Folha de S. Paulo
Mesmo com Trump e medo de bolhas, cenários do
establishment para 2026 são risonhos
'Bela armada' dos EUA está pronta para atacar
aiatolás; valor da Microsoft cai US$ 360 bilhões
Os chutes informados para a economia mundial
no ano de 2026 parecem risonhos, ao menos no universo de bancões, consultorias
e até de centros de estudos estratégicos. Na média e na mediana, parecem assim.
Não raro, dá tudo errado. Ruídos recente no concerto do otimismo nos lembram motivos possíveis de rolo, que acabam por enrolar o Brasil, alerta também para os animados do "Ibovespa 200 mil" (ou mais).
Uma grande frota americana, "a bela armada", no dizer de Donald Trump, está pronta para atacar o Irã.
Outro alerta vem do mundo "big tech". O anúncio do que foi tido como
superinvestimento em data centers da Microsoft, provocou
um talho de um terço de trilhão de dólares no valor das ações da empresa,
balançando os mercados.
A corrida sem fim do ouro é no mínimo sintoma
de medo na finança e talvez resultado, agora, de bolha ou de
"alavancagem" (endividamento para a compra de ouro ou aplicações
financeiras lastreadas em ouro).
Quais são essas previsões de cenários otimistas para 2026?
O dólar cairia
um tanto mais ao longo do ano, sem colapsos. Parece razoável acreditar que sim,
por vários motivos: descrédito dos EUA, saída do excesso de dinheiro aplicado
em ativos americanos, fuga do risco Trump, juros menores por lá, medo de
confisco etc.
A coisa mudaria de figura se Trump acabasse
por explodir alguma parte do planeta ou se sobreviesse implosão econômica
noutra parte do mundo.
O preço do petróleo iria
abaixo de US$ 60 (o Brent). Sobra petróleo no mundo, porque a Opep quer manter
mercado e coloca mais óleo nos canos desde o ano passado, porque há novos
produtores relevantes (como Brasil e até já a Guiana), porque os EUA produzem
um monte.
Uma guerra com consequências sérias para o
mercado de energia é cantada faz décadas. Quem já não ouviu que, atacado, o Irã
dispararia mísseis pelo Oriente Médio petroleiro
e fecharia
o estreito de Hormuz, estrangulando um quarto do fluxo mundial de
exportações de petróleo pelo mar? Jamais aconteceu.
O risco remoto desse rolo levou o Brent a US$
71 por barril. O preço flutuou entre US$ 66 e US$ 91 entre o ataque o Hamas
contra Israel de outubro de 2023 e o ataque americano contra o Irã e o fim da
"guerra dos 12 dias", em junho de 2025.
Desta vez será pior? Trump bombardearia os
aiatolás assassinos até o fim? O Irã reagiria, de modo suicida, a alguns tiros
de Trump? A marinha americana vai capturar os petroleiros que transportam o
petróleo iraniano, à moda da operação Venezuela? O Irã reagiria apenas com
fogos de artifício, como o fez no ano passado, atirando aquele míssil para
inglês ver contra a base dos EUA no Qatar?
As ações das empresas americanas, em especial
aquelas do mundo IA, estariam caras, "mas esta bolha é diferente",
dizem. Ainda iria adiante por uns dois anos e tenderia a se esvaziar aos
poucos, à medida em que aparecessem os vencedores da corrida.
As perdas do superinvestimento seriam
compensadas por ganhos de produtividade e pelo que ficar de infraestruturas
úteis, das digitais às de energia.
Os paniquitos dos mercados financeiros
dos Estados
Unidos dariam limites às barbaridades mais destrutivas de Trump, vide
os recuos no tarifaço de abril de 2025 ou na ofensiva da Groenlândia, se diz
por aí.
No cenário risonho e sem tiro, pancada e
bomba, sem estouro de bolha financeira, a economia mundial cresceria um tanto
mais do que em 2025. Nuvens, há. Com Trump, a meteorologia fica mais biruta.
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