sexta-feira, 29 de julho de 2022

Eliane Cantanhêde - Hora de a onça beber água

O Estado de S. Paulo

Bolsonaro cutucou a onça com vara curta, a sociedade civil acordou e os militares não viram

Tão orgulhosos e bravos contra o TSE e as urnas eletrônicas, os que mandam atualmente nas nossas Forças Armadas insistem em ser dóceis e submissos quando o presidente Jair Bolsonaro, enquanto distribui empregos e participa de formaturas e rapapés militares, humilha o Exército Brasileiro.

Já presidente e sempre candidato, ele participou de ato golpista com o Quartel General ao fundo, desprezou o Estatuto Militar e o Regimento Interno do Exército ao atrair o general da ativa Eduardo Pazuello para seu palanque, jogou no lixo o estudo da inteligência da Força sobre procedimentos na pandemia e, o pior, desautorizou pela internet três portarias do Exército sobre monitoramento de armas de civis.

Assim como interveio na PF, interveio no Exército e armou sua tropa civil pelo País afora, não se sabe ainda com que intenções. Embaixadores estrangeiros não exageraram ao concluir, após o espetáculo grotesco contra o processo eleitoral e a imagem do País, que a maior ameaça à democracia no Brasil não são as urnas eletrônicas, é o próprio presidente da República.

Os repórteres Vinícius Valfré e Julia Affonso, do Estadão, informam que o grupo Proarmas tem 34 candidatos em outubro e articula a criação de um partido para chamar de seu, para além da “Bancada da Bala” do Congresso. É aquele que fez um ato a favor de armas diante da Catedral de Brasília no exato dia em que um bolsonarista matou a tiros um petista que ele nem conhecia em Foz do Iguaçu. Coincidência maldita.

Também no Estadão, Marcelo Godoy relatou que revólveres, pistolas, fuzis, espingardas e carabinas compradas legal e fartamente pelos CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) foram parar em organizações criminosas a preços bem mais camaradas do que as contrabandeadas. Os CACs são legítimos e a maioria deles não quer guerra, mas estão sendo usados para mais essa “boiada” do governo Bolsonaro.

Quando o Exército reagiu às investidas bolsonaristas, o presidente demitiu o ministro da Defesa e os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica e escolheu a dedo para a Defesa quem lhe batesse continência e não questionasse seus absurdos, como desacreditar as urnas eletrônicas e as eleições.

Militares devem olhar em volta, quando 70 entidades (inclusive do pessoal da PF, Abin, Itamaraty e Receita) e o mundo jurídico, econômico, empresarial, financeiro, intelectual, cultural, ambiental se manifestam a favor da democracia, eleições livres e Justiça Eleitoral. O Datafolha apontou estabilidade, mas Bolsonaro cutucou a onça com vara curta e a onça civil acordou. Das “Diretas Já” de 1984 para a “Democracia Sempre!”

4 comentários:

  1. A fórmula dos fracos e ignorantes sentir que tem poder é a maldade isso explica Putin e os demais que se assemelham. Será que os militares querem pertencer a esse grupo sem honra?

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  2. Ou não importam mais com a confissão de falta de caráter e discernimento para permanecer no posto de ocupam cujo líder é apenas um bestalhão que por ignorância de dos eleitores ocupa um lugar tão aquém de sua capacidade com apenas um QI? E uma trajetória de relés trambiqueiro vindo da classe baixa dos aventureiros. Um pai que ensina a arte de trambique através de rachadinhas.

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  3. Um filhote da ditadura ensinou a rachadinha pros seus filhotes. Com a bênção dos pastores safados que o acompanham nos crimes... E da mulher religiosa e vigarista simultaneamente, a Micheque da receptação! Que comandam aquele DESgoverno sem corrupção...

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  4. Já não era sem tempo da ''onça civil'' acordar.

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