Folha de S. Paulo
PSD passou a concentrar pré-candidatos
presidenciais do campo da direita e da centro-direita
Acredito que legenda até pode entrar na
corrida, mas só se puder preservar sua elasticidade ideológica
O PSD de Gilberto Kassab vai mesmo lançar candidato presidencial? Kassab é um operador político competente. Ele praticamente monopolizou o campo dos potenciais postulantes de direita e centro-direita. Estão sob as asas de sua agremiação Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Só Romeu Zema corre por fora pelo Novo.
O interessante é que qualquer um deles tem
mais chance de derrotar Lula num eventual segundo turno do que Flávio
Bolsonaro, o candidato da direita radical. O problema é justamente
chegar ao segundo turno, já que há no eleitorado de 15% a 20% de bolsonaristas
raiz que votam cegamente em qualquer coisa que o ex-presidente e atual
presidiário indicar. Se o sobrenome proposto começar com B e terminar com O, o
apelo fica irresistível. A moral da história, se é que essa história tem moral,
é que é difícil para um postulante do campo conservador superar Flávio no
primeiro turno. Mas difícil não é sinônimo de impossível. E o PSD não
reclamaria se aparecesse uma chance de levar a Presidência com candidato
próprio.
Existem, contudo, limites ontológicos para a
atuação dessa legenda. Ao fundar a sigla em 2011, Kassab foi profético ao
dizer que ela não seria de
esquerda, de direita nem de centro. O PSD é uma espécie de
PaSsárgaDa partidária, onde todos podem ser felizes, independentemente da
ideologia que abracem. É uma agremiação em que, respeitados os feudos, lulistas
e bolsonaristas convivem em relativa harmonia. A agremiação tem ministros no
Planalto e Kassab é ele próprio secretário do governador Tarcísio de Freitas,
um bolsonarista nada enrustido.
O PSD é também um partido de cooptação. Ele
vem crescendo nas urnas, mas em boa medida por atrair para suas fileiras, às
vésperas de pleitos, políticos já estabelecidos, mas que estão insatisfeitos
com suas legendas. Passárgada tem o seu apelo.
Minha impressão é que a legenda até poderá
entrar na corrida presidencial, mas desde que isso não ameace seu DNA
desideológico que é, no fim das contas, o segredo de seu sucesso.
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