Por Bruno Lessa / O Globo
Ministro elogiou atuação do Banco Central e disse que estar 'absolutamente seguro' do trabalho de Galípolo
O ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, disse nesta terça-feira que a pasta tem dado "todo o respaldo
institucional" ao Banco
Central no processo de liquidação do Banco Master.
Segundo ele, o caso pode ser a "maior fraude do país".
– O caso inspira muito cuidado, nós podemos
estar diante da maior fraude bancária da história do país. Temos que tomar
todas as cautelas devidas com as formalidades, garantindo evidentemente todo o
espaço para a defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo bastante firmes em
relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público – afirmou.
O titular da equipe econômica disse que tem falado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e elogiou o trabalho da autoridade monetária.
– Tenho falado com o presidente do Banco
Central quase diariamente, dando todo o respaldo institucional da Fazenda para
o Banco Central. Eu penso que nós temos feito um trabalho conjunto muito importante,
que envolve a Fazenda também, o caso Reag envolve a Fazenda, tem uma conexão
que está sendo apurada entre os dois casos – disse o ministro, em conversa com
a imprensa. – A transparência vai ajudar, estou absolutamente seguro do
trabalho que Galípolo e equipe fizeram ali.
O caso Reag, citado pelo ministro, refere-se
à Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes do país, que
passou a ser monitorada pelas autoridades após a deflagração
da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal. Esta operação investiga
suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes financeiros por meio de fundos de
investimento estruturados. A empresa nega irregularidades.
Esta é a primeira vez em que Haddad vem a
público defender a atuação do BC no caso após as divergências com o Tribunal de
Contas da União (TCU).
Haddad classificou a atuação do Banco Central
como "tecnicamente muito robusta" e reforçou que o caso extrapola
interesses privados, tornando-se uma questão de interesse público.
– É um assunto de interesse publico por
várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos.
O ministro lembrou que, embora o Fundo
Garantidor de Créditos (FGC) seja considerado um fundo privado, ele é
capitalizado também por bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa Econômica
Federal respondem por cerca de um terço dos recursos do fundo, o que, segundo
Haddad, amplia a relevância do caso para o Estado.
Haddad disse ainda que conversou com o
presidente do TCU, Vital do Rêgo, na semana passada. A corte de contas irá
fazer uma inspeção nos documentos que embasaram a liquidação.
Nesta terça-feira, a autoridade
monetária retirou
os recursos (embargos) contra a inspeção nos documentos da liquidação do Banco
Master. Com isso, volta a valer o despacho que determinou a inspeção,
segundo o órgão de contas.
As conversas ganharam corpo em reunião nesta
terça-feira entre representantes do TCU e do BC. No encontro, foi fechado um
entendimento para que a Corte faça um trabalho de fiscalização do processo de
liquidação do Banco Master sem gerar riscos para a autoridade monetária ou
abrir brechas para a defesa dos acionistas da instituição liquidada.
– Penso que houve ali uma convergência e que
as coisas vão caminhar para o lado certo – disse Haddad.
O Banco Master foi liquidado em novembro passado pelo BC por conta de uma “crise aguda de liquidez” que o impedia de satisfazer, com pontualidade, os compromissos assumidos, de acordo com a autoridade monetária. A Polícia Federal investiga, ainda, a venda de carteiras de crédito de R$ 12 bilhões do Master para o BRB, banco estatal de Brasília.

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