quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

As entranhas do Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Segunda denúncia do BC ao MPF mostra que investigações estão só no começo

Master não pode virar um novo caso Americanas, sem punição a todos os envolvidos

segunda denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal com indícios de irregularidades na atuação do banco Master com fundos administrados pela gestora de investimentos Reag é emblemática por apontar que as investigações estão apenas no começo.

Vem muito mais bomba por aí. É isso que deixa Brasília e o mercado financeiro em chamas. O mundo político nem se fala. Não tem lado ideológico.

O volume de R$ 11,5 bilhões envolvido na nova denúncia do BC é escandaloso. Mas é a data da comunicação, relatada em documentação encaminhada ao Tribunal de Contas da União, que chama atenção.

É o mesmo dia em que Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em meio a uma tentativa de fuga do país, cujos detalhes ainda virão à tona para mostrar a teia de influência do ex-banqueiro. Novos nomes de envolvidos surgirão, muito provavelmente numa outra operação.

A informação de mais uma denúncia é revelada no momento em que está em curso uma megaoperação da banca de advogados de defesa contratada por Vorcaro para cavar uma nulidade no processo conduzido pelo BC.

A motivação é clara: gerar dúvidas sobre atuação do BC que identificou as fraudes do Master, que só ao Fundo Garantidor de Crédito vão custar mais de R$ 41 bilhões.

Os advogados de Vorcaro consideraram absurda a visão de que eles buscam no STF a anulação da liquidação do Master. Devem estar certos. Eles querem é livrar Vorcaro dos crimes. Se der, de quebra, tentar alguma indenização.

A estratégia para fragilizar o órgão regulador é apontar que houve uma coordenação indevida com o MP, BC e PF. É óbvio que atuação do BC com o MPF e a PF pode se dar a qualquer tempo.

O circo intimidatório montado em praça pública tira o foco de quem cometeu os crimes. Deixem os investigadores fazerem o seu trabalho.

O Brasil não pode ter um novo caso Americanas sem que todos os culpados tenham sido responsabilizados e os investidores prejudicados ressarcidos com o patrimônio dos controladores.

 

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