quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Pesquisa mostra consolidação de Flávio como adversário de Lula. Por César Felício

Valor Econômico

Levantamento também mostra força das redes sociais, principal fonte de informação para 39% dos entrevistados

primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 mostra uma consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal alternativa da oposição e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparentemente no teto da sua avaliação e intenção de voto.

Lula oscila entre 35% e 40% nos diversos cruzamentos e cenários do primeiro turno e entre 43% e 46% nos de segundo turno. Lidera sempre, mas não pode ser descrito como favorito para a eleição porque sua rejeição permanece em 54%, mesmo percentual da rodada passada.

Entre os eleitores independentes (32% da amostra), a rejeição a Lula chega a 62%. Entre os evangélicos o presidente alcança 64% de desaprovação de seu governo, o maior percentual entre todos os cruzamentos e o maior registrado nessa faixa desde setembro, um sinal de que de nada adiantaram diversos gestos do presidente: escolha de Jorge Messias para o STF, recebimento de apoio de lideranças evangélicas e o decreto que reconheceu o gospel como manifestação cultural nacional.

Flávio Bolsonaro tem percentuais de rejeição semelhantes ao de Lula (55%, ante 54% do presidente), o que é alentador para o bolsonarista, que na largada da corrida eleitoral estava com rejeição seis pontos percentuais mais alta. Vai absorvendo todo o eleitorado que era do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas definitivamente não empolga entre os eleitores independentes, que tendem a ser decisivos em um cenário calcificado.

O levantamento Genial/Quaest fez simulação de segundo turno com todos os candidatos e nesta faixa que corresponde praticamente a um terço do eleitorado o senador alcançou 21% das intenções de voto, menos que Aldo Rebelo (DC), que conseguiu 24% e de Renan Santos (Missão) que ficou com 23%. O eleitorado de forma geral ainda o avalia com bastante ceticismo. Na pergunta sobre quem deve ganhar a eleição se o presidente enfrentar alguém da família Bolsonaro, Lula consegue 56% e o parente do ex-presidente 34%. Quando a pergunta é sobre quem ganha se a família Bolsonaro ficar de fora o favoritismo do petismo desaparece.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem desempenho ligeiramente melhor do que Flávio contra Lula no segundo turno. Perde por cinco pontos, enquanto o senador fica em segundo por sete pontos de diferença. Mas nas simulações de primeiro turno fica nítido que o primogênito do ex-presidente agrega mais votos dentro da bolha de direita. É preciso ponderar que o senador está em campanha aberta para suceder Lula e o governador não está, o que naturalmente influi na manifestação do eleitor pesquisado.

Quando há a substituição de Flavio por Tarcísio na simulação — hipótese testada em um único cenário, também sem Ratinho Júnior (PSD) e Romeu Zema (Novo), percebe-se um escape do voto da direita radical para dois candidatos nanicos. Renan Santos vai para 4% e Aldo Rebelo para 3%. É um indício de que Tarcísio talvez seja visto como “establishment” demais, moderado demais, para uma faixa de eleitores que fica com Flávio quando o senador se faz presente entre os cenários.

É um indício, que precisaria ser testado em mais cenários, de que uma eventual candidatura do governador de São Paulo poderia replicar um fenômeno semelhante ao da eleição paulistana de 2024, quando o influenciador Pablo Marçal (PRTB) veio do nada e, abusando da agressividade, quase chegou ao segundo turno. Renan Santos tem algumas semelhanças com este modelo: crescente presença em redes digitais e ataques pessoais a todo espectro político.

A pesquisa traz uma grande novidade em relação ao modo pelo qual o eleitor recebe informação. Pela primeira vez desde o início dos levantamentos, a maior parte dos eleitores disse que se informa pelas redes sociais (39%), ante 34% que afirmaram se informar pela televisão. Isso significa que o eleitor está muito mais exposto a um meio colonizado pela polarização extrema e por notícias com viés de confirmação da bolha. Isso aumenta a chance de ocorrência de dissonâncias cognitivas.

O questionário da pesquisa sobre economia indica que isso já pode estar acontecendo. A maior parte do eleitorado (43%) afirmou que a economia do país piorou nos últimos 12 meses. Em dezembro, o percentual era de 38%. Mas não fica claro o motivo do aumento da perspectiva negativa, já que não há, na comparação com o levantamento de dezembro, percepção de aumento no preço dos alimentos, de piora no poder de compra, de crescimento de endividamento e de mais dificuldade na obtenção de empregos. A percepção de piora na economia não está aderente a indicadores concretos.

 

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