Ou seja, nenhuma medida heroica ou radical deverá ser proposta. Nem no aumento de tributos, no corte de gastos. Até mesmo em função das dificuldades de se obter apoio parlamentar para medidas mais ousadas em ano eleitoral. O objetivo a ser perseguido é o cumprimento da meta de resultado primário prevista, utilizando os descontos legais permitidos e mirando o limite inferior da margem de tolerância, zerando o déficit primário, em 2026 depois de doze anos de sucessivos déficits.
Objetivos
tímidos para a política fiscal em um país que precisaria gerar um superávit
primário superior a 2,0% do PIB para estancar o crescimento da relação entre
dívida pública e PIB e mudar substancialmente o perfil dos gastos, para que o
governo federal pudesse aumentar os investimentos.
Em outras
palavras, em ano de Copa do Mundo, em termos fiscais, o governo federal jogará
não para uma goleada transformadora, mas por um bom empate, que embora adie
soluções estruturais, não permita a situação sair do controle.
Na análise do
resultado primário verificado em 2025, o déficit legal apurado foi de R$ 13
bilhões ou 0,1% do PIB. Já o déficit efetivo, que não excepcionaliza nenhum
gasto, foi de R$ 61,7 bilhões ou 0,48% do PIB. Neste sentido, a meta fiscal foi
formal e legalmente cumprida, ainda que os 0,48% do PIB de déficit efetivo
venham a incrementar ainda mais a dívida do governo central.
A arrecadação cresceu 3,2% acima da inflação.
No entanto, a despesa cresceu ainda mais, em termos reais, com incremento de
3,4% acima do IPCA.
O desequilíbrio
nas contas federais fez com que a dívida crescesse 7,3 pontos percentuais do
PIB, de dezembro de 2022 a novembro de 2025, alcançando o nível de 79% do PIB.
A
excepcionalização de despesas para a apuração do teto de gastos previsto no
arcabouço fiscal, em 2026, será de 8,2% do total de despesas num total de R$
230,7 bilhões de despesas excluídas. Evidente que essas sucessivas alterações
nos parâmetros fiscais fragilizam o poder de ancoragem das expectativas da
atual regra do jogo.
Há que se
realçar ainda a dramática queda da capacidade de investimento do governo
federal, nas últimas décadas, como mais um sintoma do estrangulamento crescente
do orçamento público e um fator preocupante para a retomada de um crescimento
econômico mais vigoroso e sustentado. O governo federal investe apenas 0,76% do
PIB ou 3,9% das despesas primárias totais. Este é um dos elementos centrais que
levará o Brasil a ter uma taxa de investimento média, na presente década, de
apenas 17% do PIB, enquanto os países emergentes asiáticos investirão 37,5% de
seus PIBs, os emergentes europeus, 26,1%, e os países latino-americanos, 19,8%.
A mudança no perfil do gasto público e a alteração da atual dinâmica
orçamentária são essenciais para que o governo federal contribua mais para o
desenvolvimento do País.

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