terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Cristina Serra - Lula assume comando das Forças

Folha de S. Paulo

Arruda dera seguidas mostras de insubordinação à autoridade presidencial

Lula tem feito apelos à pacificação do país e é um conciliador. Mas esse perfil não pode ser confundido com falta de autoridade. Foi o que o presidente deixou claro ao assumir seu papel de comandante supremo das Forças Armadas e determinar a exoneração do general Júlio César de Arruda da chefia do Exército.

Arruda dera seguidas mostras de insubordinação à autoridade presidencial, desde que impedira o desmonte do acampamento de terroristas em frente ao QG do Exército, na noite de 8 de janeiro, com a segurança do DF já sob intervenção federal. Arruda esticou a corda e peitou Lula, achando que ficaria por isso mesmo. Não ficou.

Lula o substituiu pelo general Tomás Ribeiro Paiva, comandante militar do Sudeste. Na quarta-feira (18), com a crise em torno de Arruda em ponto de fervura, Paiva aproveitou cerimônia interna com a tropa para fazer uma defesa da legalidade e do respeito às eleições (o discurso foi divulgado nas redes sociais do comando). Três dias depois, Paiva seria nomeado o sucessor de Arruda.

A defesa da legalidade é bem-vinda, mas só pode ser considerada extraordinária diante do cenário de anômala partidarização das Forças Armadas no Brasil. Convém lembrar que Paiva foi chefe de gabinete de Eduardo Villas Bôas, o general tuiteiro que, em abril de 2018, pressionou o STF na véspera da votação do habeas corpus de Lula. O resto você sabe.

5 comentários:

  1. SEI. E COM DÓI...

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  2. Sei. E como dói!

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  3. A partidarização das FA no Brasil é a regra, não anomalia. A "extração" do comandante do EB por insubordinação é q surpreende, é uma anomalia ADMIRÁVEL.
    Acho q a frase ganhou fama com Lula, sempre citada com injusta ironia: nunca antes na história deste país ... um milico fora exonerado por um presidente civil e, além de tudo, LULA E PETISTA.
    COISA DE ESTADISTA.
    Dá-lhes, LULA!

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  4. E Biroliro virou presidente graças ao golpe de estado pós moderno do Villas Bôas.

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