Valor Econômico
Levantamento também mostra força das redes
sociais, principal fonte de informação para 39% dos entrevistados
A primeira
pesquisa Genial/Quaest de 2026 mostra uma consolidação do senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) como principal alternativa da oposição e o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva aparentemente no teto da sua avaliação e intenção de voto.
Lula oscila entre 35% e 40% nos diversos cruzamentos e cenários do primeiro turno e entre 43% e 46% nos de segundo turno. Lidera sempre, mas não pode ser descrito como favorito para a eleição porque sua rejeição permanece em 54%, mesmo percentual da rodada passada.
Entre os eleitores independentes (32% da
amostra), a rejeição a Lula chega a 62%. Entre os evangélicos o presidente
alcança 64% de desaprovação de seu governo, o maior percentual entre todos os
cruzamentos e o maior registrado nessa faixa desde setembro, um sinal de que de
nada adiantaram diversos gestos do presidente: escolha de Jorge Messias para o STF,
recebimento de apoio de lideranças evangélicas e o decreto que reconheceu o
gospel como manifestação cultural nacional.
Flávio Bolsonaro tem percentuais de rejeição
semelhantes ao de Lula (55%, ante 54% do presidente), o que é alentador para o
bolsonarista, que na largada da corrida eleitoral estava com rejeição seis
pontos percentuais mais alta. Vai absorvendo todo o eleitorado que era do pai,
o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas definitivamente não empolga entre os
eleitores independentes, que tendem a ser decisivos em um cenário calcificado.
O levantamento Genial/Quaest fez simulação de
segundo turno com todos os candidatos e nesta faixa que corresponde
praticamente a um terço do eleitorado o senador alcançou 21% das intenções de
voto, menos que Aldo
Rebelo (DC), que conseguiu 24% e de Renan Santos (Missão) que
ficou com 23%. O eleitorado de forma geral ainda o avalia com bastante
ceticismo. Na pergunta sobre quem deve ganhar a eleição se o presidente
enfrentar alguém da família Bolsonaro, Lula consegue 56% e o parente do
ex-presidente 34%. Quando a pergunta é sobre quem ganha se a família Bolsonaro
ficar de fora o favoritismo do petismo desaparece.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos),
tem desempenho ligeiramente melhor do que Flávio contra Lula no segundo turno.
Perde por cinco pontos, enquanto o senador fica em segundo por sete pontos de
diferença. Mas nas simulações de primeiro turno fica nítido que o primogênito
do ex-presidente agrega mais votos dentro da bolha de direita. É preciso ponderar que o senador está em campanha aberta para
suceder Lula e o governador não está, o que naturalmente influi na manifestação
do eleitor pesquisado.
Quando há a substituição de Flavio por
Tarcísio na simulação — hipótese testada em um único cenário, também sem Ratinho Júnior (PSD)
e Romeu Zema (Novo),
percebe-se um escape do voto da direita radical para dois candidatos nanicos.
Renan Santos vai para 4% e Aldo Rebelo para 3%. É um indício de que Tarcísio
talvez seja visto como “establishment” demais, moderado demais, para uma faixa
de eleitores que fica com Flávio quando o senador se faz presente entre os
cenários.
É um indício, que precisaria ser testado em
mais cenários, de que uma eventual candidatura do governador de São Paulo
poderia replicar um fenômeno semelhante ao da eleição paulistana de 2024,
quando o influenciador Pablo
Marçal (PRTB) veio do nada e, abusando da agressividade,
quase chegou ao segundo turno. Renan Santos tem algumas semelhanças com este
modelo: crescente presença em redes digitais e ataques pessoais a todo espectro
político.
A pesquisa traz uma
grande novidade em relação ao modo pelo qual o eleitor recebe informação. Pela
primeira vez desde o início dos levantamentos, a maior parte dos eleitores
disse que se informa pelas redes sociais (39%), ante 34% que afirmaram se
informar pela televisão. Isso significa que o eleitor está muito mais
exposto a um meio colonizado pela polarização extrema e por notícias com viés
de confirmação da bolha. Isso aumenta a chance de ocorrência de dissonâncias
cognitivas.
O questionário da
pesquisa sobre economia indica que isso já pode estar acontecendo. A maior
parte do eleitorado (43%) afirmou que a economia do país piorou nos últimos 12
meses. Em
dezembro, o percentual era de 38%. Mas não fica claro o motivo do aumento da
perspectiva negativa, já que não há, na comparação com o levantamento de
dezembro, percepção de aumento no preço dos alimentos, de piora no poder de
compra, de crescimento de endividamento e de mais dificuldade na obtenção de
empregos. A percepção de piora na economia não está aderente a indicadores
concretos.

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