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O objetivo do artigo é resgatar a
concepção de classes e grupos subalternos no pensamento de Antonio Gramsci,
demarcando a relação orgânica do tema com suas condições de vida, suas origens
sardas e a “questão meridional”. Através de um estudo bibliográfico e
teórico-filológico, recupera-se a presença dos conceitos nos escritos
pré-carcerários, o aprofundamento nos Cadernos do cárcere, com
destaque para os Cadernos 3 e 25, e as mediações
com outras categorias desenvolvidas na obra carcerária.
Palavras-chave:
Gramsci; Classes subalternas; Grupos subalternos
“Classes e grupos subalternos” estão entre os conceitos gramscianos mais discutidos nas últimas décadas, empregados nos mais variados discursos acadêmicos, científicos e políticos. Seu uso difundiu-se e alastrou-se largamente, em especial a partir dos estudos do coletivo indiano Subalter Studies, surgido nos anos 1980, ganhando popularidade entre os estudiosos de língua inglesa. Essa rápida disseminação, contudo, não raro vem acompanhada de equívocos interpretativos, decorrentes de uma apropriação indireta da obra de Gramsci, sem recorrer às fontes originais. Não é incomum, por exemplo, encontrarmos referência à discussão da subalternidade sem menção ao nome de Gramsci, o qual, mesmo que muito citado, permanece pouco lido na fonte viva de seu pensamento.
Não por acaso, a ideia de “classes
subalternas” aparece comumente associada à condição de classes baixas, pobres,
inferiores, enfim, desprovidas dos meios necessários para a manutenção da
subsistência. Outro “reducionismo” amplamente observado é a falsa percepção de
que a expressão “classes subalternas” seria uma espécie de código para o termo
“proletariado”, a fim de burlar a censura a que Gramsci supostamente estaria
submetido no cárcere. Tal gama de interpretações simplistas não é capaz de
expressar a riqueza conceitual da categoria e, geralmente, conduz ao perigoso
pressuposto de que Gramsci não teorizou sobre a subalternidade. Assim, o
conceito de “classes subalternas” seria autoexplicativo, como se seu
significado já estivesse dado a priori pelo adjetivo que o
acompanha - subalterna.
Nota-se, por fim, ser impossível
estudar e compreender isoladamente as categorias gramscianas retirando-as do
contexto e do sentido a partir do qual os Cadernos foram
redigidos. Desse modo, através de um estudo bibliográfico e teórico-filológico,
o presente artigo coloca-se em tripla direção: recupera a relação orgânica do
tema de classes e grupos subalternos com a vivência prático-social de Gramsci,
destacando algumas inferências presentes já nos escritos pré-carcerários;
resgata como os conceitos em questão nascem, são construídos e se desenvolvem
no grande “laboratório” gramsciano dos Cadernos do cárcere, com
destaque para os Cadernos 3 e 25; e convida a
percorrer as mediações do tema de classes e grupos subalternos com o conjunto
geral da obra carcerária.
1. Desde um mundo grande e
terrível: as origens de Gramsci na Sardenha e a “questão meridional”
A trajetória pessoal e política de
Antonio Gramsci é marcada por sua profunda relação orgânica com os subalternos
de sua terra: desde cedo, o interesse pelo universo da cultura popular, da
linguagem e do folclore demonstra seu pertencimento à luta e à defesa pela
emancipação das classes subalternas contra os bolsões do capital industrial do
Norte da Itália, aliados aos latifundiários do Sul. Afinal, como jovem
proveniente da Sardenha, Gramsci experiencia em carne e osso as duras contradições
a que é submetida sua terra natal, desenvolvendo um intenso sentimento de
revolta que desde cedo definirá sua vida e, anos mais tarde, impulsionará sua
militância política.
Mais que um dado geográfico, a
Sardenha representa uma terra historicamente marcada pela relação periférica e
colonial com o Norte, situando-se no panorama geral do Estado italiano como uma
espécie de mercado “semicolonial”. Desta mirada, os pressupostos da formação
sócio-histórica da Itália e, especialmente, da localização da “questão
meridional” não são aspectos marginais ou secundários da biografia de Gramsci,
mas auxiliam a compor um retrato em que o intelectual se funde à figura do
militante, do político e do humano (Fresu, 2020).
Como “sardo”, Gramsci é contemporâneo
de um Estado que apenas muito recentemente havia concluído seu processo de
unificação. A Itália, ao contrário das demais nações europeias, promoveu a
centralização política de seu território de maneira muito tardia: apenas no
século XIX, no movimento conhecido como Risorgimento. Muito diverso
do processo que originou a formação do Estado Moderno na França, o Risorgimento não
foi um evento impulsionado pelos mesmos vetores nacionais franceses. Por esse
motivo, à luz da Revolução Francesa, Gramsci adensa sua análise sobre a
constituição do Estado unitário em seu país, traduzindo o Risorgimento como
um caso de “revolução passiva”, ou seja, uma revolução sem “revolução”,
conforme escreve no Caderno 19 (1934-1935).
Mesmo antes de tal extraordinária
síntese analítica, presente nas páginas do Caderno 19, durante os
anos de juventude, Gramsci também já demonstrava profundo interesse em sua ilha
e em seu povo, dadas suas adversas condições objetivas de vida, impostas tanto
pela condição de classe quanto pela pauperização a que a Sardenha e as ilhas
estavam lançadas no contexto do Estado italiano. A “questão meridional” está,
pois, primordialmente entrelaçada às origens e às condições de vida do pequeno
Nino, que não aceita passivamente as explicações convencionais sobre o Mezzogiorno,
dando visibilidade à relação desigual entre o Norte e o Sul do país.
Impactadas pela penúria dos meios de
subsistência, a infância e a adolescência de Gramsci foram marcadas pelas
mesmas privações comuns a quase todo o povo sardo. Após a prisão de seu pai,
acusado de peculato, teve de interromper os estudos escolares e começar a
trabalhar aos 11 anos de idade para ajudar no sustento da família. A
necessidade de abandonar os bancos escolares institucionais despertou no
pequeno Nino um ardente e precoce sentimento de inconformismo e rebelião contra
os ricos e as leis injustas de seu tempo, especialmente por não poder seguir
seus estudos, apesar da nota 10 em todas as matérias da escola elementar. “O
mesmo” - escreve ele - “não acontecia com o filho do açougueiro, do
farmacêutico, do comerciante de tecido” (Gramsci, 1992, p. 271).
Gramsci fala, portanto, não de um
lugar meramente acadêmico, puramente científico e de interesse teórico a
respeito da subalternidade, mas, sobretudo, daquele que vivencia as
contradições das injustiças sociais, da marginalização e do pauperismo de uma terra
criminalizada historicamente pelo Estado italiano, considerada a “bola de
chumbo” do país. A descoberta de sua própria ilha, sobretudo nos anos de
juventude em Cagliari, marca distintamente o jovem sardo com um forte traço
meridionalista, resguardando as reivindicações e os temas da sua terra, que
permanece mesmo no período turinense posterior.
Em Cagliari, Gramsci acompanha o
debate contemporâneo sobre a “questão meridional”, que reivindicava, naquele
momento, a defesa de um “sardismo fechado”, ou seja, a denúncia dos
proprietários industriais e dos trabalhadores do Norte, identificados como os
responsáveis pela discriminação social e pelo empobrecimento das massas
camponesas do Sul. Gramsci certamente amadurecerá mais adiante estas posições,
mas sem romper com a centralidade de sua terra natal, delineando “[...] com
mais precisão os reais opressores dos camponeses, dos pequenos agricultores e
da classe média trabalhadora [...]” (D’Orsi, 2022, p. 60).
Assim, embora a estadia em Turim
tenha, sem dúvida, enriquecido as experiências políticas e intelectuais de
Gramsci, o abandono do provincianismo não significou, em absoluto, a rejeição a
todo o aprendizado e acúmulo adquiridos nos anos sardos: “[...] não podemos
relegar sua educação na Sardenha a um mero fator acidental, definitiva e
organicamente superado pela ‘desprovincialização’ [...]” (Fresu, 2020, p. 25). Como provinciano da Sardenha, Gramsci leva em sua bagagem a
Turim um conjunto de autores partícipes do movimento neoidealista e liberal
italiano, como Benedetto Croce e Giovanni Gentile, que o auxiliam, de certo
modo, a combater o parasitismo e o oportunismo presentes no socialismo
italiano, advindos da Segunda Internacional (Losurdo, 2011).
As origens de Gramsci no “mundo
grande e terrível” derivam deste inusitado, mas também fundamental, arcabouço
prático e teórico que recolhe da vivência sarda: as privações e as injustiças
sociais desde a infância e a adolescência, a forte característica de revolta, o
ódio à indiferença, a defesa de seu povo, o traço meridionalista, o espectro
cultural e teórico vinculado a autores que servem de enfrentamento à influência
clerical e ao pensamento positivista. Serão estes ensinamentos que o
acompanharão quando se direciona a Turim para cursar a Universidade de Letras.
E com esta bagagem, Gramsci irromperá
no debate e na militância política, guardando em mente as reivindicações
iniciais desde a Sardenha, que na grande Turim assumirão novas dimensões. Não
por acaso, quando entra em contato com os operários turinenses, começa a
vincular-se à atividade política: ambienta-se à nova cidade, ingressa nas
fileiras do Partido Socialista Italiano (PSI), inicia a redação de uma série de
artigos, exercendo uma comprometida atividade jornalística, acompanha os
eventos internacionais com entusiasmo, especialmente os ecos da Revolução
Russa.
Das novas descobertas de Turim,
decisivo é, portanto, o contato com o movimento operário e com as
reivindicações dos trabalhadores urbanos, permitindo a Gramsci amadurecer
aquelas posições iniciais: não para romper com sua terra e seu povo, mas para
fortalecer a necessidade de unificação das demandas dos camponeses do Sul e dos
trabalhadores industriais do Norte. Amadurece, então, em Gramsci, a “questão
meridional”, que se torna objeto de estudos. É ele quem a introduz no seio do
socialismo italiano, situando-a como uma questão nacional (Fresu, 2020).
É possível acompanhar a centralidade
que “a questão meridional” adquire na infinidade de artigos que Gramsci redige
para a imprensa socialista e comunista da época, retomando, em inúmeras
perspectivas, o debate sobre o Mezzorgiorno e os camponeses do
Sul. Em abril de 1916,1 por exemplo, caracteriza a unificação italiana como uma
“centralização bestial”, que colocou em contato duas regiões com
desenvolvimento social e cultural bastante distintas: enquanto, de uma parte,
veem-se a ascensão de uma audaz burguesia e um desenvolvimento industrial
semelhante ao dos demais países da Europa, de outro, predomina uma agricultura
ainda bastante primitiva (Gramsci, 2023).
O entrelaçamento da condição dos
camponeses do Mezzogiorno e dos operários nortistas e a
necessidade de unificar seus interesses e lutas passam a se destacar no
conjunto das reflexões gramscianas, sobretudo a partir dos eventos da Revolução
Russa. Em agosto de 1919,2 Gramsci reflete o quanto a dinâmica da guerra no Oriente alterou a
psicologia dos camponeses: colocados sob uma mesma vida e disciplina comuns, os
sentimentos egoístas e individuais foram dando lugar a um espírito coletivo.
Adquirindo consciência de classe e formando os soviets por
soldados e camponeses, na Rússia se demonstrou a importância da unidade do
campesinato com a classe trabalhadora: a unificação entre operários fabris e
camponeses pobres deveria ser, afinal, a espinha dorsal da revolução proletária.
A necessária aliança entre operários
e camponeses, sujeitos do processo revolucionário, encontra seu epítome no
escrito inacabado Alguns temas da questão meridional,3 escrito pouco antes de sua prisão. Como síntese máxima do período
pré-carcerário, nele Gramsci realiza uma original e inédita leitura a respeito
da “questão meridional”, adensando seu meridionalismo ao conectar o local ao
nacional e ao internacional. Refutando as tentativas de explicar a “questão
meridional” pela inferioridade biológica dos sulistas, Gramsci insiste na
necessidade de dar centralidade ao problema da aliança operário-camponesa, pois
é ela que permite afastar a burguesia do poder de Estado (Gramsci, 2004) e constituir o processo revolucionário.
Os camponeses, apesar de se
constituírem na maioria da população, não possuem coesão alguma entre si,
configurando-se a sociedade meridional como um grande bloco agrário formado por
três camadas ou estratos sociais: “[...] a grande massa camponesa amorfa e
desagregada; os intelectuais da pequena e média burguesia rural; e os grandes
proprietários agrários e os grandes intelectuais [...]” (Gramsci, 2004, p. 423). Além de se caracterizar pela incapacidade de centralizar suas
aspirações, a grande massa de camponeses sofre com a influência do estrato
médio de intelectuais. Estes são típicos dos lugares cujas forças econômicas
capitalistas não conseguiram se desenvolver completamente, predominando, assim,
o velho tipo intelectual: não aquele vinculado à indústria e ao comércio, mas o
que desenvolve papéis mais importantes na vida nacional (Gramsci, 2004), como Benedetto Croce e Giustino Fortunato.
São eles que ligam o camponês ou
agricultor ao grande proprietário, atuando para que as grandes massas
camponesas se mantenham distantes da política. Estão personificados na figura
do burguês rural, do pequeno e médio proprietário de terras, configurando-se
como uma camada parasitária, que espreme o camponês até o osso, aprofundando
sua subalternidade. Esses intelectuais não possuem programas ou projetos
particulares, mas atuam como intermediários a favor do capitalismo setentrional
e cimentam o bloco agrário existente no Sul. Sua principal função é fazer com
que a “questão meridional” não assuma proporções verdadeiramente
revolucionárias. Gramsci os identifica, assim, como os construtores de consenso
mais reacionários da península.
Diante desta inovadora análise da
“questão meridional” no panorama italiano, Gramsci demarca as tarefas a serem
realizadas por comunistas, socialistas e democratas: a necessidade de
desestruturar o bloco agrário do Sul, que une os grandes proprietários de
terras e a burguesia industrial do Norte. Tal tarefa, todavia, exige a
organização das massas camponesas e a construção de instituições que tornem
possível a formação de novos intelectuais no campo da esquerda.
A centralidade da “questão
meridional” nas elaborações gramscianas, desde o período da juventude até os
anos da prisão, é um importante fio condutor para a incursão no debate sobre a
subalternidade. Esta, afinal, não é uma discussão “tardia” no pensamento de
Gramsci, apesar de comumente vinculada somente à obra carcerária. Como
demonstrado através da centralidade da “questão meridional”, da preocupação com
as reivindicações do povo de sua terra, das massas camponesas pobres do Sul
submetidas à intensa exploração colonial, todos estes elementos que já estão presentes
no universo-mundo de Gramsci são determinantes para a reflexão posterior sobre
classes e grupos subalternos, os intelectuais e a hegemonia, temas que
receberão atenção já nos primeiros Cadernos, nos quais Gramsci
aprofunda toda a experiência anterior em um quadro de profunda continuidade e
aprofundamento de reflexões (Fresu, 2020). Não por acaso, no início dos Cadernos, os principais
tópicos que constituem o primeiro índice, ainda provisório, têm como título
“questão meridional” e “questão das ilhas” (Liguori, 2024).
2. Muito citada, pouco lida: as
classes e os grupos subalternos na obra Cadernos do cárcere
Na obra carcerária, o Caderno
25, de 1934, é dedicado monograficamente ao tema das classes e dos grupos
subalternos. As referências a estas expressões, contudo, estão presentes desde
as primeiras notas redigidas no cárcere: na medida do possível, Gramsci
amadureceria mais adiante suas reflexões sobre o tema, esboçadas a contar de
1930, no Caderno 3. Buscar as menções ao conceito de “classes
subalternas” nos diversos Cadernos torna-se, assim,
fundamental para recuperar o ritmo do pensamento de Gramsci na prisão. E para
tal, através do método filológico, traçamos o caminho para acompanhar o
processo de construção e de elaboração das categorias gramscianas, um verdadeiro
retorno ao marxista italiano, colocando-o no centro de suas próprias reflexões.
Nessa perspectiva, ao explorar
os Cadernos do cárcere na busca da expressão “classes
subalternas”, é possível ver que Gramsci emprega o termo ao longo de 53
passagens. “Grupos subalternos” aparece em mais outras 20 menções, totalizando
73 aparições indicativas do estudo do tema na obra carcerária. Ao investigarmos
as diferentes expressões empregadas por Gramsci nos Cadernos para
se referir a esse tema, contudo, deparamo-nos com o uso oscilatório de uma
série de verbetes, formas e flexões. Além de “classes subalternas” e “grupos
subalternos”, podemos encontrar, na totalidade da obra carcerária, nove outras
variações que se originam desses termos, a saber: subalterno, subalterna,
subalternos, subalternas, classe subalterna, grupos subalternos, grupo social
subalterno, grupos sociais subalternos, subalternidade. Assim, se acrescermos
“classes subalternas” e “grupos subalternos” a essas expressões, podemos dizer
que 11 são os verbetes utilizados na abordagem de Gramsci sobre esse argumento.
Mais especificamente, observa-se que,
no decorrer dos Cadernos, tais verbetes estão presentes em 163
passagens e 88 notas de 22 dos Cadernos (miscelâneos e
especiais). Dessas passagens e notas, o que podemos constatar é que “classes
subalternas” é uma categoria que já está presente no universo de Gramsci desde
os primeiros Cadernos, visto que, somente no Caderno 3,
a referência a essa expressão aparece em seis parágrafos diferentes.4 Se considerarmos ainda os Cadernos 4, 6, 7, 8, 9, 10, 11,
12, 13, 14, 15, 16, 19, 20, 22, 23, 26, 27 e 29, todos
eles são contemplados por notas que, de um modo ou de outro, mencionam o debate
da subalternidade. Dessa forma, Gramsci constrói uma teia de relações acerca do
tema que se espraia ao longo dos Cadernos. Assim, é na costura da
obra carcerária que conseguimos identificar a referência à discussão: antes e
mesmo depois do Caderno 25.
Liguori (2015), entretanto, indica que o termo “subalterno” não é exclusivo do
período carcerário, uma vez já presente nos escritos anteriores à prisão. Não
obstante, tanto o uso nesse período quanto os primeiros usos nos Cadernos adquirem
um sentido semelhante: pretendem se referir ao significado “usual”,
caracterizando a qualidade de subordinado, visto que, nas primeiras aparições,
Gramsci faz referência à linguagem militar, em especial aos oficiais
subalternos - aqueles que ocupam a média patente no interior de uma cadeia de
comando no exército. Sintomaticamente, termos como “oficiais subalternos”,
“comandos subalternos”, “atividade subalterna”, “qualidade subalterna” e “força
subalterna” aparecem em várias notas do Caderno 1.
Gramsci utiliza pela primeira vez a
expressão “classes subalternas” no § 14 do Caderno 3.
Nesse parágrafo, intitulado História da classe dominante e história das
classes subalternas, um novo significado passa a acompanhar o uso do termo,
uma vez que introduz elementos para pensar as características das classes
subalternas, sendo que a grande novidade é a utilização, até então inédita, do
adjetivo “subalternas” para se referir às “classes”. A partir daí, Gramsci
empregará com maior frequência os verbetes correlatos: ora em referência ao
sentido “usual” do termo, ora quanto ao debate efetivo sobre a subalternidade
(que, neste caso, não pode ser entendido em seu significado conotativo, por
comportar um sentido oculto, menos convencional, figurado, pois teoriza sobre a
subalternidade de classes e grupos).
Assim, na busca por tal “sentido”
nos Cadernos, num trabalho de distinção e de identificação nas
notas carcerárias, pode-se afirmar que Gramsci se refere à subalternidade como
dimensão vinculada a classes e grupos (indicando seu sentido figurado) em 51
parágrafos de 15 Cadernos diferentes. Nesse conjunto de notas,
uma variedade de elementos aparece: Gramsci registra anotações sobre as
características de classes e grupos subalternos e pontua aspectos de sua
história; realiza uma análise entre estrutura e superestrutura; registra
apontamentos sobre o estudo da filosofia e notas sobre personagens romanos
históricos, como são Davide Lazzaretti; discorre sobre os períodos de crise
orgânica e aspectos do centralismo orgânico.
Destaca-se especialmente, como
observado, a importância do Caderno 3, redigido em 1930, que se
constitui num programa de estudo sobre as classes e os grupos subalternos, com
diversas notas indicativas. Apesar de parte de seus parágrafos não mencionar
explicitamente os verbetes em torno da temática, ou não referenciar diretamente
expressões como “grupos subalternos” e “classes subalternas”, como é o caso dos
parágrafos § 12, 16, 69, 71, 75, 98, 99 e 113, todos
reelaborados nas notas do Caderno 25, pode-se afirmar que, ainda
assim, nele se encontram os pressupostos fundamentais acerca do tema, já que
Gramsci os reagrupa na forma de um Caderno temático,
destacando aspectos que caracterizam a história e a historiografia das classes
subalternas.
A rubrica História das
classes subalternas, presente no Caderno 3, em especial a
tratada no § 90 (e revisada no Q 25 § 5), é um dos
parágrafos fundamentais para estruturar o debate sobre o tema. Gramsci abre
esta nota anunciando que a unificação histórica das classes dirigentes acontece
no Estado, e sua história é sempre a história dos Estados e dos grupos de
Estados: sua unidade é o resultado das “[...] relações entre Estado e sociedade
civil [...]”. E prossegue: se as classes dirigentes têm sua unificação
histórica no Estado, para as classes subalternas, ao contrário, esta unificação
não ocorre, uma vez que sua história está entrelaçada à da sociedade civil,
“[...] é uma fração desagregada desta” (Gramsci, 2014, Q 3 § 90, p. 372).
Conforme alerta Liguori (2016), aqui pela primeira vez aparece a relação orgânica entre Estado e
sociedade civil, de maneira que Gramsci opõe “classes subalternas” a “classes
dirigentes” e não mais “classes subalternas” à “classe dominante”, como
acontece no Q 3 § 14. Gramsci certamente está apostando na
capacidade dos subalternos de ascenderem à condição de classe dominante, sem,
contudo, deixar de alertar que, para isso, devem também se colocar como
dirigentes do processo histórico.
A partir destas abordagens, já
iniciadas no Caderno 3, quando observamos a constituição do Caderno
25, pode-se afirmar que o interesse de Gramsci nas classes e nos grupos
subalternos é triplo: (a) o processo de constituição dos subalternos se
constitui como categoria historicamente determinada e suas representações na
literatura, de modo a valorizar a produção de uma história integral das classes
subalternas, destacando seus traços de iniciativa autônoma; (b) a busca de uma
metodologia para a historiografia subalterna; e (c) a discussão sobre a
marginalização a que estão submetidas na vida e na existência concretas (Green, 2002). Assim, a reflexão sobre as classes e os grupos subalternos pretende,
sobretudo, contribuir para a formulação e a reivindicação de uma estratégia
política revolucionária; esta, aliás, é a exata conexão no pensamento entre classes
subalternas, Estado, sociedade civil e hegemonia que articula seu
núcleo revolucionário (Buttigieg, 1999), de modo que as classes subalternas façam parte não somente de uma
reflexão sobre a historiografia, mas, inclusive e principalmente, de uma
estratégia política, em diálogo com os polêmicos debates sobre a transição ao
socialismo.
Atentando para esta condição, Gramsci
dedica o Caderno 25, de 1934, ao tema dos grupos sociais
subalternos (às margens da história). Dele é possível extrair uma série de
questões para pensar a transformação da sociedade em direção a uma nova
civilização: esta tarefa histórica exige, certamente, a construção de uma nova
hegemonia e de um novo Estado, em que as classes e os grupos subalternos
conquistem sua autonomia e emancipação.
Possivelmente, como demonstra Semeraro (2014), o Caderno 25 configurava-se como um projeto
preliminar de estudo por parte de Gramsci, que certamente pretendia ainda
adensá-lo, uma vez que reúne uma significativa bibliografia sobre a análise de
alguns fatos históricos. Como exemplo, especialmente no § 1,
Gramsci inicia a retomada de movimentos e insurgências populares na Itália,
abrindo o Caderno com uma nota sobre Davide Lazzaretti,
sinalizando a necessidade de uma análise político-histórica do movimento e
inaugurando um novo horizonte para o estudo daqueles às margens da história.
Não obstante, o projeto parece se esboçar, sobretudo por Gramsci delimitar
critérios metodológicos (título do § 2 do Caderno 25)
e critérios de método (título do § 5 do Caderno 25)
para orientar sua pesquisa. Tratava-se, no entanto, de projeto de não pouca
magnitude, por pretender expressar a análise política da conjuntura dos fatos
históricos.
Dessa forma, Gramsci realiza no Caderno
monográfico 25 uma verdadeira incursão ao universo dos subalternos,
recuperando alguns episódios históricos, como os casos de Davide Lazzaretti,
das Comunas italianas e dos escravos romanos. Demonstra como os movimentos de
classes e grupos subalternos tendem a ser criminalizados e barbarizados pelas
classes dominantes: sempre que há uma tentativa de organizar a vontade coletiva
dos subalternos, incitando uma reforma intelectual e moral, dar-se-ão “[...]
explicações restritivas, individuais, folclóricas, patológicas etc.” (Gramsci, 2014, Q 25 § 1, p. 2280; CC, v. 5, 2002, p. 132). Afinal, “[...] para uma elite social, os elementos
dos grupos subalternos têm sempre algo bárbaro ou patológico [...]” (Gramsci, 2014, Q 25 § 1, p. 2279; CC, v. 5, 2002, p. 131, grifos nossos).
Esta reflexão de 1934 recorda em
muitos aspectos o artigo inacabado de 1926, “Alguns temas da questão
meridional”, pois Gramsci parece estabelecer uma conexão entre o tratamento
dado à “questão meridional” e ao episódio lazzarettista -
ambos o levam a formular as bases da reflexão sobre a subalternidade, já que
esta tanto “[...] descreve a condição dos camponeses meridionais nos anos
posteriores ao Risorgimento” quanto “[...] a condição do movimento
de Lazzaretti”, sendo justificadas pela tendência natural de “[...] sujeitos
anormais, inferiores, bárbaros [...]” (Green, 2009, p. 65-68).
Afora esta significativa vinculação
(de classes e grupos subalternos com a perspectiva revolucionária de Gramsci e
os esforços para indicar a possibilidade de sua superação), uma das mais
evidentes mudanças em sua redação na prisão é a frequente substituição,
gradativamente e sobretudo no Caderno 25, do termo “classes
subalternas” por “grupos subalternos”.
Nas primeiras menções ao verbete, o
substantivo classes é priorizado, ao preceder o adjetivo subalternas.
Já no Caderno 25, observamos uma modificação: Gramsci se utiliza
com frequência de grupos subalternos e de grupos sociais subalternos,
escolhendo, inclusive, este último verbete para dar título ao próprio Caderno.
A expressão “classes subalternas” é mencionada apenas uma única vez, no §
5. Qual o provável significado dessa variação na redação gramsciana? Seria
apenas uma questão semântica ou denotaria transformações substantivas?
Galastri (2014, p. 36-37) explica que Gramsci emprega a expressão “grupos
subalternos”, com o sentido de abarcar o conjunto “[...] das massas dominadas,
mas sem possuir agregação de classe. Os grupos subalternos não estão
necessariamente unificados em classes sociais, pois, para que isso ocorresse,
deveriam possuir formações, agregados próprios que interviessem politicamente
[...]”. Eis o argumento que provavelmente justificaria a mudança na redação
gramsciana, observada especialmente no Caderno 25. A
substituição gradativa de “classes subalternas” por “grupos subalternos”
expressa o amadurecimento na percepção de que os subalternos, na verdade, nem
sequer vêm se constituindo e se organizando como classe, e o termo “grupo”
seria então a designação que melhor poderia lhes representar. Para Gramsci, os
subalternos constituem-se em um conjunto bastante heterogêneo, com diversos
graus de subalternidade, não estando unificados (Galastri, 2014).
Por esse motivo, apontamos que a
tendência de Gramsci na escolha de “grupos subalternos” refere-se à compreensão
de que “grupos” engloba tanto as classes quanto as não classes, ou seja, tanto
aqueles com “grau” de consciência superior e mais avançado na luta de classes
como aqueles incapazes de sair sozinhos de sua condição marginal e periférica:
“grupos” certamente melhor particulariza a variedade de estratos que compõem o
conjunto dos subalternos que, por sua vez, não conseguem ainda formar uma
unidade política. Isso significa que a condição de “classe” pressupõe uma já
articulada organização política entre as grandes massas. Esta é a aposta de
Gramsci: a passagem dos “grupos” dispersos para a condição de “classe social”
organizada (Galastri, 2014).
É a partir de tais considerações,
portanto, que a categoria classes e grupos subalternos no pensamento de Gramsci
deve ser reivindicada, ou seja, levando-se em conta a vinculação com uma
estratégia revolucionária, em que os subalternos possam disputar pela conquista
e pela construção de uma nova hegemonia a captação das formas de dominação
inscritas na sociedade burguesa moderna e o problema da construção de um novo
tipo de Estado. Sem tal fundamentação, a própria questão da subalternidade, tão
cara a Gramsci a ponto de fundamentar seus Cadernos, seria
irreconhecível e facilmente manipulada.
3. Considerações finais: um convite
ao laboratório gramsciano dos Cadernos
Ao (re)compor este itinerário sobre
as classes e os grupos subalternos no pensamento de Gramsci, é possível
verificar a estreita proximidade entre os Cadernos 3 e 25.
Além do Caderno 3 introduzir as “classes subalternas” na
redação gramsciana na prisão, fornece grande parte das notas que servirão de
estrutura e composição ao Caderno 25. Ambos abordam a questão da
subalternidade e registram aspectos centrais a respeito da temática.
É imprescindível, contudo, demarcar
que tal reflexão não se limita somente aos Cadernos 3 e 25.
Se estes são fundamentais por circunscrever aspectos dessas classes e grupos, o
tema se espraia pelo conjunto geral dos Cadernos do cárcere, não
podendo a discussão sobre a subalternidade ser explicada e compreendida
isoladamente, a partir da leitura arbitrária dos Cadernos monográficos,
sem conexão com a totalidade da obra gramsciana.
Destacamos, assim, a necessidade de
se realizar um percurso no grande “laboratório” dos Cadernos do cárcere,
buscando as articulações entre as classes e os grupos subalternos com outras
temáticas e categorias: esta incursão é substancial, pois possibilita recuperar
os verdadeiros sentido e lugar com que Gramsci procurou desenvolver os
conceitos em seus dias de tormento no cárcere. Surgem, daí, os questionamentos.
Como e por onde iniciar, afinal, tal percurso? Como conferir organicidade ao
ritmo de pensamento de um prisioneiro que dialogava com leitores ideais?
Sugerimos especial atenção aos Cadernos 10, 11, 12 e 13,
os quais constituem, nas palavras de Semeraro (2014), o coração da obra gramsciana - foram escritos no ápice da produção
carcerária, quando seu autor ainda não passara pelas intensas crises de saúde
que posteriormente o acometeriam. Mesmo abordando temas diversos, tais Cadernos (e
o conjunto geral da obra carcerária) foram redigidos a partir de uma mesma
inspiração unitária: a luta e a defesa da continuidade da revolução mundial,
inspirada a partir dos eventos da Revolução Russa.
Consequentemente, a leitura de
Gramsci sobre as classes e os grupos subalternos se inscreve a partir de um
horizonte emancipatório e revolucionário. Ainda que reconheça que sua história
seja marcada por fortes traços de desagregação e espontaneidade, valoriza a
necessidade e o protagonismo dos subalternos na luta pela “vitória permanente”:
somente ela é capaz de romper, se não de maneira imediata, mas permanentemente
com a subalternidade, encerrando um determinado ciclo histórico com sucesso.
Para tanto, as classes e os grupos
subalternos precisam “tornar-se Estado”, ou seja, passar da condição de
subalternidade à de hegemonia, deixando de se colocar como uma fração desagregada
da sociedade civil. A elaboração de uma nova proposta de Estado por parte de
classes e grupos subalternos é condição para a conquista de sua unificação e
autonomia integral. Este é o esboço de uma estratégia revolucionária para os
subalternos às margens da história: devem disputar pelas relações
de força no contexto do Estado integral, o que pressupõe a elevação de seu modo
de pensar do econômico-corporativo para o “ético-político”. Vê-se aqui a
imbricada relação dos conceitos de classes e grupos subalternos com os de filosofia
da práxis, intelectuais, Estado e hegemonia, e por isso a
centralidade dos Cadernos 10, 11, 12 e 13 no
escopo de problematizar, justificar e complementar o debate sobre a
subalternidade.
Gramsci, afinal, defende que novas
relações orgânicas se coloquem entre sociedade civil e sociedade política, de
modo que, se “[...] na noção geral de Estado entram elementos que reportam a
noção de sociedade civil no sentido, seria possível dizer, Estado = sociedade
política + sociedade civil, isto é, hegemonia couraçada de coerção” (Gramsci, 2014, Q 6 § 88, p. 763-764), os subalternos devem se tornar
dominantes das forças adversárias e dirigentes dos grupos aliados, para
colocarem a si mesmos como “Estado”.
Gramsci inspirou-se certamente na
verdadeira ciência-ação que representa a filosofia da práxis: um ensinamento
prático de política que incita à luta revolucionária, uma filosofia integral e
original que iniciaria uma nova fase no desenvolvimento mundial, decisiva na
elevação dos “simples” e na revisão de todo o modo de ser dos subalternos. A
filosofia da práxis, para ele, distinguia-se de todas as demais filosofias, ao
afirmar a unidade entre teoria e prática, entre pensamento e ação, entre
dirigentes e dirigidos. Gramsci, dessa forma, como grande intelectual orgânico,
adota a filosofia da práxis como inspiração e mesmo como estilo de vida.
Recordemos, finalmente, sua XI Tese sobre Feuerbach, na qual
persevera na interpretação marxiana de que “os filósofos interpretaram o mundo,
tratava-se agora de transformá-lo”, projeto ao qual se dedicou inteira e
intensamente, mesmo nas condições mais adversas do cárcere fascista. Na defesa
pela luta e pela emancipação das classes exploradas, Gramsci quer nos lembrar
de que o subalterno, se foi subalterno ontem, hoje pode não ser mais.
Atualizemos, no século XXI, suas lições, fazendo vivente sua filologia.
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- 1 “O Mezzogiorno e
a guerra”, publicado no Il Grido del Popolo.
- 2 “Operários
e camponeses”, publicado no L’Ordine Nuovo.
- 3 Título
completo do manuscrito dado por Gramsci: Notas sobre o problema
meridional e sobre a atitude diante dele dos comunistas, dos socialistas e
dos democratas.
- 4 § 14, § 18, § 48, § 53, § 90, § 117.

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