O Estado de S. Paulo
Ibaneis precisa de pressa para socorrer os cofres do BRB, que não está imune a uma intervenção do BC
O Banco Central, regulador nacional do sistema financeiro, ainda calcula o tamanho do rombo nas contas do Banco de Brasília (BRB), como um dos desdobramentos do caso Master. A auditoria contratada pela própria instituição também está em andamento. Mas já é possível ter certeza de que o “projeto de nacionalização” que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dizia promover no banco público não tinha fundamentos sólidos. E o máximo que ele conseguiu foi ver o banco envolvido em escândalo nacional.
Ibaneis foi um dos principais fiadores das
transações do BRB com o banco de Daniel Vorcaro. A despeito dos pareceres
apontando que a compra de 58% do Master era inadequada e que não havia dados
sobre a viabilidade do negócio, a Câmara Legislativa aprovou a compra no ano
passado. A votação pelos deputados distritais em agosto de 2025, foi relâmpago,
com dois turnos num só dia. Mais ágil ainda foi a sanção de Ibaneis ao projeto.
Apenas duas horas depois de o texto chegar a sua mesa, já estava assinado.
Agora, o governador precisará ter pressa para
socorrer os cofres do banco público, que não está imune a uma intervenção do
Banco Central, em razão de insuficiência patrimonial. Para arcar com os
prejuízos, o BRB apela por um aporte do GDF.
O holofote está sobre os contratos que o BRB fechou com banco de Vorcaro, mas há outras investidas sob a batuta do atual governo local que precisam ser trazidas à luz. Antes do caso Master, Ibaneis levou o Banco de Brasília a outras transações que fugiam de seu escopo, como a decisão de patrocinar o maior anúncio na camisa do Flamengo e de investir em projetos no Piauí.
Em comum nos dois negócios está o fato de ser
o time e o Estado de origem do governador. O argumento era tornar o banco mais
conhecido e fazer com que captasse mais clientes e negócios. Pode até ter
atraído, mas para outras apostas inadequadas que deixarão a conta com o Tesouro
– em tempo, abastecido principalmente com recursos da União. Quase 40% do
orçamento do DF aprovado para 2026 são de recursos do Fundo Constitucional do
Distrito Federal (FCDF), conjunto de recursos federais, previstos na
Constituição. Nos últimos anos, Ibaneis conseguiu manter seus interesses sobre
o BRB longe de questionamentos. Como é conhecido do seu comportamento, se há
uma crise, ele tenta se afastar. Quem não se lembra de sua postura omissa
frente aos atos golpistas de janeiro de 2023?
Desta vez, o escândalo do BRB/Master avançou
para além do quadradinho de Brasília. E, nas voltas que o mundo dá, tem
potencial para mudar rumos da disputa no Distrito Federal.

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