Folha de S. Paulo
Instituição financeira deu ao Tribunal de
Contas a chance de sair de uma confusão em que nunca deveria ter entrado
No meio das suspeições sobre blindagem do
Banco Master ainda restam o Supremo Tribunal Federal e o Congresso
O desfecho da reunião entre o Banco Central e
o Tribunal de
Contas da União, relatado por Vital
do Rêgo Filho, deixou a nítida impressão de que o BC deu ao TCU a chance de
sair de uma confusão em que nunca deveria ter entrado.
Uma saída mais ou menos honrosa: ficou combinada uma inspeção supervisionada que em nada muda a decisão técnica da liquidação do Banco Master, mas serve para o órgão auxiliar do Poder Legislativo reduzir os danos provocados pelo esquisito afã do ministro relator, Jhonatan de Jesus, em questionar o BC.
O presidente do TCU bem que tentou dar um nó
em pingo d’água em suas explicações. Ressaltou o espírito de colaboração entre
as duas instâncias, mas escorregou ao dizer que a atuação do tribunal conferia
segurança jurídica, "um selo de qualidade", ao Banco Central.
Considerando que a autoridade monetária não
precisa de nada disso para decretar o fim das atividades de instituições
financeiras que infrinjam as regras de mercado e prejudiquem investidores, a
alegação expôs o caráter meramente protocolar do encontro. Extraordinariamente
rápido —45 minutos— para tema tão complexo, se análise de fato houvesse.
A ideia foi selar a paz onde nunca deveria
ter havido sinal de guerra e dar uma demão de verniz na imagem do TCU,
arranhada com a adesão à ofensiva de ações explícitas e implícitas no intuito
de aliviar de alguma forma a situação de Daniel
Vorcaro.
Depois de ter ido à linha de frente, o
Tribunal de Contas recuou e completará o gesto em manifestação do colegiado na
próxima semana. Resta nesse obscuro ambiente o Supremo Tribunal
Federal, sobre o qual recaem respingos de questionamentos às condutas dos
ministros Dias Toffoli e Alexandre
de Moraes.
O Congresso aparece como sujeito oculto na cena. Ali tentou-se aprovar regra de
demissão de diretores do BC e aumento do dinheiro garantido aos investidores de
bancos falidos. As iniciativas fracassaram, mas ainda assim seus autores
deveriam ser importunados em atenção à clareza dos fatos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.