O Estado de S. Paulo
Ministro atropela autonomia da Polícia Federal na investigação, determina até tempo para depoimentos e quem fará perícias em aparelhos apreendidos
A pressa é inimiga da perfeição. O ditado popular se encaixa nas decisões que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está tomando à frente da relatoria do caso Master. Nesta sexta-feira, 16, a novidade foi ele limitar o tempo que os investigadores terão para tomar todos os depoimentos. Apenas dois dias consecutivos.
Delegados e peritos estão desconfortáveis com
a situação. Dizem que a medida pode prejudicar a lógica das oitivas e a técnica
adotada. Afinal, é preciso analisar previamente o material apreendido e muitas
vezes revisitar o conteúdo após um interrogatório, o que pode demandar mais
tempo e remanejamentos.
Antes, a previsão era ouvir novamente o dono
do Master, Daniel Vorcaro,
e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, além de outros
investigados, num período de seis dias.
Em tom de desabafo, um dos delegados afirmou
à Coluna que
nem sequer eles têm certeza se a equipe da PF terá total autonomia para a
elaboração das perguntas ou se o roteiro de indagações também será encaminhado
por Toffoli.
Circula inclusive na cúpula da PF a
reclamação de que o magistrado passou a agir como delegado de polícia. Toffoli
avocou para si tanto poder que integrantes da Polícia Federal dizem nunca terem
visto nem o ministro Alexandre de Moraes, em tantas
atuações polêmicas, agir assim em relação aos procedimentos investigatórios.
O comum seria a Polícia solicitar autorização
ao juiz para fazer as operações, adotar cautelares e quebrar sigilos, por
exemplo, como previsto no artigo 102 da Constituição. Mas, a partir daí, a
polícia é quem define a parte logística, datas e equipe.
Toffoli, entretanto, pouco tem se importado
em seguir padrões. Talvez seja esse um dos motivos de tanta resistência no STF
para criar um código de ética.
Ele determinou prazo de 24 horas para a PF
fazer a segunda fase da Operação Compliance Zero.
E chegou ao ponto de impedir a Polícia Federal de periciar o material apreendido.
Depois, ao autorizar acesso ao conteúdo, foi ele quem determinou quais peritos
poderiam fazer a perícia.
Com a atitude, Dias Toffoli expõe seus medos.
Fica evidente que o ministro teme o vazamento de dados da megaoperação. O
principal é a análise dos celulares e computadores apreendidos. Entre eles,
aparelhos que pertencem ao pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Como revelou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná.

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