quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A política do porrete. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Após atacar a Venezuela, republicano faz ameaças a Colômbia, Cuba, México, Groenlândia...

Donald Trump deixou claro: não pretende parar na Venezuela. Depois de ordenar o bombardeio de Caracas e o sequestro de Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos mostrou os dentes para mais três países da América Latina. Ameaçou atacar a Colômbia, derrubar o governo de Cuba e “fazer alguma coisa” com o México.

No domingo, o republicano retomou outra de suas obsessões. “Precisamos da Groenlândia”, disse, como se estivesse fazendo a lista de compras no mercado. Ontem a Casa Branca confirmou que ele avalia “várias opções” para abocanhar o território autônomo da Dinamarca. “Recorrer ao Exército é sempre uma alternativa à disposição do comandante em chefe”, acrescentou a porta-voz Karoline Leavitt.

Trump sempre gostou de se impor pelo medo. A novidade dos últimos dias é que suas ameaças não podem mais ser vistas como meras bravatas. Ao mandar a Força Delta para a Venezuela, o presidente mostrou que está disposto a usar o poder militar para conseguir o que deseja. Mesmo sob risco de implodir o que resta da Pax Americana imposta após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Na primeira fala depois do ataque a Caracas, o republicano proclamou a volta da Doutrina Monroe, que pregava a “América para os americanos”. Na prática, retomou o Corolário Roosevelt, que autorizava o uso do big stick para impor as vontades dos Estados Unidos ao continente.

Agora o porrete está nas mãos do dono de um ego desgovernado. Segundo reportagem do Washington Post, Trump descartou dar o cargo de Maduro a María Corina Machado porque ela aceitou o Nobel da Paz — que ele preferia ver em sua própria estante. A antichavista já se ofereceu para “entregar” o prêmio ao republicano, mas ele não parece interessado na troca.

A vaidade do homem não tem limite. Enquanto o Pentágono preparava o bote em Maduro, ele mandou criar um site oficial para reescrever a História em causa própria. A página trata o republicano como herói da democracia e repete a mentira de que Joe Biden teria roubado a eleição de 2020. Os golpistas que invadiram e depredaram o Capitólio são descritos como “manifestantes pacíficos e patriotas”. Todos estão soltos graças a Trump.

 

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