terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Do brega ao clássico. Por Irlam Rocha Lima

Correio Braziliense

O filme O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho, tem a trama embalada por uma diversificada trilha sonora

As conquistas de O agente secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, em diversas mostras de cinema ao redor do mundo, como o tradicional Festival de Cannes, na França, e, claro, o prestigioso Globo de Ouro, nos Estados Unidos, têm a trama embalada por uma diversificada trilha sonora.

No decorrer do filme, ouve-se desde If you leave me now, clássico da banda norte-americana Chicago, a Eu não sou cachorro não, sucesso brega do saudoso cantor e compositor baiano Waldick Soriano, que abre o repertório.

São canções que, de alguma forma, ajudaram a narrativa da película, concorrente ao Oscar nas categorias Melhor filme, Melhor filme internacional, Melhor seleção de elenco e Melhor ator — o protagonista Wagner Moura.

Boa parte da trilha é original, composta e tocada pelos irmãos recifenses Matheus e Tomaz Alves de Souza. De acordo com Kleber, O agente secreto é um filme sobre a memória, a falta dela. Ele deixou claro, em entrevista recente, que a intenção era ter uma trilha sonora que ajudasse a criar "expectativas magníficas" ao mostrar o passado através de um filme contemporâneo.

Não por acaso, incluiu no set list, por exemplo, Não há mais tempo, na interpretação de Ângela Maria, eterna rainha do rádio; Samba do Arpege (Waldir Calmon e Luiz Bandeira); Love to love, com Donna Summer; e o clássico Guerra e pace, do italiano Ennio Morricone. A elas se juntam, entre outras, Esquenta mulher (Orquestra Maestro Nelson Ferreira) e Briga de cachorro com a onça (Banda de Pífanos de Caruaru).

Kleber Mendonça, produtor, roteirista e programador, desenvolve uma carreira marcada por elogios da crítica sobre filmes marcados pelas tensões sociais urbanas e históricas do Brasil, com foco, particularmente, em Recife, sua cidade natal.

Som ao redor foi o primeiro longa-metragem de ficção autoral de Mendonça, lançado em 2012. Aquarius, o segundo, estrelado por Sônia Braga, competiu pela Palma de Ouro, representando o Brasil no Festival de Cannes de 2016.

Na sequência veio Bacurau, codirigido por Juliano Dornelles, filme dos gêneros dama, neo-western, terror, fantasia e ficção. Curiosamente, o título da obra tem a ver com o apelido do último ônibus da madrugada, que trafega pelas ruas da capital pernambucana.

 

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