Folha de S. Paulo
Governo e oposição por enquanto estão juntos
na falta de projetos de país a serem apresentados ao eleitorado
Ministros falam dos temas da campanha, mas
deixam de fora as demandas por segurança e produtividade
Um dos temas que dominam as cogitações
iniciais do ano
eleitoral é justamente qual será o tema dominante na campanha.
As pesquisas apontam a segurança pública, mas dois ministros que falaram
recentemente sobre isso não incluem o assunto nos destaques.
Fernando
Haddad (PT) disse ao UOL que
a economia não
definirá vencedor nem perdedor, ao contrário de eleições anteriores. Talvez
tenha pretendido afastar sua gestão na Fazenda do escrutínio público.
Guilherme
Boulos (PSOL),
em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, também deixou de fora a
segurança. Para ele, três questões vão prevalecer: soberania nacional, isenção do
Imposto de Renda para os mais pobres e fim da escala
6x1 na jornada de trabalho.
Chama atenção o fato de ambos excluírem do
debate o combate à criminalidade, a despeito do indicativo de que este seja o
anseio maior da população premida pela insegurança no dia a dia. Parece se
tratar de uma capitulação dos governistas ante a ausência de boa resposta à
principal demanda do eleitorado. A batalha do projeto contra facções foi
perdida para a oposição e a PEC da Segurança ainda está em disputa.
Restaria ao Planalto apostar em pautas
populistas, mas de efeito incerto. A escala 6x1 alcança trabalhadores formais.
Pode ser muita gente, mas não inclui o universo dos informais e tampouco atende
à maioria interessada em outro tipo de abordagem, algo ligado à elevação da
capacidade produtiva do país.
A isenção do IR é
um bom ativo eleitoral, mas não chega a refletir a justiça tributária alegada
pelo governo. Ademais, não é certo que tenha o poder de fazer os beneficiados
se sentirem compelidos a agradecer nas urnas.
A defesa da soberania nacional pegou bem
quando do tarifaço,
mas salvo improváveis novos ataques de Donald Trump,
deu o que tinha de dar. Proporcionou melhoras a Lula,
mas não o suficiente que a aprovação ultrapassasse a desaprovação.
Se falta clareza ao governo quanto ao que
oferecer ao país, a oposição padece do mesmo mal. Pobre Brasil.

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