quinta-feira, 14 de março de 2013

Ministério Público Federal de Minas decide não investigar Lula

Acusações de Marcos Valério serão analisadas pela Procuradoria do DF

Ezequiel Fagundes

BELO HORIZONTE - Após um mês de análise, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas declinou da competência e informou, ontem à tarde, que o depoimento de Marcos Valério, operador do mensalão, acusando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de envolvimento com o escândalo foi remetido para a procuradoria da República em Brasília. Com isso, caberá agora aos procuradores do Distrito Federal decidirem se o ex-presidente petista será investigado ou se o caso será arquivado.

O MPF, no entanto, determinou que a Polícia Federal (PF) investigue repasses de Valério que não foram incluídos no processo do mensalão. Neste caso, os pagamentos não teriam relação com o depoimento de Valério no qual envolveu Lula com o esquema de pagamento de propina para deputados e caixa dois eleitoral.

Em 14 de fevereiro, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, remeteu para o MPF mineiro o interrogatório de Valério. Após ter sido condenado a mais de 40 anos de cadeia pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o operador do mensalão prestou um novo depoimento a Gurgel e afirmou que Lula autorizou os empréstimos para custear o esquema de propina e ainda teria embolsado parte do dinheiro para bancar despesas pessoais.

Em seu depoimento, Valério disse aos procuradores que Lula foi informado, em reunião no Palácio do Planalto, das operações financeiras para pagar propina a deputados da base governista e deu "ok". De acordo com o operador do mensalão, o ex-presidente negociou pessoalmente com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, o repasse de recursos para o PT.

Lula nega, mas não fala com a imprensa sobre o assunto. Como o ex-presidente perdeu a prerrogativa de foro privilegiado do cargo, Gurgel enviou o documento para Belo Horizonte, onde Valério tem residência fixa e presta depoimentos em outros processos, como do mensalão mineiro, que ainda está na fase de oitiva de testemunhas.

Quando o documento foi remetido, havia uma expectativa de que ele fosse incluído em outros processos batizados de "filhotes do mensalão", que já tramitam na Justiça Federal em Minas.

No período de 2006 até 2010, o Ministério Público Federal mineiro ajuizou cinco ações penais derivadas do processo do mensalão do PT.

Fonte: O Globo

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