O Estado de S. Paulo
Planalto avalia que terá de fazer mais concessões para aprovar indicação de Messias ao STF
O escândalo do Banco Master vai agitar ainda
mais a Praça dos Três Poderes quando deputados e senadores voltarem das férias,
no início de fevereiro. No Palácio do Planalto, ministros definem o impacto das
investigações sobre as fraudes como “ensaio para o juízo final”, diante das
conexões políticas de Daniel Vorcaro, dono do banco, com o Centrão e seus
agregados.
O governo Lula avalia, agora, que terá de fazer mais concessões para que a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) seja aprovada pelo Senado no mês que vem. Até hoje, o movimento feito pelo Planalto, a contragosto do Ministério da Fazenda, não foi suficiente.
Na tentativa de agradar ao presidente do
Senado, Davi Alcolumbre – que queria emplacar no STF Rodrigo Pacheco, e não
Jorge Messias –, Lula indicou no último dia 7 o advogado Otto Lobo para a
presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A exemplo de Messias, o
nome precisa passar pelo crivo do Senado.
Conhecido por decisões controversas, que beneficiaram Vorcaro e o Master na CVM – quando o banco já estava quebrado –, Lobo é próximo do Centrão. Mas Alcolumbre fez questão de telefonar para ministros com assento no Planalto, nos últimos dias, para dizer que o advogado não era seu apadrinhado e tudo não passava de “intriga”. Não foi só: avisou que, para provar isso, seguraria a sabatina de Lobo no Senado por tempo indeterminado.
Diante do imbróglio, o governo já teme que a
fatura para a aprovação de Messias a uma vaga no STF fique ainda mais cara.
Embora a análise da indicação do advogado-geral da União para a Corte não tenha
ligação direta com Otto Lobo, as duas votações estão unidas pela prática do “é
dando que se recebe”, sinônimo de casamento perfeito no Congresso.
“A sabatina do Otto Lobo é na Comissão de
Assuntos Econômicos (CAE) e Alcolumbre nunca falou comigo sobre isso”, disse o
presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB). “Mas uma coisa é certa: o sistema
financeiro não será o mesmo depois do escândalo do Master. Todos nós, juntos,
precisamos fazer o que a CVM não fez”.
No ano passado, quando o Banco de Brasília
(BRB) ainda negociava a compra do Master, algumas vozes do STF já apontavam,
nos bastidores, o que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz hoje, com
todas as letras: “Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do
País”.
O que não se sabia, até então, era a extensão do escândalo. E muito menos o potencial do estrago sobre todos os Poderes neste ano de eleições.

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