Por Samuel Lima / O Globo
Governador nega ainda 'discussão acalorada'
com Flávio Bolsonaro e alega que tem 'projeto de longo prazo' em São Paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 27, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "está se consolidando rapidamente" e que recusaria um convite para substituí-lo nas urnas, mesmo diante de um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim — declarou o político em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele foi à cidade para um encontro na fábrica da Toyota.
O comentário sobre as articulações de Flávio,
por sua vez, ocorreu após a visita, em coletiva de imprensa:
— Não creio que vá mudar, acho que está se
consolidando rapidamente. Ele está preenchendo esse espaço, tem o nome
Bolsonaro que é muito forte. Então, acredito que essa questão está decidida.
'Papo de amigo' com Bolsonaro
Ainda na entrevista à Jovem Pan, o governador
falou também sobre os motivos que levaram Bolsonaro a optar pelo filho no
pleito e disse que terá um "papo de amigo" na próxima quinta-feira,
quando o visitará em sua cela na chamada "Papudinha", em Brasília.
— Uma pessoa da família traz para ele uma
confiança, e eu vou estar com ele nessa caminhada. Na visita que eu vou fazer,
o meu papo vai ser um papo de amigo. Vou falar de amenidades, perguntar se ele
está precisando de alguma coisa, falar da solidariedade e do carinho que eu
tenho por ele e do que a gente está fazendo aqui fora para tentar ajudá-lo. Sem
entrar muito nessa questão. Não costumo falar de eleição, de política com ele.
Procuro sempre mostrar que estou do seu lado.
— Na última visita que eu fiz ao Bolsonaro,
quando ele ainda estava em prisão domiciliar, antes do regime fechado, ele me
disse: ‘E aí, Tarcísio, eleição presidencial, qual é a sua posição?’. Eu disse:
‘A minha posição é ficar em São Paulo’. Eu fui muito contundente, muito claro
com ele em relação a isso, porque também eu precisava manter uma linha de
coerência — disse, em outro trecho.
Tarcísio alegou ainda que não teve uma
discussão acalorada com Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro
escolhido pelo pai para representá-lo nas urnas contra o presidente Lula (PT),
frustrando parte do empresariado e líderes do Centrão. Demonstrou incômodo
nesse ponto, atribuindo as informações a mentiras que circulam nos bastidores.
— Não estou frustrado, não. Nem vou falar isso na quinta-feira para o Bolsonaro, até porque isso não existe — afirmou ele. — Eu sempre disse que o meu projeto para São Paulo é de longo prazo. Alguns que passaram e pensaram logo na candidatura presidencial deixaram cicatrizes, feridas abertas. Não quero decepcionar ninguém.

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