variadas administrações desde 1985, os alunos já ameaçam os mestres.

A postura de compor com o governo de plantão e ser parceiro preferencial dos partidos que encabeçam a disputa pelo Palácio do Planalto ganhou mais adeptos. Na primeira vertente encaixa-se o PSD, que nasceu governista tanto em Estados sob comando petista quanto tucano.

Nas eleições municipais, a sigla tanto apoia José Serra (PSDB) na capital paulista quanto prefeitos do PT na Grande São Paulo.

Já o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, hoje trabalha em um projeto de poder para amanhã exercer papel semelhante ao do PMDB: o de parceiro prioritário do governo, com cacife para tomar o posto de vice na reeleição da presidente Dilma Rousseff ou o de aliado de primeira classe no Congresso, com possibilidade de antecipar para 2014 o plano de lançar candidato próprio a presidente.

– Cheguei à conclusão de que nos censuravam porque estávamos ocupando o espaço que eles queriam – ironiza o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que adverte os críticos do PMDB a "não cuspir no prato em que ainda não comeram".

Presidente do DEM, José Agripino (RN) – um dos poucos fundadores do PFL que resistiram na oposição e não migraram para o PSD – culpa o PT pela política do "vale quanto pesa", uma prática da qual, segundo o senador, os aliados do governo aprenderam a tirar proveito.

FONTE: ZERO HORA (RS)

Transparência para quê? :: Eduardo Graeff

Os servidores pedem isonomia com carreiras mais bem pagas sempre. Resultado: os salários nunca se alinham. A lei limita aumentos? Tentam mudar a lei

A Lei de Acesso à Informação pode pegar, graças às cobranças da imprensa, da sociedade e da melhor parte dos agentes públicos. A publicação da folha de pagamentos de órgãos públicos é um bom começo, mas é só um começo. A grande pergunta é: o que fazer com toda essa informação?

Identificar aberrações individuais é importante. Mas é fundamental usar a informação obtida para começar a botar ordem na balbúrdia da remuneração de funcionários e autoridades públicas em geral.

Na falta de políticas remuneratórias consistentes, a regra do setor público brasileiro é: quem grita mais alto, leva. A altura da gritaria é razão direta da proximidade dos centros do poder e razão inversa do número de bocas.

Isso dá margem a todo tipo de aberração. Destaco três: o descolamento do teto, a gangorra ascendente e o esmagamento da base da pirâmide salarial.

Descolamento do teto é a brecha entre os salários mais altos e mais baixos do setor público. Ministros dos nossos tribunais superiores ganham tanto ou mais que juízes da Suprema Corte americana. Mas um professor primário nos Estados Unidos ganha um quarto de um juiz da Suprema Corte. No Brasil, deve ganhar um décimo ou menos.

A mesma desproporção se verifica nos salários de policiais, médicos, enfermeiros etc. O que faz com que eles sempre achem que ganham mal, mesmo quando não ganham tão mal assim.

Gangorra ascendente é o efeito da busca de isonomias e equiparações entre funcionários de diferentes carreiras, órgãos, poderes e níveis de governo.

Delegados de polícia querem ganhar como juízes e promotores; militares de alta patente querem ganhar como delegados; funcionários do Executivo querem ganhar como os do Legislativo e Judiciário; policiais e professores dos Estados querem ganhar como os federais. Como as escalas salariais nunca se alinham, a gangorra nunca para e vai sempre para cima.

Esmagamento da base é o impacto final dessa engrenagem sobre a carga tributária. A Lei de Responsabilidade Fiscal limitou a parcela da receita dos Estados e municípios destinada ao pagamento de salários. As demandas dos funcionários, justas ou injustas, se chocam com esses limites.

Virou moda tentar derruba-los via emendas constitucionais garantindo aumentos para funcionários estaduais e municipais. Assim não há carga tributária que chegue -nem dinheiro que sobre para investir em infraestrutura e melhora da qualidade dos serviços.

Acesso à informação, somente, não vai mudar esse quadro. Mas pode ajudar a sociedade e autoridades responsáveis a dimensionar o problema, discutir soluções e alinhar iniciativas na direção de uma política remuneratória consistente.

Para isso, a informação deve ser abrangente e comparável. O ideal é que todos os órgãos públicos, de todos os poderes e níveis de governo, publiquem e atualizem regularmente sua folha de pagamentos.

Agregar, tabular e comparar essa massa de dados não será nenhum bicho de sete cabeças, se eles forem publicados em formato aberto, como prevê a lei. Um órgão como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) pode fazer isso. Outros entes públicos e privados, como o Contas Abertas, também.

Só assim saberemos quem está gritando de barriga cheia e quem está ganhando pouco ou na justa medida -que, para ser justa, tem que ser proporcional à capacidade de pagamento do país.

Quem se dá bem na sombra achará pretextos para resistir à abertura da informação. O que é motivo suficiente para os amigos da transparência insistirem.

Eduardo Graeff, 62, é cientista político. Foi secretário-geral da Presidência da República (gestão Fernando Henrique Cardoso)

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Crise PT-PSB

Dilma chama Eduardo para discutir clima acirrado entre os dois partidos.

Crise PT-PSB leva Eduardo até Dilma

Jantar entre o governador e a presidente, hoje, vai ter como prato principal a sucessão no Recife e em capitais onde petistas e socialistas não se entendem e se agridem

Paulo Augusto

Em meio a um clima de tensionamento cada vez maior entre PSB e PT – acirrado ainda mais neste final de semana, através de discursos e entrevistas repletos de acidez das duas partes –, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, foi convocado pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT), para uma conversa, que irá acontecer hoje, em Brasília.

Eduardo e Dilma devem jantar e, como não poderia ser diferente, as eleições municipais estarão no cardápio. Nos bastidores, o governador acredita que a convocação da presidente é uma sinalização de que a petista deve realmente ficar de fora da campanha – o que já havia sido dito há duas semanas pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

As movimentações de Eduardo Campos – e a "independência" que seu partido vem demonstrando em relação ao "aliado" PT – têm incomodado muitos petistas, que têm visto no socialista uma ameaça para as eleições de 2014. Na conversa com a presidente, entretanto, o governador deve repetir seu mantra, de que o PSB é um fiel aliado e apoiará a sua reeleição.

Respostas

Algumas afirmações do senador Humberto Costa, em entrevista publicada ontem no JC, não foram bem digeridas pelos socialistas. Ontem, o vice-prefeito Milton Coelho (PSB) reagiu às declarações do candidato petista à PCR. "Humberto tem cumprido um papel que destoa da história dele. Ele diz que nós nos aliamos à direita (em referência ao PMDB), mas a maneira em que ele foi indicado candidato, se recusando a participar do processo democrático de seu partido, foi autoritária e direitista", alfinetou.

Milton também falou também sobre o isolamento do PT na disputa. "A candidatura de Humberto foi rejeitada por toda a Frente Popular pelo fracasso do processo de escolha do PT. Além disso, a Frente fez campanha para que ele fosse eleito senador e representasse Pernambuco. Agora, ele rompeu esse compromisso".

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Da gabolice à realidade :: Paulo Brossard

No fim de maio, faz pouco mais de mês, a senhora presidente da República declarou que o Brasil estava preparadíssimo para enfrentar os efeitos da crise que se repetia na Europa; assoalhou que, se em 2008 o Brasil fora o último país a nela entrar, o primeiro a dela sair, agora estava em situação muito mais cômoda, 100%, 200%, 300% melhor; indo à Feira de Hannover, com uma parada no Porto para nutrir-se com memorável bacalhoada, que atrasou sua chegada à Alemanha, distribuiu conselhos aos governantes europeus

.No entanto, a desindustrialização de importante setor da indústria soou como severa advertência acerca da nossa situação. É claro que o inusitado dessa declaração, partindo de uma chefe do Estado e do governo, não poderia causar-me boa impressão, a começar de sua gratuidade e da óbvia inconsequência. De mais a mais, jactar-se de uma superioridade sobre dados estranhos a seu domínio, soa como mera jactância. 

Outrossim, a assertiva segundo a qual os efeitos da crise estancavam nas fronteiras brasileiras não passava de vã pretensão. Basta lembrar, v.g., que o fato da China suspender a importação do minério de ferro foi o suficiente para a queda do seu preço e uma queda vertical nas exportações brasileiras.

Mais ou menos coincidente com o fenômeno lúgubre da desindustrialização foi o crescimento do PIB no segundo trimestre, em apenas 0,2%, comparado com o do último trimestre do ano passado.

Evidentemente, a proclamada inviolabilidade das nossas fronteiras lembrava a da Linha Maginot... e os fatos se encarregaram de demonstrar. O Banco Central, nada menos que o Banco Central, contestou frontalmente a versão presidencial.

Em audiência pública, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente do Banco Central declarou que os sinais de desaceleração econômica "vêm de todos os lados", isto porque "longe de uma solução, a crise externa fará com que os mercados financeiros operem voláteis e a economia global tenha ritmo fraco em um período de até dois anos" e, para quem ainda duvidasse, aditou que a economia global deveria seguir em ritmo aquém do previsto.

Suponho que ninguém atribuirá malquerença a essa alta autoridade que, em lugar público e perante uma comissão do Senado, fez as declarações ora reproduzidas, bem como ninguém pode deixar de dar-lhes natural importância.

Não ficou nisso. Além da advertência do presidente do Banco Central, o próprio Banco Central, em exposição trimestral em que avalia as variações da economia nacional, corrigiu de 3,5% para 2,5% sua projeção para o crescimento do PIB em 2012. É de lembrar-se que quando se tornou conhecido o aumento do PIB no segundo trimestre de 2012, em apenas 0,2%, o ministro da Fazenda entrou a delirar, afiançando que seria tão grande o crescimento no terceiro trimestre que já estava a assegurar um crescimento esplêndido de todo o ano em curso!

Desde o fim do ano passado, o governo fez sete anúncios de pacotes na expectativa de reverter a desaceleração da economia interna. O último, no final de junho, foi recebido com ceticismo, diante de redução da produtividade da economia brasileira. O Instituto Brasileiro de Economia da FGV prevê queda de 4,3% da produção industrial, a maior em 32 meses, e a previsão de redução do PIB para 2%, analistas já admitem chegar a 1,7%.

Não me considero habilitado a opinar em matéria dessa delicadeza, mas me parece claro que a situação não se apresenta como tranquila.

*Jurista, ministro aposentado do STF

FONTE: ZERO HORA (RS)