Por O Globo, com agências internacionais
Com mais de 99% das urnas apuradas, António
José Seguro alcançou 31,14% dos votos, contra 23,48% de André Ventura, líder do
Chega
O socialista António José Seguro foi o
candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial em Portugal,
realizada neste domingo, superando o adversário de extrema direita André
Ventura, até então apontado como favorito pelas pesquisas de opinião. Com mais
de 99,6% dos votos apurados, o candidato socialista tinha 31,14% dos votos
válidos, contra 23,48% de Ventura — o que garante os dois no segundo turno, o
primeiro que será disputado em quatro décadas, no dia 8 de fevereiro.
A superioridade do candidato socialista no primeiro turno contrariou as pesquisas realizadas até então, que apontavam que Ventura, líder do partido radical Chega, na primeira colocação. Seguro, de 63 anos , incorporou em sua campanha a imagem de integrador e moderado, defensor da democracia e dos serviços públicos frente ao "extremismo".
— Convoco todos os democratas, todos os
progressistas e todos os humanistas a concentrarem seus votos em nossa
candidatura — declarou, no último dia de campanha.
Ventura, que se autoproclamou como
"candidato do povo", encerrou sua campanha pedindo aos outros
partidos de direita para não "colocarem obstáculos" em um eventual
segundo turno com o candidato socialista — as mesmas projeções que indicavam
sua dianteira no primeiro turno, previam sua derrota na votação decisiva. Pouco
após o fechamento das urnas, e com os números indicando sua ida à etapa
decisiva, o candidato disse esperar unir todos os votos de direita a seu favor.
— O que vamos ter a partir de amanhã é uma
luta entre o socialismo e quem não quer o socialismo — disse o candidato, em
fala registrada pelo jornal português Público. — [Agora é hora de] liderar a
direita, agregar, juntar esforços para evitar o que ninguém à direita quer, que
é um socialista em Belém [referindo-se ao Palácio de Belém, sede da
Presidência].
O Chega, partido que adere a um forte discurso
anti-imigração e com lideranças que frequentemente estão envolvidas com falas
xenofóbicas, cresceu sob a liderança de Ventura. A sigla conquistou 60 cadeiras
no Parlamento, em eleições disputadas em maio. A agenda, ainda vista pelas
siglas mais tradicionais como radical, afasta possíveis apoios.
Em uma primeira manifestação após os
primeiros resultados parciais, o primeiro-ministro conservador Luís Montenegro
disse que sua sigla, o Partido Social Democrata (PSD), não apoiaria nenhum dos
dois candidatos no 2º turno, após a derrota do candidato Luís Marques, que
ficou apenas na quinta posição (11,32%). Montenegro, em sua avaliação inicial,
creditou o resultado frustrante à divisão de votos no campo da direita
tradicional — o candidato liberal João Cotrim ficou na terceira colocação, com
15,99% dos votos.
Se o comportamento do eleitorado de direita
não está claro, uma vez que não há endossos a Ventura — Cotrim também disse na
noite de domingo que não irá apoiar nenhum candidato no 2º turno —, a esquerda
e centro-esquerda declararam apoio a Seguro.
O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista
Português (PCP) pediram que seus eleitores votem no candidato socialista, em
uma convocação à oposição à extrema direita.
— [Impõe-se evitar] uma agenda e concepções
reacionárias, retrógradas e antidemocráticas de questionamento do regime
democrático e de ostensiva desvalorização e ataque à Revolução de Abril — disse
o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. — [Fazê-lo] exige de forma clara e
evidente o voto contra a candidatura de André Ventura e conduz o voto em
António José Seguro.
O presidente português não tem poderes
executivos, mas pode ter um papel de árbitro em caso de crise, pois tem o
direito de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas. O
vencedor do segundo turno vai substituir o conservador Marcelo Rebelo de Sousa,
eleito duas vezes em primeiro turno. (Com AFP)

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