domingo, 18 de janeiro de 2026

Michelle muda o rumo da prosa com o Supremo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Confronto com a Justiça é contraproducente na busca pelo benefício da prisão domiciliar para Bolsonaro

O caminho do assédio agressivo foi substituído pela tentativa de vencer pela via do diálogo e do convencimento

Michelle Bolsonaro (PL) parece convencida de que não adianta confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF). Para tentar dar ao marido uma chance de obter a prisão domiciliar, ela optou nos últimos dias por substituir o assédio agressivo pela via do diálogo e do convencimento.

Se a estratégia convencerá o ministro Alexandre de Moraes de que "seu Jair" merece o benefício e, em casa, não voltará a desafiar a Justiça, são outros quinhentos. O importante aqui é apontar a inflexão na abordagem da mulher do ex-presidente.

A mudança atua em duas dimensões —política e judicial—, ambas marcando a diferença entre ela, os enteados e os aliados que insistem no enfrentamento ao tribunal, a fim de afetar combatividade ao eleitorado.

O fanatismo fala à militância, mas é contraproducente no alcance do objetivo pretendido. Se é que os fanáticos estão mesmo preocupados com o bem-estar do chefe ou mais interessados em se aproveitar, até o caroço, da figura dele como mártir de causa perdida.

Não sabemos o que exatamente Michelle disse ao relator e ao decano, Gilmar Mendes, nem se as conversas sensibilizaram os ministros, mas vimos depois disso Bolsonaro ser transferido da pequena sala de estado maior da Polícia Federal para um amplo alojamento militar com mais acesso a visitas, banho de sol e condições de conforto.

Vimos também ela trocar a expressão "condições menos torturantes" por "instalações menos prejudiciais à saúde", em postagens logo após a transferência. Sinal claro de que escolheu o caminho da moderação. Nisso, conta com a parceria do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que nos remete à dimensão política dessa história.

Michele e Tarcísio escolheram o pragmatismo e por essa razão passaram a ser atacados abertamente pelos radicais que se aferram ao extremismo sem resultados.

Tais escolhas vão repercutir nos acontecimentos políticos daqui em diante e poderão definir quem terá mais chance de sucesso na condução do sobrenome Bolsonaro nas eleições.

 

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